Gisele, às 20h12
O tempo realmente revela as verdadeiras intenções das pessoas. As sogras (sim, olha elas aqui novamente) são capazes de supreender filhos e noras à medida que a convivência entre os casais vai se estreitando. Eu conheço um camarada cuja mãe é completamente sem noção. Ele mesmo reconhece que a dona é osso duro. E não a defende. Quando apresentou a namorada à família, a mãe deu uma de compreensiva (a pretendente à nora tinha quase a idade dela), achando que fosse uma relação passageira, e que o filho, tão novinho, só estaria interessado em sexo.
Os meses se passaram, o namoro ficou sério, e os pequenos boicotes surgiam a cada noite passada fora de casa. As roupas do filho deixaram de ser passadas, o shampoo e o sabonete do banheiro dele deixaram de ser repostos, e a comida deixou de receber aquela atenção especial. Até que o filho resolveu fazer um test-drive e comunicou a mãe que iria morar com a namorada.
De uma hora para outra, objetos e produtos de higiene voltaram a fazer parte da decoração do banheiro e do armário de roupas. O almoço passou a ser servido mais cedo, e as perguntas sobre a pretendente à nora ficaram curiosamente mais “íntimas” (tipo: você sente tesão por ela?). Quando ele me contou, fiquei me perguntando que tipo de mãe era aquela para achar que o filho estava indo morar com a namorada sem sentir tesão por ela. E que tipo de pergunta descabida era aquela.
Uma outra amiga me conta que a sogra a paparica o tempo todo. Não por gostar de fato dela, mas para se manter perto do filho, já que o rebento não a “escuta” mais como antes e está tomando decisões com a ajuda de outra pessoa. A garota, que é bastante arredia e sente de longe o cheiro de uma falsidade, procura manter distância da sogrinha: nunca liga e não dá trela quando a conversa começa a ultrapassar o limite da intimidade.
Agora que está grávida, me conta que os paparicos pioraram. Um presentinho a cada visita, uma investigação a cada telefonema. Uma sondagem a cada comentário sobre “quem vai cuidar do meu neto quando você voltar a trabalhar?”. Ofertas de ajuda para a decoração do quarto da criança, para as lembrancinhas da maternidade, para o chá de bebê, para acompanhar o ultra-som, para ir ao ginecologista nas consultas de pré-natal e até para acompanhar o parto. Certamente a sogra deve achar que a menina não tem mãe. Ou marido. Ou que vai preterir a companhia de qualquer um dos dois por ela. Fico imaginando as visitas surpresas e intermináveis que a dona vai fazer quando a criança nascer. Ou as idéias de nomes lindos que vão surgir quando descobrirem o sexo do bebê. É capaz dela sugerir o nome do cachorro da vizinha, que ela acha lindo.
Mas há falta de noção pior. A mãe de uma amigo meu recém-casado acha que a casa do filho é extensão da casa dela. Chega a hora que quer, sem ser anunciada na portaria, mexe nas coisas e guarda-as do jeito que ela pensa ser melhor e ainda dá uma de anfitriã quando o filho e a nora estão recebendo amigos, oferecendo bebida, comida, café... A nora cansou de reclamar para o filho, que acha ótimo poder contar com a mãe a qualquer hora e não considera a "ajuda" como intromissão. "Tomara que um dia ela chegue em casa num momento bem inoportuno. Quem sabe assim se toca um pouco", diz ela.
Claro que há exceções (raríssimas, na verdade). Conheço gente que vive dizendo que um dia pode se separar da mulher, mas que fica com a sogra. Vai entender!
