It is all about girls... or men

13.08.05

Homem gosta de mulher idiota

Gisele Ribeiro, às 20h56

Homem gosta de mulher idiota. Foi a segunda vez, em uma semana, que escutei esta frase. Da primeira, a pérola veio de uma mulher que ganha a vida ensinando senhoras e moçoilas a seduzirem seus parceiros com o dedinho na boca e uma lingerie mínima. A segunda, de um amigo chileno que discutia comigo meus comentários neste blog sobre a covardia masculina para assumir sentimentos.

"Não é covardia, Gisele. É machismo. Os latinos têm natureza machista. Querem mulheres que dependam deles. Quando encontram uma que tenha vida própria, correm."

E o que eles esperam, que sejamos todas burras? Que não questionemos sua conduta na vida ou na cama? Que apenas aceitemos o pouco que nos oferecem? Que os latinos são machistas, isso ninguém discute. Uns mais, outros menos. Uns disfarçadamente, outros descaradamente. Mas é difícil aceitar que em pleno século 21, os homens ainda queiram ter do lado mulheres submissas e resignadas.

Entre uma mulher bem-sucedida profissionalmente e bem-resolvida emocionalmente e uma garota que faz caras e bocas e diz "Amooooor, eu não sei o que fazer quando estou longe de você", a escolha recai sempre sobre o segundo tipo. Por quê? A resposta veio de uma observação feita por um amigo algum tempo atrás.

Assumidamente conservador, esse meu amigo dizia que se sentia mal quando a namorada, assumidamente liberal, se oferecia para pagar a conta do bar, ou para buscá-lo em casa no sábado à noite, ou ainda quando escolhia o filme a que iam assistir no domingão à tarde. "Eu entendo o lado dela, mas gosto de saber que posso sustentar meu namoro. Gosto de pagar a conta do bar, gosto de buscá-la em casa, gosto de abrir a porta do carro", dizia ele. "Se eu quisesse namorar com alguém que fizesse tudo isso por mim, namoraria um homem".

Comentei com Arturo, o amigo chileno, a conversa com Danilo, o amigo conservador. Ele não se espantou. Ao contrário, foi solidário: "Nenhum homem quer uma namorada que concorra com ele. Mulheres como você, ou como a namorada do seu amigo, metem medo nos homens, porque eles sabem que vocês não precisam de nada".

Será mesmo que não precisamos de nada, que estamos fadadas à solidão por sermos bem-resolvidas? Pelo jeito, é mais fácil para os homens fugir do desafio da conquista do que se esforçar para nos dar mais do que o pacote básico oferecido às mulheres que deixam o cérebro trancado no armário.

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10.08.05

Lugar de homem mau-caráter é na cocheira

Gisele Ribeiro, às 23h05

"Lugar é mulher é na cozinha, não no volante."
"E aí tia, vai pilotar fogão!"
"Só podia ser mulher mesmo."

No trânsito cada vez mais caótico das grandes cidades, não há um dia em que nós, mulheres, não escutemos uma frase engraçadinha e preconceituosa como essas. Pronunciadas em uma roda de amigos, elas surgem como uma provocação, como o pontapé inicial para a eterna guerra dos sexos. Ditas nas ruas, elas geralmente são acompanhadas de um gesto agressivo ou de uma careta de reprovação à nossa performance ao volante.

Na manhã desta quarta-feira, a caminho do trabalho, fui surpreendida por um desses taxistas que pensam ser exímios motoristas. Mesmo tendo cruzado o sinal vermelho, entrado com tudo no meu carro e quase me matado, desceu de seu táxi com o dedo em riste e a voz uns bons decibéis acima do alterado. Quase me agredindo, acusou-me de ter provocado o acidente, me mandou voltar para a auto-escola e ainda soltou uma dessas frases memoráveis: "Devia existir uma lei que proibisse mulher de dirigir".

Antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, alguém no meio da multidão que se formou no local saiu em minha defesa. "Baixe o tom de sua voz! O senhor estava errado", e me estendendo um cartão, disse que testemunharia em meu favor caso fosse necessário. O mesmo fez outra pessoa, e outra, e mais outra. Um senhor anotou a placa do carro, enquanto tentava me acalmar. O motorista ainda trocou berros com quem me defendia, mas ao ver que não ganharia a razão no grito, entrou no carro com o pretexto de tirá-lo do meio da rua e fugiu.

Foi a primeira vez que me envolvi em um acidente. Mas sei que, infelizmente, não é a última em que piadinhas sexistas serão usadas para justificar a má conduta, a falta de respeito e o mau-caratismo de certos homens que se crêem exímios condutores. A esses, meu recado: Se lugar de mulher é na cozinha (que, aliás, domino tão bem quanto o volante), o de homens como o taxista Nivaldo é na cocheira.

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09.08.05

Tudo Tem Limite

Renata Rondino, às 22h29

Todo mundo tem o direito de não saber o que quer. Todo mundo tem o direito de medir terreno, ver onde está pisando. Ninguém precisa ter certeza de que vai se casar com uma pessoa que conheceu há 2 dias. Mas para isso existe a encantadora filosofia de um amigo meu, a TTL - Tudo Tem Limite.

É óbvio que é necessário sair algumas vezes com um cara e uma certa dose de aproximação homeopática para saber o que se quer daquilo. Mas sejamos honestos, vinte dias é mais do que suficiente para se saber ao menos se a situação o (a) empolga. Se você tem algum entusiasmo em continuar vendo aquela pessoa. Você já tem a sensação de que a coisa pode virar, ou não.

Ninguém sai com uma pessoa por mais de um mês de maneira morna e insossa e fica esperando pra ver se alguma coisa melhora. Esse papo não cola. Depois de um determinado tempo, são esperadas certas atitudes das pessoas. Espera-se, ao menos, que se perceba que o outro está curtindo ou não os momentos juntos. Diante de uma emoção semelhante à de uma barata morta, é natural que tentemos entender se a coisa, afinal, rola ou não. E o pior é ficar ouvindo que somos nós que estamos criando expectativas.

O que querem, afinal? Levar um casinho por meses e meses a fio, e nunca esperar nada? Em algum momento, queremos ao menos saber se o outro se sente como nós. Se está gostando como nós, e se quer continuar, como nós. Portanto, quem senta a bunda na cadeira, se acomoda numa história sem nenhum sabor, esperando que um dia algo se resolva, é um covarde e um babaca consigo mesmo, porque não se permite viver as coisas por inteiro.

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Dormindo com o inimigo

Gisele Ribeiro, às 20h26

Meu amigo "bom-moço" do post anterior é defensor dos direitos iguais para homens e mulheres. Pelo menos, no que tange aos relacionamentos a dois, por que nas outras áreas... "Só homem é cafajeste, Gi? O contrário não existe nessa história?".

Claro que existe. E muito. Como já disse, mulheres podem ser tão infames, ordinárias e canalhas quanto os cafajestes que criticam. Só que, ao contrário dos homens, fazem isso dissimuladamente. Homens cafajestes levam pendurada na testa uma placa que diz: "Cuidado, eu não presto". Se a mulher cai na conversa e se dá mal, problema dela.

O outro lado da moeda é diferente. As mulheres cafajestes escondem o que são atrás de uma aparência angelical e sedutora, cuidadosamente construída para enganar suas vítimas. Digo vítima porque nenhum homem é capaz de resistir a uma mulher que decide-se canalha. Nenhum mesmo.

Ao ouvir tal afirmação, meu amigo saiu-se com essa: "Todo homem tá perdido. Para não dormir com o inimigo, temos que virar gays?". A minha resposta: Não, não precisam virar gays, mas têm de se esforçar um pouco mais, observar mais e aprender a lidar com toda essa dissimulação feminina. Assim, quem sabe conseguem ser menos covardes e mais honestos, com eles mesmos e com suas parceiras.


E antes que alguém se sinta ofendido, aqui vai a definição de Covardia:
Substantivo feminino
Atitude, gesto que se caracteriza pelo temor, pelo acanhamento, pela falta de ousadia.

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Às mulheres, falta-lhes culhão

Gisele Ribeiro, às 19h32

O primeiro post deste blog provocou uma discussão acalorada com um amigo que costuma fazer pose de bom-moço. Um tanto indignado, ele me acusou de estar sendo injusta com os homens.

-- "Você cobra que os homens têm de se posicionar, mas nem sempre eles sabem o que pretendem e tão ali conhecendo o terreno, ou seja, defensivamente, como as mulheres. Não se pode culpá-los... Nem sempre dá pra falar 'olha, num tô afim de nada' ou 'quero ficar contigo', porque todo mundo pode ter dúvida e se acomoda no 'vou vivendo'... Os outros [a parceira] têm de nos parar... caso contrário, vamos andando."

Analisando friamente, meu amigo tem razão. Mas em nenhum momento eu digo que as mulheres não têm sua parcela de culpa. Elas têm, sim, e muita. Assim como os homens, elas também são covardes. Deixam a situação indefinida se prolongar por meses, anos a fio até, e preferem reclamar a tomar uma atitude. Lutam tanto para ser feministas e ficam esperando que o outro tome a decisão.

A algumas mulheres, até às ditas "machas", falta exatamente aquilo que dizem não ter os homens que costumam chamar de frouxos: culhão. Para tomar uma decisão. Culhão para largar o osso, como diz a Renata. Culhão para pôr um ponto final em uma situação que as descontenta. Afinal, sempre é mais fácil colocar a culpa no outro que admitir as próprias fraquezas.

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Os doces cafajestes

Renata Rondino, às 01h58

Quem ousa falar mal de cafajeste? Eu não. Jamais!

Aliás, esta é uma palavra que nem deveria ter sentido pejorativo. Cafajeste é diferente de escroto. O cafajeste é aquele que não está nem aí para ninguém, que quer curtir a vida sem a necessidade de ser bom moço.

Eles são honestos, transparentes. Nenhuma mulher se engana com um cafajeste. Se elas insistem em acreditar que com elas será diferente, que ele deixará de ser o que é em nome do amor, acho bom pararem de ler romances de banca de jornais.

Cafajestes querem trepar. E as mulheres, quando topam numa boa, podem tirar proveito. E com a cara limpa. Nada de dizer depois que eles são filhos da puta. Fazer-se de vítima não é fair play.

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Muié macho, sim senhor

Gisele Ribeiro, às 01h22

Nos tempos do Lampião, mulher-macho era aquela paraíba forte, de aparência masculinizada, que inspirava cangaceiros e o compositor Luiz Gonzaga. Mas ultimamente tenho ouvido muito frases que usam a palavra macho para adjetivar mulheres de atitude. Renata, minha companheira neste blog, usou esse recurso para explicar a covardia de uma garota que não sai de cima do muro.

Eu mesma, já fui chamada de macho algumas vezes. Ora pelo modo descomplicado como encaro meus relacionamentos, ora pela maneira como trago os amigos de volta à realidade, ora pelo meu respeito aos homens cafajestes.

E antes que alguém me chame de louca, explico-me: cafajestes são seres totalmente transparentes. Eles não se escondem atrás da máscara de bons moços para conquistar sua presa. São diretos. Portanto, só entram na fogueira aquelas que estão afim de se queimar. Depois não adianta dizer que não foram avisadas.

Mas ainda que o dicionário nos dê a devida licença da aplicação do sentido figurado do termo mulher-macho, é engraçado usá-lo agora como sinônimo positivo de mulheres bem-resolvidas, de princípios firmemente estabelecidos. Seu uso indiscriminado muitas vezes serve para disfarçar o que certas mulheres de atitude querem esconder: que também podem ser tão infames, ordinárias e canalhas quanto os homens cafajestes que tanto criticam.

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08.08.05

Será que somos tão covardes quanto eles?

Renata Rondino, às 23h02

Eu cheguei a escrever um longo texto sobre isso, mas na hora de publicar, o UOL sumiu com ele. Ia começar de novo, quando me bateu uma luz na cabeça.

Acredito piamente que intuição é algo que não se despreze. Então vou mudar o foco da discussão.

Conheço várias mulheres desiludidas com homens que não sabem o que querem. Eles não assumem o que sentem, e vão levando a situação por tempo indeterminado, até que um dia caia um raio em suas cabecinhas - a de cima, no caso -, e eles decidam apostar de verdade em quem eles realmente amam. E, quando isso acontecer, eles com certeza irão chutá-las.

E elas, em nome daquilo que sentem e querem, ficam ali, insistindo, no aguardo. E sofrendo!

Não posso falar uma vírgula delas. Já fiz isso. E não tomei nenhuma atitude, esperei a situação se decidir sozinha. Eu perdi, óbvio. Não bastasse tudo que sofri, ainda não tirei nenhum lucro no final.

E hoje eu me pergunto: por que nos permitimos vivenciar uma situação que não nos favorece? Que tipo de homens indecisos estamos amando? Por que simplesmente não dizemos "Não é isso que eu quero para mim!", e tomamos atitudes para seguirmos nossas vidas em busca daquilo que realmente desejamos?

Quando se pergunta a essas mulheres o motivo da insistência, a resposta é esta: "Porque eu acho que ele gosta de mim!". Era essa a resposta que eu tinha na época em que enfrentava a mesma situação. E eu não duvido que elas estejam cheias de razão! Eu tenho certeza dos sentimentos deles. Mas de que adianta a certeza estar comigo, e não com eles? Se eles não admitem e não assumem, de quê adianta ficar dando murro em ponta de faca?

E não é só para elas. Digo isso para um amigo meu, cuja paixão o faz de gato e sapato. E que ele não corta. Ela não toma nenhuma atitude de macho, não banca o que sente, não faz aquilo que torna a outra pessoa digna de nossa admiração. Mas ele continua à disposição dela. Sofrendo, mas firme, segurando o osso!

Por que amamos covardes? Não seria por que, no fundo, sonhamos com a mudança radical, com a declaração de amor que um dia virá? Acreditamos no "felizes para sempre... quem sabe"?

Ou será que somos tão covardes quanto eles, e tememos nos desapegar daquilo que nos machuca, porque tememos nossa liberdade e o futuro incerto?

E se lá na frente eu ficar sozinho de vez? E se eu não encontrar nada melhor? Pois eu acho que o mantra funciona: quem não acredita, não encontra mesmo.

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O pior defeito de um homem

Gisele, às 22h23

Qual o pior defeito que um homem pode ter? Ouvi essa pergunta de uma amiga desencantada com seus relacionamentos afetivos recentes. Depois de passar horas discorrendo sobre suas desilusões amorosas e sobre a sua decepção com o caso amorfo que mantém há dois anos, ela foi taxativa:

"Gi, o pior defeito de um homem é a falta de comprometimento".

Fui para casa pensando naquela sentença. Definitiva. Precipitada. A meu ver, a falta de comprometimento não é a causa, mas o efeito. Já passei por dois relacionamentos estáveis, vários namoros sérios, outros tantos namoros "tropeçantes" e por um sem-número de casos efêmeros. Cada um dos meus parceiros tinha uma enorme lista de qualidades e (justiça seja feita) uma lista de defeitos tão ou mais longa que a de predicados. Nenhum deles se comportou de maneira igual, embora todos tivessem um ponto em comum: foram covardes em algum momento da convivência.

A covardia leva à falta de comprometimento, que, por sua vez, leva as mulheres à loucura. Os caras querem levar as meninas em banho-maria até que tenham certeza de que ou gostam ou não gostam. Se não forem questionados, sentam-se em cima do muro a ali ficam, confortavelmente.

Que conclusão tiro disso? O pior defeito dos homens é a falta de coragem para assumir o que sentem pela parceira. Seja para dizer que querem um relacionamento mais sério, com todas as implicações que acompanham o pacote, seja para dizer que o que eles desejam mesmo é que nós sejamos apenas companheiras 100% sexuais, 100% desencanadas e 0% neuróticas ciumentas que discutem a relação cada vez que abrem a boca.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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