It is all about girls... or men

16.08.05

Pacto com a infelicidade

Gisele Ribeiro, às 23h23

Desde que comecei este blog, meus amigos andam assustados. Temem virar tema de um dos meus comentários. Em meio a gargalhadas digo-lhes não ter culpa de suas histórias serem dignas de crônicas do cotidiano sentimental. Prometo-lhes ser menos sarcástica, mas fica difícil quando algumas de suas afirmações caem como uma luva no espírito deste site. Hoje, conversando com um deles ao telefone, escuto a seguinte frase:

"Gi, estou condenado a viver eternamente com uma mulher que não me dá tesão".

Não dá para ficar calada. Há mais de ano, "O Insatisfeito" vem com essa mesma lenga-lenga: "Não gosto mais dela", "Não consigo me separar", "Preciso me apaixonar por outra pessoa para ter coragem" e por aí vai. Há mais de um ano faço a mesma pergunta: "Por que então você continua com ela se está infeliz?". A resposta, todas a vezes, é: "Não sei viver sozinho". Bom, são poucas as pessoas que admitem ter feito um pacto com a infelicidade só para ter uma companhia.

O Insatisfeito, do seu jeito, vem tentando salvar o casamento-namoro capenga há tempos. Mudou-se de casa (para começar tudo de novo), pensou em fazer terapia de casal (desistou antes mesmo de começar) e cogitou uma troca de casais ("Quem sabe assim ela se anima, eu me animo e a coisa engrena"). Eu não creio que o meu amigo vá encontrar respostas às suas dúvidas de convivência indo por esse caminho, ainda mais quando a outra parte envolvida no problema nem imagina o que está acontecendo. Muito menos que está sendo, digamos, leiloada.

Sou partidária de uma boa conversa. É sempre a melhor solução para tudo, seja para descobrir que ainda vale a pena tentar, seja para colocar um ponto final em algo que não vai para frente. Mas se a relação chega a um ponto em que até conversar abertamente é difícil -caso do Insatisfeito-, então é melhor que cada siga o seu caminho, antes que, em nome do comodismo, não sobre nada, nem mesmo o respeito.

[ ] [ envie esta mensagem ]

Criando expectativas - a revanche

Renata Rondino, às 18h07

Recebi algumas contestações a respeito de um comentário anterior neste blog sobre a história de criar expectativas. Como concordei com o reclamante que o texto estava realmente confuso, resolvi me explicar melhor.

Há duas situações distintas. Em uma, um casal sai semanas, meses, anos a fio, vivendo um affair sem compromisso. Se temos aqui regras bem definidas, honestidade, e um par de pessoas bem resolvidas e com uma elevada dose de bom senso - e consequentemente felizes nesta natureza de relacionamento -, não há mal algum. Neste caso, há uma espécie de contrato, em que as partes entendem quais são os limites, e eles estão bem claros.

Em outra circunstância, o casal começa a sair e tenta pagar para ver, ou seja, se aquilo vira uma relação compromissada ou não. Neste caso, não existem esses limites. Os portões estão abertos para a possibilidade de envolvimento afetivo. E, com o passar do tempo e com a convivência, é natural que uma das partes queira saber onde vai dar, principalmente se ela sacar que está se envolvendo.

Se não há regras, a convivência e o tipo de relacionamento desenvolvido abre janelas para que expectativas sejam criadas. Por isso, não se pode querer que alguém seja levado em banho maria por meses a fio, sem que ela não tenha o direito de querer nada. Que conviva, que tenha uma espécie de vida em comum, mas que no dia seguinte não se importe se a outra parte vai ligar ou não.

Se há envolvimento, cria-se responsabilidade pelo sentimento do outro. Como? Simples. Se você não está mais a fim, se não vai virar, se pra você não passa de algo superficial, e a outra pessoa tende a se envolver, seja franco. Não enrole, não fique testando pra ver se a coisa muda de figura ou, sendo o pior dos cafajestes, até arrumar algo melhor.

Isto não é vitimização. É um apelo à honestidade.

[ ] [ envie esta mensagem ]

"Você me usou..."

Renata Rondino, às 01h04

Não existe nada no mundo pior do que esta frase.

Talvez tenha uma semelhante: "Eu te dei os melhores anos da minha vida".

É injusto. Com exceção da ex-esposa do José Dirceu, nenhuma mulher pode afirmar que foi usada. Ela fez o que quis, e acreditou naquilo que quis acreditar. Algumas são capazes de crer naquilo que está diante do nariz. Outras preferem romancear, se iludir, fantasiar. Se o conto de fadas não era o que ela esperava, a culpa não é do outro.

Ninguém é usado. Quando um casal faz qualquer coisa, são duas pessoas que estão vivenciando aquilo. E não uma só. Duas pessoas beijam, transam, gozam, se divertem, riem. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, e ninguém faz nada só, contra a vontade, só pra agradar o outro. Se fez, mereceu as consequências.

"Sexo virou objetivo, não conseqüência. Dinheiro é objetivo, não conseqüência... e assim vai!", diz um amigo meu, acrescentando: "Sentimentos viraram um escambo horroroso!". Cansado de ser tachado de cafajeste e afins, mesmo tendo sempre deixado claro as condições da relação, só lhe resta dar risada quando as mulheres o chamam de frio, insensível e egoísta.

Ou seja... se eu me envolvi, você deveria se envolver comigo. Se eu me apaixonei, você me deve uma paixão. Se eu te considero muito, quero isso de volta. Será que saberemos gostar sem esperar retribuição nos moldes que queremos? Será que nunca aprenderemos a gostar por gostar?

P.S: Esse comentário não é válido para pessoas que estão envolvidas em relacionamentos complicados, mal resolvidos, que envolvem sentimentos não explicados, e que se arrastam por tempo indeterminado. Para isso, sou adepta do mantra "Não mexa com quem está quieto!"

[ ] [ envie esta mensagem ]



Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

Conte-nos a sua história:
itsallaboutgirls@gmail.com

Histórico




Procure neste blog: