Gisele Ribeiro, às 23h23
Desde que comecei este blog, meus amigos andam assustados. Temem virar tema de um dos meus comentários. Em meio a gargalhadas digo-lhes não ter culpa de suas histórias serem dignas de crônicas do cotidiano sentimental. Prometo-lhes ser menos sarcástica, mas fica difícil quando algumas de suas afirmações caem como uma luva no espírito deste site. Hoje, conversando com um deles ao telefone, escuto a seguinte frase:
"Gi, estou condenado a viver eternamente com uma mulher que não me dá tesão".
Não dá para ficar calada. Há mais de ano, "O Insatisfeito" vem com essa mesma lenga-lenga: "Não gosto mais dela", "Não consigo me separar", "Preciso me apaixonar por outra pessoa para ter coragem" e por aí vai. Há mais de um ano faço a mesma pergunta: "Por que então você continua com ela se está infeliz?". A resposta, todas a vezes, é: "Não sei viver sozinho". Bom, são poucas as pessoas que admitem ter feito um pacto com a infelicidade só para ter uma companhia.
O Insatisfeito, do seu jeito, vem tentando salvar o casamento-namoro capenga há tempos. Mudou-se de casa (para começar tudo de novo), pensou em fazer terapia de casal (desistou antes mesmo de começar) e cogitou uma troca de casais ("Quem sabe assim ela se anima, eu me animo e a coisa engrena"). Eu não creio que o meu amigo vá encontrar respostas às suas dúvidas de convivência indo por esse caminho, ainda mais quando a outra parte envolvida no problema nem imagina o que está acontecendo. Muito menos que está sendo, digamos, leiloada.
Sou partidária de uma boa conversa. É sempre a melhor solução para tudo, seja para descobrir que ainda vale a pena tentar, seja para colocar um ponto final em algo que não vai para frente. Mas se a relação chega a um ponto em que até conversar abertamente é difícil -caso do Insatisfeito-, então é melhor que cada siga o seu caminho, antes que, em nome do comodismo, não sobre nada, nem mesmo o respeito.
