It is all about girls... or men

27.08.05

Ninguém é de ninguém

Gisele Ribeiro, às 19h08

O bom e velho dicionário Houaiss é claro. Possuir: ter a posse de; ter como propriedade; ser proprietário de. Ainda que Houaiss também diga que duas pessoas podem possuir umas às outras (e aqui falo de "relações carnais"), Renata tem razão quando afirma que possuir o outro não é amor, é egoísmo.

Um relacionamento deve basear-se no respeito mútuo: à individualidade, ao sentimento, às opiniões do outro. Duas pessoas não nascem no momento em que se conhecem. E elas são interessantes justamente porque antes de se encontrarem, riram, choraram, compartilharam e amaram outras pessoas. Ou seja, viveram.

Então, por que achar que o outro tem de viver somente para a relação? Ninguém é dono de ninguém. A menos que se pense que ainda vivemos nos tempos da escravidão, quando as pessoas eram valorizados pelo estado de seus dentes, e não pelas características que as tornam tão interessantes aos olhos das outras.

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Eu me amo

Renata Rondino, às 14h47

Essa história de considerar qualquer movimento do parceiro como "algo errado na relação" não está ligada apenas à insegurança. Acho que tem a ver com ego. Excesso de ego!

Por que jogar bola ou tomar uma cerveja com os amigos seria considerado galinhagem, falta de consideração, ou "ele prefere os amigos a ficar comigo"? Poucas coisas são capazes de fazer meu sangue ferver mais do que a postura egoísta de achar que o parceiro não pode se divertir sem o outro. Quem foi que disse que, em um relacionamento, uma pessoa tem que ser a única fonte de plena satisfação da outra?

E não são apenas as mulheres que pensam assim. Já vi homens agirem igual ou pior. Mas a pergunta que fica martelando na minha cabeça é: quem se acha tão perfeito, completo e maravilhoso a ponto de simbolizar tudo o que o parceiro precisa? A ponto de ficar bravo porque o outro ousou ficar feliz sem ele, se divertir sem ele, ter uma vida independente sem ele?

Ou seja, meu ego é tão inflado que eu acho que o outro tem que viver pra mim. Eu não gosto do outro como ele é, e sim da minha projeção de parceiro perfeito. E se ele sai da linha, eu brigo, eu discuto a relação, eu tenho ciúmes.

Desde quando amor virou vida de gêmeos siameses? Desde quando não corresponder às expectativas virou motivo para discutir a relação? E desde quando passamos a achar que amar é ser dono de outra pessoa? Possuir sentimentos, pensamentos e ações do outro?

Possuir o outro não é amor. É ego!

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25.08.05

Vocação para a santidade

Gisele Ribeiro, às 12h48

Alguns homens deveriam ser canonizados. Não por operarem milagres, mas pela paciência de agüentar certos tipos de mulher. Um amigo meu me contou que conseguiu manter um namoro por 1 ano e 4 meses com uma garota ciumenta e totalmente paranóica.

"Ela tinha paranóia de gravidez, Gi. Passou a comer que nem louca, engordou uns 10 quilos e achava que estava grávida. Em 6 meses, fez 3 testes. Detalhe: eu, camisinha, ela, pílula". Não bastasse isso, diz o coitado, "queria discutir a relação o tempo todo".

Escuto histórias como essa e fico arrepiada. Não existe coisa mais chata do que mulher ciumenta. Junte uma dose de paranóia e outra de DR e, pronto! Tem-se um coquetel molotov de primeiríssima linha. Querem exemplos? Se o gajo vai jogar futebol ou beber uma cerveja com amigos, é porque ou ele está galinhando ou algo está errado na relação. Jamais porque é saudável -e necessário- manter a individualidade durante o namoro/casamento.

Se ele atende o telefone mal-humorado, não importa se a fonte do mau-humor do rapaz é a bronca homérica que acabou de levar do chefe. Ou ele não está mais afim ou algo está errado na relação. Se no jantar com amigos, o moço se mostra desinteressado quando o assunto gira em torno de cabeleireiros e manicures, então ou ele está afim de outra ou algo está errado e é preciso discutir a relação. Ali mesmo, na frente de todo mundo, para criar aquele clima constrangedor. Haja saco!

Pessoalmente, acho que essas mulheres deveriam se tratar. Procurar um terapeuta ou uma atividade que as ajude a melhorar a auto-estima. Será que não percebem que esses ataques de insegurança só servem para enlouquecer os parceiros e levá-los a fazer exatamente tudo aquilo que elas tanto temem? Afinal, chega uma hora que até a paciência do santo acaba.

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24.08.05

Vampiros

Renata Rondino, às 12h06

Homens de meia idade reclamam que suas mulheres já não têm o frescor de outrora. Nada mais está tão durinho e no lugar como nas amiguinhas dos filhos. Rugas, quilos a mais, brilho de menos. Então, alguns fazem como Roberto Justus, e não aceitam muito o que a natureza fez com suas companheiras. Ficam com olhos babões em cima das garotinhas. Se forem separados, então, viram tigrões.

É fácil reclamar das companheiras, não é? A bunda delas caiu, os peitos também. E eles? Estão com tudo em cima, por acaso? Continuam com os cabelos no lugar, a barriga durinha, sem rugas e com o mesmo vigor sexual? A resposta para 99% dos casos é NÃO. Roberto Justus ainda se vale de um certo charme, fama e de uma conta bancária abarrotada. Mas ele é a exceção da exceção. Caras de meia idade estão tão caídos quanto suas esposas, das quais eles reclamam. E só não estão piores porque elas ainda tentam mantê-los na linha.

Conheço uma figura - que manterei no anonimato, por questão de respeito - que separou-se da mulher após 20 anos de casamento e filhos crescidos. Ele era marido e pai exemplar. Tranquilo, inteligente, apreciador de bons pratos, boa bebida, boa música, bons filmes. Agora, virou um ridículo sem noção. O pé na bunda o transformou num tigrão pegajoso, daqueles que precisam provar para a humanidade diariamente que ele é um pegador irrefreável.

Só sai com pessoas na faixa dos 20 anos, embora ele já tenha passado dos 50. Recusa-se a namorar porque quer desfrutar de todas as mulheres do mundo, de preferência as que ainda estão na faculdade, e contar para todo mundo no dia seguinte. Fica em baladas de moleque tentando pegar as menininhas. Despreza em alto e bom tom mulheres mais velhas - uma de 40, por exemplo. E ainda faz piada escrota: "Não gosto de pelanca, prefiro um baby beef". Isso fica ridículo para alguém careca, barrigudo, e que precisa colocar óculos na ponta do nariz para ler o cardápio.

É tão pobre ficar assistindo a esses vampiros de juventude em ação...

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23.08.05

Fonte da juventude

Gisele Ribeiro, às 23h31

A frase do dia da Renata me fez lembrar uma conversa que eu ouvi na sala de embarque de um aeroporto americano, meses atrás. Enquanto aguardava a chamada do vôo, um grupo de executivos de meia idade conversava animadamente. Até aí, nada de mais. Mas chamou-me a atenção o quão animado o papo se tornou quando o tema da discussão passou a ser as "amiguinhas" dos filhos, com idades entre 18 e 22 anos.

"Audrey is just juicy", disse um deles, fazendo aquela cara que indica que a imaginação pode ser um poderoso raio-x. "If my wife had those boobs and that ass..." Ao ouvirem isso, os outros do grupo começaram a desfiar seu rosário de lamentações sobre suas mulheres de meia-idade, que nem de longe pareciam lembrar as amigas suculentas de seus filhos.

Tive que me conter para não meter o bedelho na conversa alheia. Afinal, aquelas esposas dedicaram metade de suas vidas à casa, aos maridos e aos filhos e filhas. Essas mesmas filhas que agora despertam o desejo nos maridos de suas amigas.

Por que os homens viram "tiozinhos" quando entram na meia-idade? Foi da boca do mais velho, que devia ter seus quase 60 anos, que saiu a declaração reveladora, que caiu como uma luva como resposta à minha pergunta silenciosa.

"If I had one of those kids, I could live forever".

Será mesmo que, ao adotar um comportamento quase adolescente, usar um guarda-roupa modernete, trocar a Ella Fitzgerald pelo DJ Marlboro e passar horas malhando alucinadamente para perder a barriga que os anos formou, os homens acham que vão fazer o tempo voltar?

Agradeci quando o embarque começou e o alvo da conversa mudou para a reunião da manhã seguinte. Mas fui para o meu assento pensando no quanto o ser humano, não importa a nacionalidade, é patético quando acredita que pode ganhar uns anos extras sorvendo a juventude alheia.

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Frase (escrota) do dia

Renata Rondino, às 11h59

"Se eu tivesse uma mulher da minha idade, talvez eu não aceitasse o que o tempo faria com ela."

(Roberto Justus)

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21.08.05

Complemento da frase do dia

Gisele Ribeiro, às 21h44

Pior do que a declaração de Daniel Filho é ouvir que "mulheres inteligentes falam demais, discutem demais, questionam demais", o que só serve para reforçar a tese de que homem gosta mesmo é de mulher idiota, ou mulher-enfeite.

Conheci há pouco o tipo "Homem-vitrine": 30 e poucos anos, inteligente e bem-sucedido. Ele assume que seu negócio é "mulher para exibir aos amigos". Para ele, quanto menos a parceira da vez questionar, melhor. Mas o mais engraçado (ou seria triste?), é que seus relacionamentos duram poucas semanas, muitas vezes, dias.

Pergunto o que acontece e, contraditório, ele justifica o fim dos namoros: "Chega uma hora que não tem o que falar, é só sexo, e aí desanda". Ele diz querer alguém que o complete, que saiba conversar.

E depois dizem que são as mulheres que não sabem o que querem. Vai entender.

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Frase do dia

Renata Rondino, às 11h34

"Mulheres inteligentes são chatas para serem esposas"

(Daniel Filho)

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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