Renata Rondino, às 12h06
Homens de meia idade reclamam que suas mulheres já não têm o frescor de outrora. Nada mais está tão durinho e no lugar como nas amiguinhas dos filhos. Rugas, quilos a mais, brilho de menos. Então, alguns fazem como Roberto Justus, e não aceitam muito o que a natureza fez com suas companheiras. Ficam com olhos babões em cima das garotinhas. Se forem separados, então, viram tigrões.
É fácil reclamar das companheiras, não é? A bunda delas caiu, os peitos também. E eles? Estão com tudo em cima, por acaso? Continuam com os cabelos no lugar, a barriga durinha, sem rugas e com o mesmo vigor sexual? A resposta para 99% dos casos é NÃO. Roberto Justus ainda se vale de um certo charme, fama e de uma conta bancária abarrotada. Mas ele é a exceção da exceção. Caras de meia idade estão tão caídos quanto suas esposas, das quais eles reclamam. E só não estão piores porque elas ainda tentam mantê-los na linha.
Conheço uma figura - que manterei no anonimato, por questão de respeito - que separou-se da mulher após 20 anos de casamento e filhos crescidos. Ele era marido e pai exemplar. Tranquilo, inteligente, apreciador de bons pratos, boa bebida, boa música, bons filmes. Agora, virou um ridículo sem noção. O pé na bunda o transformou num tigrão pegajoso, daqueles que precisam provar para a humanidade diariamente que ele é um pegador irrefreável.
Só sai com pessoas na faixa dos 20 anos, embora ele já tenha passado dos 50. Recusa-se a namorar porque quer desfrutar de todas as mulheres do mundo, de preferência as que ainda estão na faculdade, e contar para todo mundo no dia seguinte. Fica em baladas de moleque tentando pegar as menininhas. Despreza em alto e bom tom mulheres mais velhas - uma de 40, por exemplo. E ainda faz piada escrota: "Não gosto de pelanca, prefiro um baby beef". Isso fica ridículo para alguém careca, barrigudo, e que precisa colocar óculos na ponta do nariz para ler o cardápio.
É tão pobre ficar assistindo a esses vampiros de juventude em ação...