Renata Rondino, às 15h23
Voltava pra casa esta noite de um passeio gastronômico com um amigo meu - sim, é meu amigo, parem de pensar malícias! -, que comentava sobre como as pessoas andam esquecidas da prática de pequenos gestos de gentileza. Ele é do tipo que abre a porta do carro, que puxa a cadeira no restaurante. Se bobear, coloca o casaco em cima de uma poça de lama para que a mulher possa passar sem sujar os pés. Bom, essa última eu não sei, preciso perguntar pra ele...
Contei pra ele que costumava ser do tipo que dispensava gentilezas. Era capaz de qualquer coisa para agradar, mas recusava-me a pedir para meu namorado buscar um copo de água pra mim. Não queria dar trabalho, sabe como é. Eu mesma podia ir buscar. Ele fez uma careta:
- Mas que coisa chata!
Lembrei do meu ex-namorado, o Fernando, que um dia me deu uma bronca no meio da rua. Cansado de tentar abrir a porta do carro pra mim - eu sempre andava na frente e acabava abrindo, sem deixá-lo sequer se manifestar -, ele ficou realmente bravo.
- Renata, dá pra você deixar de ser homem? Dá pra parar de provar sua independência o tempo todo? Dá pra ser mulherzinha uma vez na vida e me deixar ser seu namorado um pouco?
Meu amigo ouviu essa história e aumentou ainda mais a careta.
- Rê, desse jeito você terá do seu lado um cara que se sente inútil!
Bingo! Bate com aquele comentário de outro amigo sobre não gostar de mulheres independentes. Homens gostam de se sentir importantes, úteis. Esta é a maneira masculina de demonstrar amor. E isso não é machismo ou nada cultural, isso é do ser humano do tempo das cavernas, cuja função sempre foi prover e proteger. E isso não vai mudar nos próximos séculos.
É como aquela propaganda da revista Claudia, onde a mulher abre o pote de palmito, mas fecha de novo e leva para o marido, fazendo voz manhosa: "Amor, abre pra mim?". O cara abre o vidro, se sente útil e feliz.
E, pra fechar, tem um comentário da minha terapeuta:
- Você tem uma necessidade de mostrar para o mundo que não precisa de ninguém. Mas saiba disso: todo mundo, sem exceção, precisa!
