It is all about girls... or men

13.09.05

Por que você não está namorando?

Renata Rondino, às 20h36

Já perdi a conta do número de vezes que eu ouvi essa pergunta. Não só de tias, avós e de xavequeiros baratos ("ah, mas uma menina bonita, inteligente, só está sozinha porque quer"), mas também de amigos e pessoas cuja juventude me faz estranhar o conteúdo da pergunta. Pergunta, aliás, que sempre vem acompanhada daquelas sombrancelhas arqueadas, e daquele ar de incredulidade.


O tom de voz que carrega a indagação já tem uma espécie de teoria embutida: se não está namorando, deve ser uma chata que ninguém agüenta. "Alguma coisa deve ter de errado com ela", devem pensar. E o mais engraçado é que eu não vejo essa pergunta ser dirigida aos homens, a não ser naquelas festas de família realizadas uma vez por ano. As mulheres são as maiores vítimas do torpedo, já que correm o risco de "encalhar". Diante da negativa - você não está namorando, grande coisa! - vem um comentário mais do que irritante:


- Uma hora aparece. Quando você parar de procurar, aparece!


Parece um consolo, uma mensagem de esperança. "Não perca a fé. Isso vai passar!"


Por que algumas pessoas acham que os solteiros estão sempre à procura? Por que não conseguem imaginar que nós podemos, sim, viver felizes em nossas condições descompromissadas? Não, meus caros, nós não estamos desesperados em busca da condição de "commited". Para muitos de nós, ser solteiro não é doença, não nos dá urticária e não saímos por aí batendo nas portas das farmácias. A não ser que o farmacêutico seja um gato...


É bom paquerar no trânsito sem culpa, é bom ficar uns dias em casa de cabelos desgrenhados e roupas confortáveis e nada sexy. De vez quando é legal, em vez de namorar, ter um ou dois casinhos fixos, e vários itinerantes. E de vez em quando é ótimo ser dona da situação, fazer as loucuras que quiser, sem dar satisfação pra ninguém. Chegar numa balada, olhar um cara lindo e decidir que será aquele o seu alvo, partir pra cima sem medo do que ele vai pensar. Olha, eu ainda não fiz isso, mas eu chego lá, eu chego lá...


Quando você está solteira e feliz como tal, você passa uma tarde inteira no cabeleireiro ou no shopping, em vez de ir ao aniversário de 2 anos do filho de um casal de amigos dele. Você se permite muito mais. Toma porres, dá vexame e ri no dia seguinte. Sai da balada e inventa de ver o amanhecer na praia. Pede uma pizza delivery só pra você. Gasta seu dinheiro em deliciosas futilidades que só o ego feminino entende. Faz amigos em tudo quanto é lugar. Ele é muito mais novo que você? E daí? Que tal um dia na vida ir a uma micareta, só pra ver como é e falar mal depois?


E aí um dia aparece alguém que vale a pena, você assume outro papel e fica feliz assim. De um jeito ou de outro.


Sim, é muito gostoso ter alguém. Mas é muito gostoso quando a sua melhor companhia é justamente você mesma.

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11.09.05

O homem perfeito

Gisele Ribeiro, às 21h13

Mulher devia vir com manual de instruções. Desses bem minuciosos, didáticos e com índice remissivo. Explico. Depois de um final de semana tranquilo na praia, chego em casa e encontro a secretária eletrônica piscando sete mensagens.

Começo a escutar e, acreditem, todas eram da mesma pessoa: "Gi, me liga, preciso falar com você", "Gi, estou num puta dilema, me liga", "Gi, não consigo dormir", "Gi, cadê você que eu não te acho nem no celular? Me liga", "Gi, acho que vou acabar tudo com o Paulo", "Gi, terminei com o Paulo", "Giiii...".

Fiquei pensando numa boa razão para a Ana ter dado o fora no Paulo. Não encontrei. Além de bonito, bem-educado, gentil e inteligente, ele é daqueles que não esquecem uma data sequer. Shopping? Paulo adora. Para fazer compras ou só para fazer companhia. Flores? É capaz de mandar só para dizer que está com saudades. Entre a final de campeonato com seu time e uma comédia romântica de quinta, ele fica com a segunda, só para estar com a namorada.

Enfim, o Paulo é o tipo de homem que qualquer mulher adoraria ter como namorado, noivo, marido. Nunca como um casinho, porque ele não acredita em casos.

No começo do namoro, um ano e meio atrás, Ana não se cansava de dizer que, enfim, havia encontrado sua alma gêmea: o gay heterossexual com que tanto sonhava. Ligo para a Ana, explico que estava isolada na praia, sem celular, e depois digo: "Vamos, desembucha".

Ana me diz que havia mesmo terminado, que não ia encontrar nenhum outro cara como o Paulo, que ele era único, que ele levava chocolate quando ela tava de TPM, que ele reparava quando ela só aparava as pontas dos cabelos, que ele sempre abria a porta do carro para ela, e que ele era um ótimo amante. "Depois que a gente transava por horas, ele não caía no sono em seguida, Gi. Ficava conversando comigo até que eu pegasse no sono antes".

Por mais alguns minutos, Ana apontou cada uma das qualidades do Paulo. Até que eu não aguentei mais e perguntei. "Se ele é tudo isso, então por que diabos você terminou?" Sem demonstrar um pingo de arrependimento na voz, Ana sentenciou: "Porque ele é perfeito, Gi. Quem agüenta um homem perfeito?".

Não me admira que os homens não consigam entender as mulheres. Eu mesma, muitas vezes, não as entendo.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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