It is all about girls... or men

22.10.05

A fila anda

Gisele Ribeiro, às 23h36

Recebi em meu e-mail (gente, o hotmail eu só uso para o messenger!!!) a seguinte mensagem de uma fã carioca do "It's all about girls". Bom saber que estamos agradando, mas melhor ainda saber que nossos conselhos têm sido úteis. Beatriz, muito bem. Estamos orgulhosas de você.

Vejam só:


"Queridas blogueiras,

Quando eu crescer, quero ser como vocês. Parabéns, vocês são ótimas. Além do blog ser divertido, ele é muito útil, pois traz muitas dicas para quem quer se relacionar com outra pessoa. O motivo de escrever este e-mail não é para puxar o saco, mas para agradecer por todos os toques sutis e as porradas que vocês dão, elas serviram para me tirar de uma situação que não ia dar em nada.

Há um ano e meio me envolvi com um carinha. Eu não estava afim de nada sério e ele também não. Estávamos saindo de relacionamentos traumáticos e não queríamos nos envolver com ninguém. Nós saíamos, curtíamos, e cada um ia para o seu canto, sem cobranças, sem esperar nada, sem julgar os encontros que tínhamos com outras pessoas. Nenhum de nós cruzava aquela linha invisível que separava nossos limites.

Acontece que alguns meses depois, eu me vi gostando demais desse carinha. Gostar é pouco. Eu estava loucamente apaixonada por ele. Passou a me incomodar o fato de ele sair com outras, de ele nunca me incluir em qualquer programa normal, de nos encontrarmos somente para transar. Tentei abrir o jogo, mas não tive coragem. Não queria perder o pouco que ele me oferecia e, depois, quando ele estava comigo, era carinhoso, atencioso e parecia realmente gostar de mim.

Cada vez que eu pensava em dizer que gostava dele, eu gelava. E se ele sumisse? Ou dissesse que só queria mesmo trepadas sem conseqüência? Ou se pensasse "Mais uma neurótica na minha vida, não, obrigado"? Será que eu estava preparada para mais essa decepção?

Fui me enrolando nessa situação durante mais oito meses. Nos últimos dois, vínhamos saindo com uma freqüência maior (uma, duas, três vezes por semana), e eu cheguei a pensar que a coisa finalmente ia evoluir. Quando finalmente decidi revelar a minha paixão, os encontros ficaram espaçados. Eu tentei criar oportunidades extra-cama para dizer o que sentia. Chamei-o várias vezes para encontros normais, mas ele sempre tinha uma desculpa.

Foi quando eu lembrei de um post seu e a ficha caiu. O cara não queria nada comigo. Li todos os posts deste blog novamente e me indentifiquei com várias das situações mostradas: a da covarde que não larga o osso e se contenta com pouco, a da carnívora que insiste em ser vegetariana, a da modelo que se sente mulher só para comer. Identiquei o garoto também em vários dos maus exemplos: o do homem-planta que não interage, o do grosseirão que não sabe como tratar uma mulher, a do homem que usa e abusa da "receita pra aguarrá muié", a do covarde que não tem coragem pra assumir sentimentos...

Por isso, na última quarta-feira, resolvi sumir, sem dizer nada. Pode ter sido infantil da minha parte, mas se ele não me dava a chance de me abrir e dizer o que eu sinto, então não merecia ter uma explicação para o meu sumiço. Se um dia ele se interessar em saber, eu vou pensar se tenho interesse em dizer.

Eu ainda estou em choque, é claro. Mas sei que a vida tem que continuar. Afinal, a fila sempre anda. A gente só tem que dar oportunidade, né?

Beijos e muito, mas muito obrigado

Beatriz

PS: Por favor, não parem nunca de atualizar esse blog!!!!!! "

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19.10.05

"Não" significa apenas "não"

Renata Rondino, às 15h54

O e-mail da Lilith (veja post abaixo) me fez refletir sobre duas coisas: a imbecilidade de alguns homens e a atitude de certas mulheres.

Todo mundo aqui concorda que se Lilith tivesse pegado um pouquinho mais pesado com o carioca folgado, as coisas teriam sido diferentes? Não estou falando de descarregar na cabeça dele a munição de uma Uzi israelense, como ela mesmo exemplificou. Estou falando de mostrar claramente o significado da palavra “não”.

Uma senhora que conheço há pouco tempo diz que homens não têm cerebelo, e sim uma hemorróida. Esse problema atinge, de fato, uma categoria determinada de machos, que não poderiam sequer ser classificados como homus erectus. São perfeitos gorilas. Quem acha que mulher sozinha quer caçar, tenha ela namorado ou seja solteira, não merece ser considerado como detentor de 46 cromossomos.

Um amigo meu já me criticou pelas minhas atitudes levemente grosseiras em baladas. Para ele, agindo assim eu vou morrer solteira. Talvez. Mas se eu estivesse no lugar de Lilith, o tal “merrrmão” não estaria praticamente subindo em cima da mesa para me agarrar, muito menos tentaria me beijar à força. Ou, se tentasse, terminaria a noite na delegacia, com certeza.

É simples e não necessita do uso de força bruta. Se o cara começa a dar em cima, educadamente responda: “Me desculpe, mas não estou a fim de continuar a conversa nestes termos”. Não precisa sequer dar explicações, mas se quiser, pode dizer que tem namorado e que não saiu de casa para beijar ninguém na boca. Se ele insistir, mande-o se retirar, e sinta-se à vontade para ser mal educada, grossa, pedreira, o que você quiser. Não tem segredo. A não ser que ele te dê um mata-leão e te jogue no chão. Mas aí já virou estupro, são outros quinhentos.

Para alguns homens, quando mulher diz “não”, ele entende como “insista”. E, se estiverem em um determinado grau alcoólico, funciona como “me agarre à força”. Nesse caso, agir como mocinha educada não vai funcionar, e só vai piorar essa impressão errada que ele tem a seu respeito, ainda mais porque em homens assim os neurônios não se comunicam, e sim brigam entre si para ver quem tem bíceps maior.

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Mulher sozinha em bar é pra caçar?

Renata Rondino, às 15h15

Recebi hoje este e-mail da minha amiga Lilith. Achei que valia um post.

Meninas,

Estou numa bad after trip. Ontem saí para beber com uma amiga e acabamos seguindo, forçosamente, "La Ruta del bakalao", como é conhecido em Barcelona o hábito de ir bebendo de bar em bar, sem se fixar em nenhum por muito tempo.

Nossa primeira parada foi num novo boteco de e para jornalistas. Minha intenção não era me enroscar em ninguém, mas colocar o papo em dia com essa amiga. O segundo pit stop foi no Posto 6. O terceiro, no Filial. Duas da manhã.

Estávamos lá há algum tempo, rindo e conversando, e um carioca conterrâneo da minha amiga se aproximou. Ele era aparentemente um agracinha, simpático, e acabou sentando com a gente. O papo foi amigável e tranquilo, até que o espírito de garanhão de quermesse resolveu incorporar no "merrrrrrmão", e o cara achou que tinha nas mãos sua grande chance de não terminar a noite sozinho. Daí em diante foi aquela sessão patética de frases feitas e olhares manjados.

O cara ficou praticamente escalando a mesa para tentar me beijar e marcar pontos com os amigos. Eu, calmamente, tentando explicar pro infeliz que namoro, que estou super feliz e não queria nada com ele. Mas a anta não se conformava e continuava jogando seu charme de galã de novela do SBT. Aí aconteceu o pior. A frase veio com o efeito de um furacão com nome de mulher e com sotaque de garoto de Ipanema: "Se você namora, o que está fazendo aqui sozinha?"

Gente, olha a frase! É o cúmulo do machismo e da imbecilidade de um ser humano. Vou ter que dizer "NÃO" no referendo de domingo para poder arrebentar com uma Uzzi israelense tipos como esse, seguindo a linha de pensamento da Rê? Então mulher com amiga em bar é para caçar? Não existe alegria e diversão se o programa não incluir beijo na boca com desconhecidos?

A criatura estava praticamente me beijando à força. Ficava tão perto de mim que, para me afastar, caí da cadeira. No meio do bar. Que mico! A sorte é que já não tinha quase ninguém e que, quem estava lá, àquela hora, não pôde notar nada porque provavelmente já estava em semi-coma alcoólica, como eu. Cheguei em casa às 5h da manhã, possessa.

Os homens - salvo 5 ou 6 no mundo, embora eu só conheça 1 - são uns completos imbecis. E eu estou farta desses incautos, como diria outra amiga. Decidi que não quero mais nenhum, nunca mais, além do meu namorado: que é lindo, gostoso, gostoso, inteligente e louco (literalmente, inclusive) por mim. É isso aí: me aposentei. Nem Rick Martin mexendo os quadris tem chance comigo mais. No more.

Beijos

Lilith

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Regras de etiqueta das relações passageiras

Renata Rondino, às 13h59

Tenho um amigo que é tudo de especial. Eu só não o recomendo para as minhas amigas porque eu vi primeiro. Ele é doce, carinhoso, gentil. E, por causa disso, costuma ter alguns problemas com relações casuais. As mulheres sempre se apaixonam, mesmo que ele tenha deixado claro que era coisa de apenas uma noite. E aí ele tenta administrar a situação. Afinal de contas, ele não sabe simplesmente desaparecer sem dar sinal de vida.

Ele não entende o que acontece, o que leva as mulheres a ficarem tão derretidas. O que fazem os homens que as deixam tão vulneráveis a qualquer demonstração maior de afeto? Outro dia dei uma pista do que poderia ser a causa: “As mulheres não estão acostumadas a serem bem tratadas”.

O desenvolvimento da modalidade de relações casuais parece ter criado alguns monstrinhos. Falta de compromisso virou, para muitos, falta de educação e de gentilezas. Será que para esses caras a liberdade significa a ausência completa de gestos que valorizem a mulher que esteve na cama dele, ainda que tenha sido apenas por uma noite?

Parece ser a fórmula perfeita, não? Sexo a noite toda, e no dia seguinte a vida continua. Não precisa de declarações de amor, não precisa de rédeas, não precisa dar satisfação. Que ótimo, tudo fica tão mais leve...

No entanto, isso não deveria permitir a grosseria. A não ser que o casal tenha se conhecido numa balada, ido para a cama e no dia seguinte cada um seguiu o seu caminho e nunca mais se viu, nada justifica desaparecer, sem ao menos dar um telefonema para dizer que foi agradável. Não é preciso agir como se nada tivesse acontecido, muito menos se for algo continuado. É tão deselegante!

O descompromisso não elimina a gentileza, gestos de consideração. Aliás, a palavra chave é consideração. É mais do que suficiente! Além de ser educado, mostra que se trata de um homem de verdade, com H maiúsculo, e não de um troglodita possuído pelos hormônios.

E mais do que isso, vale um recado para as mulheres: vamos parar de dar corda para homens que não nos tratam bem. Como diz o meu amigo, toda mulher, mesmo totalmente temporária, é especial.

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17.10.05

Eles dizem, elas disfarçam

Gisele Ribeiro, às 00h13

Outro dia me perguntaram se as mulheres costumam se gabar de suas aventuras sexuais quando conversam na mesa de um bar ou numa rodinha de meninas. Meus amigos curiosos pareciam querer ouvir de mim a revelação de um segredo mantido a sete chaves, qualquer coisa que desculpasse a própria indiscrição.

Diante da minha resposta -de que nós não precisamos reafirmar a toda hora nosssa virilidade- não se conformaram. "Mas vocês não falam nem quando vão ao banheiro juntas? É, porque mulher nunca vai sozinha ao banheiro de um lugar público".

O banheiro... Quando uma garota convida outra para ir ao banheiro, ou é para perguntar se o cara da mesa ao lado é tão bonito quanto parece, ou é para pôr defeito em outras mulheres, ou é para falar dos relacionamentos. Nunca, jamais, em tempo algum, uma mulher comenta com outra a performance sexual do parceiro.

No máximo, dizem "Ele manda bem". As mais cafajestes vão um pouco mais longe -mas só um pouco- e soltam um "Dá pra comer de novo".

"Ahhh, Gi, não acredito. Vocês não falam nada?". Não, não falamos. Ao contrário dos homens, que narram aos amigos, colegas e conhecidos suas conquistas como uma partida de futebol, em que conta mais o número de gols do que a bola em jogo, nós mulheres preferimos ficar na moita.

O motivo? Não queremos despertar a curiosidade. Sabemos que se fizermos propaganda, a "amiga" também vai querer tirar uma casquinha. A menos, é claro, que ela seja quase como uma irmã, que sabe tudo da sua vida (exceto os detalhes sórdidos de como o gajo se sai na cama).

Por isso, garotos, desconfiem se escutarem uma menina falando pra outra ou para vocês que o cara fez isto ou aquilo, assim ou assado. Com certeza, é porque o cara beija muito mal e come muito mal, e ela quer apenas que a outra acabe entrando pelo cano se tentar alguma coisa com o dito cujo.

Ah, e sabe o gato da mesa ao lado que ela comentou no banheiro? Pista falsa para afastar a concorrência. Na verdade, o objeto do desejo é o amigo gostosão que está sentado ao lado dele.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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