It is all about girls... or men

28.10.05

A curiosidade, a privacidade e o inimigo virtual

Gisele Ribeiro, às 16h11

Quatro histórias que ouvi esta semana me deixaram bastante preocupada, pois além de envolverem tecnologias que viraram mania nacional -os telefones celulares e o Orkut-, mostram que quando se trata de vasculhar a vida alheia, a loucura humana não tem limites.

Dois amigos me contaram que tiveram seus celulares invadidos por doidas ciumentas, atrás de algum torpedo comprometedor. Um deles acordou com a namorada aos berros, cobrando-lhe satisfações por uma certa mensagem recebida na noite anterior. A outra, que nem namorada é mais, aproveitou um novo descuido (sim, não foi a primeira vez) do incauto para tentar descobrir com quem o gajo estava saindo.

Enquanto o primeiro pôs fim ao namoro assim que a outra terminou o discurso de psicótica ciumenta, o segundo pensa em comprar uma arma, porque diz que nem internação resolve mais.

Nos casos envolvendo o Orkut, as histórias são mais complicadas. O que era pra ser uma comunidade de relacionamentos transformou-se numa rede de vigilantes do comportamento alheio. A relação de scraps é um convite para controlar a vida de amigos, paqueras e namorados(as).

Hoje um amigo meu decidiu pôr fim ao namoro porque foi fuçar nos recadinhos da namorada e encontrou mensagens suspeitas. Acha normal esse controle, porque, afinal, se está publicado, é público. Nada de ceninha de ciúme, mas disse ter perdido a confiança na nega.

Um outro amigo também não perdoou o que chama de invasão de privacidade. Vai pôr fim ao romance porque a namorada acorda vigiando sua página do Orkut e pede satisfação de cada recado, cada amiga adicionada, cada comunidade que o cara entra. Vê maldade em tudo, tira conclusões de tudo, inventa fantasmas e alimenta as neuroses. "Chega, Gi, ninguém vive desse jeito".

Estou quase concordando com um amigo que diz que as mulheres são malucas e que deveriam ser prisioneiras domésticas, com direito a ver TV, usar telefone e acessar a internet só na presença de seus maridos/namorados. Mas acho que a loucura é generalizada. Quem, em sã consciência, leva o Orkut a sério? Será que os perfis refletem mesmo aquilo que as pessoas são verdadeiramente?

De uma coisa eu tenho certeza. Da minha vida, pelo celular ou pelo Orkut, ninguém sabe. Não sou louca de deixar meu telefone dando sopa por aí nem de escancarar minhas reais intenções numa página de internet. Eu, hein!

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27.10.05

Odeio homem sem noção

Gisele Ribeiro, às 12h17

"Gi, desisto dos homens. Eles são todos loucos". Li o desabafo assim que me conectei no messenger hoje. Minha amiga estava uma vara. Havia dormido mal porque o telefone celular não parou de apitar avisando a chegada de mensagens SMS. Uma atrás da outra. Do mesmo remetente. A mesma conversinha furada de um camarada que ela mal conhece, mas que acha que ela é a mãe ideal para os filhos dele.

Não bastasse isso, às cinco da manhã o aparelho toca. Desta vez ela atende. Era um antigo caso querendo saber se ela queria "dar uma saidinha". Por saidinha entenda-se: "Vamos agora pro motel mais próximo. Estou afim de te comer". Ela babou qualquer coisa e desligou. Voltou para o seu sono com o firme propósito de, ao acordar, criar um site-protesto: "Odeio homens sem noção".

O que faz alguns caras acharem que podem nos ter a qualquer preço e a qualquer hora? Ainda mais quando o envolvimento se resume a um encontro sem maiores pretensões ou a um namorico de uma semana?

Eu não tenho nada contra passar a noite trocando mensagens pelo celular. É até divertido quando se está acordado e quando há alguma afinidade e algum tipo de envolvimento emocional com a pessoa que está do outro lado da antena.

Também não me oponho a sair para, digamos, encontros gastronômicos na madrugada. Mas no caso de duas pessoas que nunca sequer deram um selinho ou cujo namoro não passou de amassos muito mal dados é um tanto demais.

Ao sujeito dos torpedos, tenho vontade de dizer: "Ô, camarada, se toca. Se essa é sua tática de conquista, que tal tentá-la quando ela não estiver dormindo?". Já com o cara do motel, eu seria mais grossa: "Quer alguém só pra transar? Procura uma prostituta!".

Ah, me poupem, viu!

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Morte à conversinha

Renata Rondino, às 12h16

Recebi por e-mail, hoje de manhã, uma dúvida de um amigo meu. Achei que a idéia poderia ser comentada no blog, pois esta modalidade de desculpa esfarrapada vem crescendo assustadoramente . E, o que é pior, mais pessoas vêm caindo no conto do vigário. Reproduzo abaixo a conversa:

Thiago: Deixa eu ver como colocar essa questão. Mulheres às vezes não têm vontade de ficar com ninguém, certo? Mas e se uma disser que gosta de um cara e mesmo assim não quer ficar com ele porque não consegue estar com ninguém no momento? Isso é uma coisa normal?

Renata: Bullshit. Conversa fiada

Thiago: Eu sabia!!! Brigadão!!
E as razões pra ela fazer isso, você desconfia?

Renata: Não quer chatear a pessoa em questão. Ou, num nível mais maldoso, quer guardar pra outra oportunidade.

Thiago: Faz sentido. Você é uma ótima consultora!!
Ontem ela chegou a me dizer que tava com bloqueio. Cê acha?

Renata: Eu só acreditaria se ela me dissesse que foi estuprada na semana passada. E ainda assim teria que me apresentar BO e exame do IML.

Thiago: Ela me falou que tava deprimida.

Renata: Desculpe se eu pareço muito dura e seca. Mas é que eu estou cansada desses papinhos das pessoas. Acho falta de honestidade. Já cansei de ser enrolada com essa conversinha de "ai, eu não sei o que eu quero, não posso me envolver agora, porque eu tenho bloqueio, porque isso e aquilo". Aí dá três semanas e esse cara que disse tudo isso pra mim está namorando superfirme uma panaca de marca maior, com alianças nos dedos e com casamento marcado.
Não cai nessa conversa!! … sacanagem.

Thiago: Eu sei. Tô cansado de ser o bonzinho q só se fode, que as mulheres sempre gostam de ter como backup, sabe? Falta honestidade. Por que os outros gostam de deixar tudo em aberto? Ela deve estar querendo que eu seja amigo gay, até o belo dia em que acordar sentindo-se sozinha ou arrumar alguém. Mas não ando com paciência

Renata: Você merece algo melhor do que ser um estepe de mulher mal resolvida.

Thiago: Apoiada!!
Mesmo correndo o risco de virar um pneu jogado criando dengue. Em último caso, dá pra pendurar numa árvore e fazer um balanço.

 

E o pobrezinho ainda estava se sentindo culpado, forçando a barra com a pobre coitadinha confusa. Ainda bem que consegui fazê-lo mudar de idéia.

Eu não sou nenhuma renomada estudiosa dos relacionamentos humanos, mas de uma coisa eu tenho certeza: quem quer, faz. Quem gosta, fica. Não existe a menor possibilidade de ocorrer um engano de se apaixonar por alguém, mas bloqueios emocionais impediriam de consumar a relação. As coisas podem até levar um tempo para acontecer, e a pessoa perceber com alguns trancos e barrancos que gosta da outra. Mas uma vez assumido, não tem conversa de "gosto de você, mas eu quero ficar sozinho(a)".

Isso pode ser traduzido como "eu só quero transar com você", "eu só sinto atração física por você", ou "eu gosto um pouquinho de você, mas não o suficiente para deixar de sair com outras pessoas", "eu não gosto de você, mas não quero que você fique chateado(a)", ou "não gosto de você, mas quero te levar em banho maria, quem sabe eu posso precisar de alguém pra transar numa tarde chuvosa".

Amigos e amigas... se vocês ouvirem essa conversinha, saiba que chegou a hora de descer nesta estação e esperar outro trem.

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24.10.05

Ahhhhhh, o despeito

Gisele Ribeiro, às 22h44

A foto do atual garoto-propaganda das cuecas Calvin Klein provocou uns poucos comentários despeitados de alguns machos que se sentiram ofendidos pelo físico do moço do post abaixo.

Marcos, o mais indignado, disse que nós não tivemos critérios, porque o rapaz está longe de ser belo. Lúcio, que precisamos nos redimir e colocar a foto de uma mulher. Rogério atentou para a carequinha aparente do modelo.

Mas os comentários da grande maioria dos homens que se manifestaram foram favoráveis. Só para citar alguns, Renato disse que o cara é bonito. Marcius, que a beleza do moço é invejável. Toni disse que um dia chega lá. Amaral, que mais bonito que o cara, só o Brad Pitt (concordo em gênero, número e grau).

Já as mulheres foram unânimes e chegaram a me perguntar em qual loja poderiam comprar o modelo, não o da cueca, mas o da foto.

Disso tudo só posso concluir: quando se trata de fazer elogios a beldades do mesmo sexo, as mulheres são mais honestas. Já alguns homens preferem colocar defeitos, só para não admitirem que a natureza e a genética foram muito menos generosas com eles.

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23.10.05

Eles são culpados

Gisele Ribeiro, às 23h06

Depois falam que a culpa é nossa. Essa foto aí do lado quase me fez bater o carro neste domingo de referendo. Está estampada num outdoor gigante, no cruzamento da avenida Rebouças com a rua Gabriel Monteiro da Silva.

Diante dessa imagem, quem consegue prestar atenção no carro da frente? Acho que vou processar a Calvin Klein por ajudar a denegrir a imagem das mulheres-motoristas.

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Ajude a humanizar um monstrinho

Gisele Ribeiro, às 10h43

Querida Bia,


Tem certeza de que quer ser como nós quando crescer? Mulheres bem-resolvidas, além de serem loucas desvairadas, costumam ficar sozinhas porque espantam os homens (você já deve ter lido isso aqui antes). Bom, mas como não forçamos ninguém a nada -nem a seguir nossos conselhos-, você é quem sabe. Só temos a agradecer a preferência.

Bia, quando você tomou a decisão de colocar um ponto final num relacionamento que estava te fazendo mal, fiquei orgulhosa. Mas não posso deixar de dizer que você poderia ter contribuído para o bem de outras mulheres se tivesse dito ao incauto tudo aquilo que estava entalado na sua garganta.

O fato é que para "enterrar" de vez o camarada, você precisa dizer para ele as coisas que ele fazia que a incomodavam, e as coisas que ele deixava de fazer que a incomodavam mais ainda. E como você nunca deixou claro o que queria dele, ele pode achar que estava fazendo o que você esperava.

Sei que não era bem isso que você queria ouvir, mas, acredite, se você fizer isso, vai tirar um peso dos ombros. Se achar que agora não é hora, que pode cair em tentação novamente, tudo bem. Mas quando você se sentir mais forte, não deixe de dizer ao infeliz o porquê de você ter saído fora. Quem sabe você não estará ajudando a humanizar um monstrinho?

Aliás, quero aproveitar para lançar a campanha: "Ajude a humanizar um monstrinho"! Você já deu o pontapé inicial. Espero que outras garotas em situação semelhante façam o mesmo.


Boa sorte!

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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