Gisele Ribeiro, às 16h11
Quatro histórias que ouvi esta semana me deixaram bastante preocupada, pois além de envolverem tecnologias que viraram mania nacional -os telefones celulares e o Orkut-, mostram que quando se trata de vasculhar a vida alheia, a loucura humana não tem limites.
Dois amigos me contaram que tiveram seus celulares invadidos por doidas ciumentas, atrás de algum torpedo comprometedor. Um deles acordou com a namorada aos berros, cobrando-lhe satisfações por uma certa mensagem recebida na noite anterior. A outra, que nem namorada é mais, aproveitou um novo descuido (sim, não foi a primeira vez) do incauto para tentar descobrir com quem o gajo estava saindo.
Enquanto o primeiro pôs fim ao namoro assim que a outra terminou o discurso de psicótica ciumenta, o segundo pensa em comprar uma arma, porque diz que nem internação resolve mais.
Nos casos envolvendo o Orkut, as histórias são mais complicadas. O que era pra ser uma comunidade de relacionamentos transformou-se numa rede de vigilantes do comportamento alheio. A relação de scraps é um convite para controlar a vida de amigos, paqueras e namorados(as).
Hoje um amigo meu decidiu pôr fim ao namoro porque foi fuçar nos recadinhos da namorada e encontrou mensagens suspeitas. Acha normal esse controle, porque, afinal, se está publicado, é público. Nada de ceninha de ciúme, mas disse ter perdido a confiança na nega.
Um outro amigo também não perdoou o que chama de invasão de privacidade. Vai pôr fim ao romance porque a namorada acorda vigiando sua página do Orkut e pede satisfação de cada recado, cada amiga adicionada, cada comunidade que o cara entra. Vê maldade em tudo, tira conclusões de tudo, inventa fantasmas e alimenta as neuroses. "Chega, Gi, ninguém vive desse jeito".
Estou quase concordando com um amigo que diz que as mulheres são malucas e que deveriam ser prisioneiras domésticas, com direito a ver TV, usar telefone e acessar a internet só na presença de seus maridos/namorados. Mas acho que a loucura é generalizada. Quem, em sã consciência, leva o Orkut a sério? Será que os perfis refletem mesmo aquilo que as pessoas são verdadeiramente?
De uma coisa eu tenho certeza. Da minha vida, pelo celular ou pelo Orkut, ninguém sabe. Não sou louca de deixar meu telefone dando sopa por aí nem de escancarar minhas reais intenções numa página de internet. Eu, hein!

