Gisele Ribeiro, às 12h32
Acabo de ler uma reportagem sobre a infidelidade masculina. Fico espantada como a declaração de alguns especialistas parece ser uma grande descoberta da ciência e como a mídia dá espaço para algumas babaquices sem nem questionar.
A novidade em questão é: os homens são mais infiéis que as mulheres (há). Detalhe, os infiéis (35% dos homens e 25% da mulheres) são latino-americanos (haha). Ora, numa sociedade em que a cultura do machismo é aceita com naturalidade -e, consequentemente, a puladelas de cerca-, a incidência da infidelidade masculina deveria ser mais do que esperada, não é mesmo?
O mais engraçado foi a declaração do tal especialista, o sexólogo mexicano Eusebio Rubio: "A resignação talvez seja uma das coisas que caracterizam os latinos, devido, eu acho, à pouca informação de homens e mulheres".
Desde quando o achismo deve ser levado em consideração em estudos do comportamento ou em qualquer outra investigaçao científica? E desde quando a resignição ou a falta de informação é justificativa para a infidelidade?
Tenha dó. Assim, até eu, que vivo falando bobagem, sou especialista.
