It is all about girls... or men

03.12.05

Serão os homens masoquistas?

Gisele Ribeiro, às 13h22

Tenho um amigo que é lindo de doer. Desses pelos quais as mulheres arrastam um bonde. Além de bonito, o cara é inteligente, interessante, culto e alegre. Mas ele tem um problema grave: só consegue manter relacionamentos duradouros com mulheres que fazem dele capacho.

A ex-namorada dele era um anjo. Os amigos, a família, os vizinhos, gatos, cachorros e papagaios a adoravam. Achavam que era a tampa da panela dele. Atenciosa, amantíssima, companheiríssima. Mas isso não era suficiente para ele e, como resultado, era infiel até o último fio de cabelo -embora jurasse que a amava. Foi flagrado numa dessas traições, três meses depois de iniciar o namoro.

A namorada compreensiva não perdoou. Deu-lhe um belo e merecido pé na bunda. O terceiro seguido, nas mesmas condições, mas com protagonistas diferentes. Desde então, ele não se acerta com ninguém. Ou, pelo menos, não se acertava. Há uns oito meses, ele conheceu uma garota. Bonitinha, mas geniosa. A menina o maltrata diante de todos, inclusive da sagrada família. E ele ali, dedicadíssimo, fidelíssimo. E tristíssimo. Nunca o vi tão cabisbaixo. A família nunca o viu tão sem vida. Os amigos nunca o viram tão inseguro e dependente.

"Fulano, vamos mergulhar?".
"Preciso perguntar para a Cicrana se ela deixa".
"Fulano, vamos velejar?".
"Acho que não vai dar. A Cicrana não gosta de velejar".
"Fulano, vamos participar daquela corrida de aventura que estávamos planejando há tempos?"
"Parei. Se eu for, a Cicrana me mata".

Tento entender o motivo dessa preferência, mas não consigo chegar a uma conclusão. Pedi, então, ajuda aos universitários, colegas que viveram situações semelhantes ou que convivem com homens que estão passando por isso.

Um deles me diz que homem é assim mesmo. Só se liga se vê risco de ser traído. Já o Fábio acha que a insegurança é a culpada. "Enquanto a garota o trata mal, ele se vê obrigado a conquistá-la, por isso continua nessa relação e não vai ter foco para outras coisas". Outro me diz que os homens gostam mesmo de ser desafiados, de ter cabresto.

Escuto as explicações e continuo sem entender. Como alguém pode gostar de ser maltratado? Ou preferir um romance castrador? Será que algumas mulheres erram ao ser boazinhas demais -e por isso são passadas para trás? Ou serão os homens todos uns masoquistas, viciados em maus-tratos?

Se alguém souber a resposta, por favor, me diga. Quem sabe ainda dá tempo de salvar alguma alma do purgatório.

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28.11.05

Mulher tem de pagar mais

Gisele Ribeiro, às 12h33

Donos de baladas deveriam cobrar mais caro das mulheres -ou, pelo menos, o mesmo valor do ingresso dos homens, para garantir um ambiente equilibrado de hormônios. No último sábado deu para ver bem o efeito desse privilégio feminino: dez garotas para cada homem numa festa que poderia muito bem ter sido batizada de "A balada da calcinha".

Renata, minha companheira deste blog, diria: "Dez, Gi? Acho que 20 pra 1 é o mais correto". Não importa a relação, o fato é que há mais mulheres que homens na noite paulistana, como bem mostrou o IBGE semana passada (4,7 milhões de mulheres a mais que homens em SP).

Qual a conseqüência disso? A lei da oferta e procura, mola-mestra do capitalismo, rege também as relações humanas. Quanto menor a oferta, maior o preço -e vice-versa. E o que se viu naquela festa mostrava bem isso: meninas fazendo qualquer coisa para fisgar um dos moçoilos presentes. Levava o gajo quem pagasse mais, ou melhor, quem mostrasse mais ou tivesse roupa de menos.

Desse modo, não me admira que os homens de hoje não necessitem se esforçar para conquistar uma garota. Ou que reclamem que está difícil arrumar uma menina para namorar. Elas estão fáceis. Hoje, um beijo vale muito pouco, quase nada. E é quase compartilhado, como o sexo grupal.

No meio da pista de dança, escuto a garota do lado dizer a um carinha: "Fico com você, mas só se você também ficar com a minha amiga". E saíram os dois. Dez minutos depois, voltam, e o camarada começa a se enroscar com a amiga.

Certamente, alguém vai dizer que as mulheres solteiras agem assim por estarem desesperadas. Ou solitárias. Pode até ser. Mas nada, nem a pouca demanda masculina, justifica a banalização dos relacionamentos.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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