It is all about girls... or men

09.12.05

Decididos ou chatos?

Renata Rondino, às 13h16

Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura. A máxima pode servir para uma série de coisas, mas é preciso aplicá-la com muito cuidado quando se trata de relacionamentos. Existe uma linha muito tênue entre lutar por aquilo que você deseja e não ter um pingo de noção.

 

O ex-namorado de uma amiga minha levou mais de um ano para conquistá-la. E foi em doses homeopáticas bem diminutas. Acabaram namorando por quatro anos. E eu bem me recordo que no início de tudo ela não queria nada com nada. Com o tempo e com uma brilhante e paciente atuação da parte dele, quando ela caiu em si, estava mais do que comprometida.

 

Esta é a forma correta de se atuar. Vamos acompanhar agora um caso de ausência completa de bom senso:

 

Uma outra amiga minha, a Giovana, está arrancando os cabelos. Um ex-ficante não entendeu que a coisa já esfriou, que ela não quer mais, e continua ligando insistentemente. Mesmo que ela tenha dito que não vai continuar porque seu coração ainda balança por outro. Ela sumiu. Não ligou mais. Muitos dias depois, ele telefona, utilizando-se do velho truque de usar outro número de telefone, para que o bina do celular dela não identificasse quem estava do outro lado da linha.

 

- Oi, Giovana, você sumiu, estou com saudades!

 

Raciocínio lógico: se a pessoa não te ligou mais, é porque não há interesse da parte dela em te ver de novo. A não ser que ela tenha morrido ou esteja em coma no hospital, não há outra justificativa. Se você liga e o ser humano do outro lado diz que tudo anda muito corrido, que está trabalhando muito, que o celular quebrou, que a mãe ficou doente, que caiu um míssil stinger no quintal da casa, isso tudo quer dizer: “Não estou mais a fim!” Não existe outra explicação, não se iludam.

 

E no caso da Giovana é ainda pior, porque ela disse com todas as letras ao incauto que gosta de outro. Mesmo que o rapaz queira uma chance, o que é preciso fazer para que ele entenda que, neste caso, a insistência apenas piora as coisas e o transforma, aos olhos dela, num grande chato?

 

- Quero te ver, Giovana.

- Tudo bem, pode ser, precisamos conversar.

- Conversar? Não. Outras coisas também!

 

Que parte do “Eu gosto de outro cara” esse moço não entendeu? E em que nível precisa chegar a indiferença do outro para que percebamos que somos carta fora do baralho, e que a sua água mole precisa procurar outra pedra dura?

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06.12.05

Chorar faz bem

Renata Rondino, às 14h17

- Mas o que tem a sua amiga?
- Ah, ela está triste. Terminou com o namorado.
- Ah, mas não pode. Tem que passar por cima dessas coisas.

O orgulho sempre foi um péssimo conselheiro. Por isso, quando é hora de chorar, eu me afasto das pessoas. Hoje, se um relacionamento termina e me deixa de coração partido, são poucos os que ficam sabendo na hora. Eu me escondo pra sofrer sozinha. Simplesmente porque acho que o sofrimento é uma coisa necessária. Só supera a dor quem a enfrenta. Quem foge dela, usando argumentos do tipo “Ele (a) não merece!”, ou se achando na obrigação de superar tudo e não sentir tristeza de maneira alguma, apenas joga tudo pra debaixo do tapete.

É por causa desse medo histérico de sofrer que as pessoas deixam de viver plenamente seus relacionamentos, ou sequer embarcam neles. Preferem viver na superficialidade a se entregar e correr o risco de se frustrar. É um direito delas. Mas saibam que nada disso sai de graça. As pessoas podem até fugir da dor, mas ela as encontra um dia. Porque sofrer faz parte da vida.

Quando um relacionamento termina, fica mesmo um vazio, uma tristeza. A gente chora, lamenta. E não tem coisa pior nessas horas do que alguém do lado te fazendo engolir o choro, te fazendo sair de casa a qualquer preço, a ir para festas, baladas, pra te animar, pra te impedir de sofrer. Aquele canalha não merece, não chore por causa desse cretino.

Esse orgulho todo só serve pra gente engolir os sentimentos, pular etapas e deixar tudo mal resolvido no coração.

Quando a gente chora, é por nossa dor. Apenas nossa. Não importa se o outro merece ou não. É a maneira que temos de lavar a nossa alma, de mandar aos poucos a tristeza embora. E de recomeçar quando a hora chegar. Mas é necessária a etapa do luto. Sem ela, ninguém fica inteiro para a próxima relação.

Por isso, em vez de dizer “Não chore”, “Não fique assim”, “Não sofra”, “Ele é um cretino que não merece tuas lágrimas”, talvez fosse melhor usar o argumento contrário. “Chore tudo o que puder. Descarregue tudo o que te dói. Um dia você vai acordar e perceber que passou”. É assim pra todo mundo.

E, depois que passa, fica bem melhor.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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