Renata Rondino, às 13h16
Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura. A máxima pode servir para uma série de coisas, mas é preciso aplicá-la com muito cuidado quando se trata de relacionamentos. Existe uma linha muito tênue entre lutar por aquilo que você deseja e não ter um pingo de noção.
O ex-namorado de uma amiga minha levou mais de um ano para conquistá-la. E foi em doses homeopáticas bem diminutas. Acabaram namorando por quatro anos. E eu bem me recordo que no início de tudo ela não queria nada com nada. Com o tempo e com uma brilhante e paciente atuação da parte dele, quando ela caiu em si, estava mais do que comprometida.
Esta é a forma correta de se atuar. Vamos acompanhar agora um caso de ausência completa de bom senso:
Uma outra amiga minha, a Giovana, está arrancando os cabelos. Um ex-ficante não entendeu que a coisa já esfriou, que ela não quer mais, e continua ligando insistentemente. Mesmo que ela tenha dito que não vai continuar porque seu coração ainda balança por outro. Ela sumiu. Não ligou mais. Muitos dias depois, ele telefona, utilizando-se do velho truque de usar outro número de telefone, para que o bina do celular dela não identificasse quem estava do outro lado da linha.
- Oi, Giovana, você sumiu, estou com saudades!
Raciocínio lógico: se a pessoa não te ligou mais, é porque não há interesse da parte dela em te ver de novo. A não ser que ela tenha morrido ou esteja em coma no hospital, não há outra justificativa. Se você liga e o ser humano do outro lado diz que tudo anda muito corrido, que está trabalhando muito, que o celular quebrou, que a mãe ficou doente, que caiu um míssil stinger no quintal da casa, isso tudo quer dizer: “Não estou mais a fim!” Não existe outra explicação, não se iludam.
E no caso da Giovana é ainda pior, porque ela disse com todas as letras ao incauto que gosta de outro. Mesmo que o rapaz queira uma chance, o que é preciso fazer para que ele entenda que, neste caso, a insistência apenas piora as coisas e o transforma, aos olhos dela, num grande chato?
- Quero te ver, Giovana.
- Tudo bem, pode ser, precisamos conversar.
- Conversar? Não. Outras coisas também!
Que parte do “Eu gosto de outro cara” esse moço não entendeu? E em que nível precisa chegar a indiferença do outro para que percebamos que somos carta fora do baralho, e que a sua água mole precisa procurar outra pedra dura?
