It is all about girls... or men

13.12.05

Padecer no paraíso o cacete...

Renata Rondino, às 16h19

Minha mãe acredita piamente que daqui a alguns anos o meu relógio biológico provocará uma verdadeira reviravolta no meu cérebro, no meu emocional e no meu espiritual, e que eu passarei a desejar ter filhos na mesma proporção da minha vontade atual de ganhar na Megasena.

 

Segundo ela, nenhuma mulher escapa desse desespero - em alguma fase da vida, os óvulos começam a ficar histéricos e a provocar surtos de "eu preciso ter um bebê, senão vou morrer frustrada, triste, não-realizada, minha vida não terá sentido algum, nada terá valido a pena..."

 

Não sei em que momento isso pode ocorrer na vida de alguém. É o momento em que você troca o uso dos métodos anti-concepcionais pela filosofia do "fecunde-me, pelo amor de Deus!". Deve ser uma coisa tosca! O pior é que minha mãe acredita que eu sairei desesperada em busca de um pai para meu filho, seja ele quem for. Estaria valendo até mesmo o vigia da rua, contanto que fosse fértil.

 

Para minha mãe, já passei da hora de planejar coisas como marido e filhinhos fofos que farão escândalo no supermercado por causa de um pacote de biscoitos. Claro, eu passei dos 30, e ela jamais imaginou ter uma filha nessa idade que já não tivesse pelo menos 2 filhos. Para ela, será uma vergonha dizer para as amigas que a filha encalhou de vez - sim, porque ela não acredita que exista a possibilidade de alguém me querer agora, pois já estou quase no fim de minha idade fértil.

 

Mas sei lá, é capaz de no ano que vem eu ter queimado minha língua absurdamente, ter casado com um tremendo panaca e estar tricotando o enxoval do meu filhinho que vai fazer malcriação no supermercado...

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Mulheres e futebol, futebol e mulheres

Gisele Ribeiro, às 16h06

O fim do ano chegou, o Curíntia conquistou o tetracampeonato, o Luxa voltou pra Vila Belmiro e os clubes tentam ajeitar suas equipes para 2006. Enquanto os campeonatos não recomeçam, os fanáticos não têm desculpas para arrumar briga na saída dos jogos e os machos continuam a achar que mulher e futebol não cabem na mesma frase, aqui vai um post roubado do blog da Renata sobre a presença feminina nos estádios que vale a pena reproduzir e que pode ser bem educativo para algumas moçoilas:


"Frequento estádio há muitos anos. Acompanhei de perto a evolução da presença feminina em um local até então dominado pela testosterona. Antigamente, era impossível passar perto sem ouvir todas as grosserias típicas de homens das cavernas, e agora elas andam tranquilamente, praticamente despercebidas entre os machos. E algumas já vão de shortinhos, decotes, e não estão nem aí.

Mas uma coisa é frequentar os jogos, a outra é entender do babado. Percebi que algumas mocinhas já querem participar do esporte e discutir tudo no mesmo nível dos homens. Porém, até então só tenho percebido equívocos. Mas é assim mesmo, o aprendizado requer um certo tempo.

Outro dia fui a um jogo da Ponte Preta no Moisés Lucarelli. Foi só o juiz apitar o início de jogo, que uma menina se levantou e soltou meia dúzia de verbos:

- Aê, juiz @#$#%#! Ladrão do C..@#$#$%! Vai tomar no ##$%$¨&¨%¨!

Não, meninas. Isso não é entender de futebol. Agir feito uma gorila só convence a platéia se o conteúdo for realmente muito bom. Não pode xingar o juiz por qualquer apito que ele der. É preciso saber que, para que o jogo comece e os jogadores corram atrás da bola, o homem de preto precisa assoprar aquele pequeno instrumento, autorizando o início de tudo.

E calma. Mulher que entende de futebol não é aquela que usa a garganta pra xingar todo mundo, e nem a que fica repetindo sem parar:

- Vai! Vai! Vai! Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai...

Todo time tem um jogador xingável e outros que são mais complicados. Por exemplo: você pode chamar o Jô de grosso. Aliás, pode xingá-lo de tudo quanto é nome. Mas se fizer o mesmo com o Tevez, corre grande risco de perder todos os dentes da sua boca. Não vale a pena sacrificar sua beleza por isso.

Você precisa saber quem são os onze jogadores do seu time, e quem são os onze do adversário. E quais as funções de cada um. Jamais diga que o Rogério Ceni é um grande atacante só porque ele bate faltas. E muito menos diga que torce pra determinado time porque o jogador Fulano é gatinho. Isso irá desmerecer todas as suas opiniões. A exceção fica por conta do Beckham, porque aquilo não é homem, é um deus materializado, é a perfeição genética aplicada, é... ai, parei, vamos voltar ao assunto!

Você precisa saber que, em alguns casos, você deve xingar o juiz por errar na marcação do lance. Em outras, a culpa é do jogador, que cometeu um erro idiota. Saiba quem será o motivo da sua raiva. Dizer que é tudo culpa do árbitro não é sinal de sabedoria.

Coisas que você precisa decorar:

Sãopaulinos são bambis, palmeirenses são porcos, corintianos são gambás, santistas são viúvas do Robinho, bugrinos são galinhas, flamenguistas são urubus.

Fora do Brasil, o time onde mais tem jogador brasileiro é o Real Madrid. Porém, o melhor time da Espanha é o Barcelona, do Ronaldinho Gaúcho.

O Galvão Bueno é um chato de galocha, e esta é uma verdade incontestável. É um dogma!

O Corinthians tem 4 títulos brasileiros, o Palmeiras também. O Flamengo diz que tem 5, mas isso é contestável. São Paulo tem três, Santos dois.

Outra coisa: aquelas menininhas que ficam enfeitando os programas esportivos de domingo à noite são apenas enfeites. Não as usem como exemplos de mulheres que entendem de futebol.

Compre a camisa do seu time em tamanho infantil. Pra ficar um estilo baby look em você. Fica feminino, ainda mais se tiver óculos escuros, brincos de argola e um leve gloss. Nada de gorrinhos com pompons na ponta, é ridículo. Você pode entender à vontade de futebol, mas seja MULHER. Estilosa, linda. Nada de copiar o estilo mano-torcedor-de-estádio. Deixe isso para eles, que nada entendem de ser vitaminada e poderosa.

Ou então esqueça tudo isso e resolva fazer sexo com seu namorado bem na hora que ele se sentar na frente da TV para ver a final do campeonato. É bem mais produtivo do que aprender tudo isso!"

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12.12.05

O maníaco da praia

Gisele Ribeiro, às 12h30

Acho que vou me benzer. Quem sabe assim eu me livro das assombrações que andam cruzando o meu caminho ultimamente. Sabadão. Manhã de sol. Uma praia linda na minha frente, um livro interessante esperando por mim na cadeira e alguns quilômetros de praia me chamando para caminhar. Era tudo o que eu precisava: sossego para colocar a cabeça em ordem e esquecer um pouco os problemas cotidianos.

Eis que estou caminhando e percebo alguém me seguindo. Penso: "Gisele, você está ficando paranóica. O camarada só está andando na praia, assim como você". Deixo pra lá. Sigo meu caminho e depois volto pra minha cadeirinha e para o meu livro. Daqui a pouco escuto: "Eu não te conheço de algum lugar?". Levanto os olhos e vejo o cara que me seguia. "Não, acho que não". Tento voltar para a leitura, mas o sujeito não estava disposto a me deixar em paz.

"Tenho certeza que sim. Você não morou na Espanha em 1998? É a cara de uma ex-namorada minha". Ahá! Tava demorando. Respiro fundo e tento responder educadamente: "Não, não morei na Espanha. Por isso, não posso ser sua ex-namorada". Alguém em sã consciência esquece da cara de um ex-namorado? Ou que morou em um outro país? Eu sou péssima para guardar nomes, mas fisionomias são meu forte.

O cara ainda tentou continuar a conversa, dizendo que ele não podia ter sido tão mau namorado assim para eu apagá-lo da memória, mas ao ver que eu não estava disposta a levar o assunto adiante, desistiu. Deu tchau e se foi. Por cima dos óculos o vi conversando com outro sujeito e apontando para mim.

Baixei os olhos e voltei para a história divertidíssima da shopaholic Rebbeca, uma jornalista britânica às voltas com credores e com sua mania de comprar tudo que lhe desse na telha mesmo sem ter dinheiro. Estava rindo sozinha com os malabarismos da protagonista para fugir do gerente do banco quando percebo uma sombra do meu lado. Era ele, o sujeito.

"Sabe, Cristina, pensando bem, eu não fui um mau namorado. Você que me abandonou. Me trocou por outro. Foi pra Espanha sem nem dar adeus. Eu demorei muito tempo pra te esquecer". Não sei se foram as mazelas da Rebecca ou a insistência do camarada, mas eu comecei a rir. O sujeito se sentiu ofendido, começou a falar alto, a dizer que eu tinha acabado com a vida dele.

Quanto mais nervoso ele ficava, mais vontade de rir eu tinha. Tentei me controlar e disse: "Olha, sinto muito pelo que você passou, mas há um engano aqui. Não o conheço, não me chamo Cristina, nunca morei na Espanha. Você realmente está me confundindo com outra pessoa".

O sujeito ficou me olhando com uma cara de dar pena. Saiu e voltou em seguida com o colega com quem conversara antes. "Olha pra ela, Johnny, olha pra ela e me diz se é ou não é a Cristina?". O amigo olhou bem pra mim e saiu puxando o Abandonado e me pedindo desculpas pelo comportamento alterado do amigo. Ouvi-o dizer-lhe: "Pára com isso. Não é ela. A Cristina tem olhos verdes e é muito mais alta que essa moça".

Fiquei com pena do rapaz. Tentei voltar pra Rebbeca, mas já era tarde demais. O episódio com o Abandonado tinha tirado completamente a minha concentração. Larguei o livro na cadeira, dei uma caída na água e voltei pra casa. Bem a tempo de fugir da chuva que começou a cair, se arrastou pelo resto do final de semana e me fez mergulhar de vez na história da maníaca por compras.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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