Gisele Ribeiro, às 15h52
Denise, uma amiga minha, me disse que para tudo ter um começo, é preciso ter um fim. Isso talvez justifique a necessidade que as pessoas têm de tomar resoluções quando um ano termina. Eu me incluo entre essas pessoas. Por isso, decidi que em 2006 eu vou mudar. Serei menos mãezona. Dos amigos, dos namorados, da família. Serei menos mal-humorada, menos sarcástica, menos crítica (prometo que vou tentar, pelo menos).
Entrarei 2006 vestida de superstições. Para falar a verdade, quase como uma escola de samba. Vestirei algo vermelho, para atrair paixões. Dessas arrebatadoras, que nos deixam de quatro, nos fazem chorar e depois se vão sem deixar marcas. Calcinha rosa, para trazer um amor verdadeiro, porque depois de uma paixão avassaladora é sempre bom ter alguém que nos conforte o coração.
Terei uma peça amarela, para chamar dinheiro e novas realizações. Uma azul, para recarregar as energias, porque 2005 foi um ano agitado. Alguma coisa branca, para trazer de volta a tranquilidade -que saiu para dar um passeio no segundo semestre e parece ter se perdido pelo caminho.
Vou pular sete ondas, tomar um banho de rosas brancas e outro de sal grosso, fazer pedidos pra Iemanjá, escrever uma carta pra Deus. Meditar um pouco com Buda (quem sabe eu atinjo o nirvana), dançar para a deusa lua (não fosse público, seria nua), cantar para o deus sol. Vou dar uma volta no quarteirão com uma mala de viagem (dizem os peruanos que é a melhor forma de passar muito tempo entre aeroportos), colocar dólares na palmilha do sapato.
Comer lentilha, uva e pipoca. Colocar folha de louro e sete caroços de romã na carteira. Vou fazer muito barulho, abrir todas as janelas da casa, acender todas as luzes. Tudo para afugentar os maus espíritos.
Vou fazer um brinde às amigas do peito, desejando que os nossos sejam nossos, os delas sejam nossos e que se os nossos forem delas, que eles brochem. Afinal de contas, aos amigos tudo, aos inimigos, a indiferença.
Quero e vou começar o ano rindo muito, porque sou daquelas que acham que se alguém começa o ano chorando, vai chorar pelos próximos 365 dias. Tudo isso, claro, com os dois pés direitos, que é pra não correr o risco de deixar uma brecha pro azar.
E que venha 2006!
