It is all about girls... or men

27.12.05

Resoluções de ano novo

Gisele Ribeiro, às 15h52

Denise, uma amiga minha, me disse que para tudo ter um começo, é preciso ter um fim. Isso talvez justifique a necessidade que as pessoas têm de tomar resoluções quando um ano termina. Eu me incluo entre essas pessoas. Por isso, decidi que em 2006 eu vou mudar. Serei menos mãezona. Dos amigos, dos namorados, da família. Serei menos mal-humorada, menos sarcástica, menos crítica (prometo que vou tentar, pelo menos).

Entrarei 2006 vestida de superstições. Para falar a verdade, quase como uma escola de samba. Vestirei algo vermelho, para atrair paixões. Dessas arrebatadoras, que nos deixam de quatro, nos fazem chorar e depois se vão sem deixar marcas. Calcinha rosa, para trazer um amor verdadeiro, porque depois de uma paixão avassaladora é sempre bom ter alguém que nos conforte o coração.

Terei uma peça amarela, para chamar dinheiro e novas realizações. Uma azul, para recarregar as energias, porque 2005 foi um ano agitado. Alguma coisa branca, para trazer de volta a tranquilidade -que saiu para dar um passeio no segundo semestre e parece ter se perdido pelo caminho.

Vou pular sete ondas, tomar um banho de rosas brancas e outro de sal grosso, fazer pedidos pra Iemanjá, escrever uma carta pra Deus. Meditar um pouco com Buda (quem sabe eu atinjo o nirvana), dançar para a deusa lua (não fosse público, seria nua), cantar para o deus sol. Vou dar uma volta no quarteirão com uma mala de viagem (dizem os peruanos que é a melhor forma de passar muito tempo entre aeroportos), colocar dólares na palmilha do sapato.

Comer lentilha, uva e pipoca. Colocar folha de louro e sete caroços de romã na carteira. Vou fazer muito barulho, abrir todas as janelas da casa, acender todas as luzes. Tudo para afugentar os maus espíritos.

Vou fazer um brinde às amigas do peito, desejando que os nossos sejam nossos, os delas sejam nossos e que se os nossos forem delas, que eles brochem. Afinal de contas, aos amigos tudo, aos inimigos, a indiferença.

Quero e vou começar o ano rindo muito, porque sou daquelas que acham que se alguém começa o ano chorando, vai chorar pelos próximos 365 dias. Tudo isso, claro, com os dois pés direitos, que é pra não correr o risco de deixar uma brecha pro azar.

E que venha 2006!

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26.12.05

O problema está na abordagem

Gisele Ribeiro, às 22h09

"Gi, o problema não é a cantada, mas a abordagem". Ouvi essa frase conclusiva de Oli, uma amiga minha que estava indignada com a forma como um gringo tentara aproximar-se dela. Saindo de um show de blues, Oli estava conversando com os músicos da banda quando um holandês, também conhecido dos músicos, puxou papo com ela.

Uma de suas amigas, disposta a arranjar-lhe um namorado a qualquer custo ("Você precisa se envolver com homens de verdade e não com esses menininhos que não sabem o que querem da vida"), passou a elogiá-la para o gringo. Este ficava sondando a alcoviteira sobre como poderia sair com a Oli. "Como uma mulher tão bonita está sozinha? Como faço para sair com ela?", perguntava o sujeito.

Percebendo onde aquela conversa ia parar, Olie foi resolveu dar um jeito no assunto: "Já que vocês estão falando sobre mim, mas não comigo, vou embora". Despediu-se de todos e saiu.

No caminho de casa, ela recebeu um torpedo. Dele (eu vou matar aquela alcoviteira, pensou). A mensagem: "Olivia, foi um prazer conhecê-la. Você é muito bonita e gostosa. Jantar amanhã, sabado, domingo??? Quero muito vê-la novamente". COMO É QUE É? GOSTOSA????? Oli disse que demorou para terminar de ler a mensagem. Custava-lhe acreditar que um sujeito com o qual conversara apenas 10 minutos usasse aquele "gostosa" para dizer que estava interessado nela. Só conseguia pensar: "Poxa, você estava indo tão bem. Que pena".

No dia seguinte, o holandês ligou para Oli umas 20 vezes. Ela só atendeu a primeira. Foi educada, recusou o convite, disse que estava com o tempo todo tomado até o final do ano e que ligaria quando voltasse de viagem. O restante das ligações ignorou (Sujeito pegajoso).

"Pensei naquela cantada do pé, Gi, e em outras que nos soam mal. Não é que essas cantadas foram ruins, mas a abordagem é que foi errada", me disse. Ela tem razão. Talvez a cantada do podólatra não tivesse me caído mal se fosse dita em outra circunstância ou com outro tom. Talvez a Oli tivesse até se interessado em jantar com o gringo se ele não tivesse usado aquele "gostosa" de maneira tão vulgar.

Muita gente vai dizer que o gringo não soube usar o português direito, mas isso é bastante discutível. Se ele não sabe como usar algumas expressões do idioma, melhor evitá-las. Economiza-se assim uma boa dose de constrangimento. Para ele, que fica fazendo papel de ridículo, e para ela, que acaba comprovando na pele que todo estrangeiro acha que mulher brasileira é puta.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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