It is all about girls... or men

06.01.06

Ex de amigo (a) é território sagrado?

Gisele Ribeiro, às 17h54

Quando um ex deixa realmente de ser ex? Para algumas pessoas a resposta é nunca. "Todo homem quer que a mulher tenha dado única e exclusivamente para ele e morra depois disso", afirma Renato. "Exceto se a relação acabou com briga, quebra pau, e você odeia a vadia hoje em dia". A culpa é de uma tal de posse (já ouviram falar dela?).

Ontem ouvi uma história que mostra que, quando se trata de amores, o tempo nem sempre é o senhor da razão: Duas melhores amigas compartilham há anos apartamento e segredos. Até que uma delas se envolve com um ex-caso da outra. Resultado: romperam a amizade e dividiram os bens. Detalhe: a amiga que se sentiu ultrajada está de casamento marcado. Com outro.

A mim me parece absurdo que alguém rompa a amizade ou mesmo fique puto da vida só porque o cara ou a menina está saindo com uma ex do amigo. Se é ex, então significa que é passado, está acabado, não é mesmo?

Hummm... Parece não ser tão simples assim. Saí perguntando a algumas pessoas se eles brigariam com seus amigos, caso estes namorassem com algum/a ex deles. Escolhi perfis diferentes (ultraliberais, liberais, conservadores) de pessoas que pudessem fornecer visões igualmente diferentes do problema. Foram 22 "entrevistados" ao todo. Qual não foi a minha surpresa. A grande maioria disse que sim, que se incomodaria, que ficaria bravo com o amigo, que terminaria a amizade. Uma turminha ficou em cima do muro - "ah, depeeeeeeende" - e um mísero grupo de três disse que não estaria nem aí.

"Claro que ficaria P da vida com o meu amigo", diz Alex. "Ele não sabe o significado dela na minha vida". "Ex de amiga minha é mulher", disse Camila. "Eu brigaria feio se alguma amiga minha, principalmente se fosse uma amigona, saísse com algum ex meu". Alê compartilha da opinião da Camila: "Nossa, atitude imperdoável".

"Eu acho meio antiético. O amigo teria de falar comigo antes", diz Rodrigo."O que importa é o quanto eu gosto ou não da ex". "Falar comigo antes seria um sinal de respeito, mas eu não brigaria com o amigo não", diz Marcos. "Eu ficaria puto por uns dois dias, mas depois passou".

Na turma do "depeeeeeende", parece que o que pega é como o romance terminou. Se o objeto da disputa deu o pé na bunda do ofendido, se o coração ainda bate forte pelo incauto ou se a separação foi ou não amigável.

Renata diz se o caso está mal resolvido ou se o orgulho ainda está ferido, não dá para segurar a onda. "Mas se tudo acabou numa boa e não resta sentimento, então qual é o problema?. Chris diz que se o ex ainda está vivo, então rola um ciúmes, mas que se o camarada virou amigão, que sejam muito felizes.

Silvia, Pedro e Igor foram os únicos que disseram não se incomodar. A primeira diz que até daria dicas sobre o ex para a amiga. O segundo, que se acabou, acabou, ué. O terceiro, que até daria força. Mas... Sim, sempre tem um mas, dependeria de quando o romance acabou. "Se o namoro acabou recentemente, então a gente sempre vai achar que a coisa já estava rolando. Mas se foi há anos, então que sejam felizes", justifica Igor.

O que eu tiro disso: Entre homens é preciso pedir permissão para tomar posse do terreno abandonado. Entre mulheres, a falta não é perdoada nem se o ex for o número 1 na lista negra da ofendida.

Será que é o mesmo sentimento de posse apontado por Renato no início deste texto que faz com que a maioria das pessoas -independentemente do gênero- fique P da vida com um amigo/a se ele/a invade um território há muito abandonado? Ou seria o medo de ser comparado e perder na comparação? Eu, particularmente, voto na segunda opção.

PS: Agradeço aos amigos que participaram desta enquete informal: Alex, Alê, Aline, Bia, Camila, Carlos, Chris, Dani, Denise, Duda, Flores, Igor, Jorge, Marcos, Pedro, Priscilla, Rafael, Renata, Renato, Ricardo, Sergio e Silvia.

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05.01.06

Amores, amores, amigos à parte 2 - a missão

Gisele Ribeiro, às 17h16

A Renata tem razão quando diz que é difícil decidir-se entre falar e não falar que não vai com a cara do(a) namorado(a) dos(as) amigos (as). Assim, como ela, eu também tomo as dores dos amigos. Gosto dos seus namorados, trato-os bem, até o momento em que eles/elas não pisam na bola. Por que, depois disso, viram meus inimigos. Só que, ao invés de me calar, eu falo mesmo.

Uma amiga minha, amigona mesmo, vivia arrastando um bonde por um cara que não dava a mínima pra ela. Quer dizer, só dava quando via que ela estava começando a entrar noutra. Não adiantava falar, dizer que o cara não passa de um egocêntrico que se acha o máximo em tudo o que faz. Embora ciente de tudo isso, ela simplesmente morria por ele. Quando estavam juntos, eu o tratava bem, mas quando ele começava com as babaquices dele, tinha vontade de esganá-lo. Afinal, quem lidava com o choro e as crises de depressão dela era eu.

Bom, por uma dessas peças do destino, ou melhor, por uma dessas frases infelizes ditas pelo incauto na hora errada, essa amiga mandou o cara passear. Pegou bode mesmo. Algum tempo depois, começou a namorar e até mudou o status de solteira do orkut. Pronto, foi o que bastou para o babaca -desses que adoram mulher-enfeite- começar a dar sinal de vida novamente, tentando recuperar o território perdido.

O cara passou a assediá-la pelo messenger com aquela conversinha típica: sonda daqui, sonda dali, diz que está com saudade, fala umas gracinhas, faz ceninha de ciúme, diz que ela está com o cara errado. Dia desses ela deu mostras de que pode sucumbir às investidas do idiota (ela jura que não!). Eu já dei aquele ultimato de amiga: se ela cair na tentação, bato nela e nele.

Só que aí, meu lado racional fala mais alto: o que fazer se os dois se acertarem? Não vou deixar de gostar dela ou de vê-la só porque ela se deixou levar pelo blá-blá-blá temporário do camarada -sim, porque essa atenção toda vai durar o tempo dele ver que ela caiu na dele e ir procurar uma mulher-idiota-de-dedo-na-boca para circular com ele pelas baladas sem questionar sua vontade de aparecer.

O que eu sei é que depois de tanta sacanagem não conseguirei mais nem ser educada com o cara. Vou dar sempre o sorriso amarelo, de quem atura alguma coisa. Na verdade, a minha vontade, desde já, é de mandá-lo tomar naquele lugar, pra ver se a crista dele baixa um pouco. E claro, de interná-la num hospício caso ela tenha um ataque de insanidade e troque o cara que a faz feliz por esse troglodita travestido de genro-que-toda-sogra-queria.

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Tudo uma questão de volume

Gisele Ribeiro, às 12h32

Outro dia li numa revista um artigo que explica a propensão feminina para discutir relações e a inabilidade masculina para interpretá-las. É tudo uma questão de volume em certas áreas na nossa massa cinzenta.

Segundo o neurologista Jill M. Goldstein, da faculdade de medicina de Harvard, as áreas relacionas às funções cognitivas e às reações emocionais são porporcionalmente mais volumosas nas mulheres, enquanto nos homens, a porção maior está relacionada à percepção espacial.

Difícil entender? Calma, vai ficar mais fácil. Considere as habilidades de cada sexo: homens saem-se muito melhor em atividades como jogar bola, ler mapas, orientar-se em estradas (quem disse que eu tô perdido?), enquanto as mulheres são insuperáveis na capacidade verbal e na percepção de detalhes.

Mulheres falam de 6 mil a 8 mil palavras por dia, os homens, até 4 mil. Talvez isso explique o pânico deles na hora de uma DR - e mania delas de transformar qualquer pelinho em um porém da relação. Com metade da capacidade verbal, os homens não têm o mesmo poder de fogo. Quem pode culpá-los?

Melhor mesmo ficar no 2 + 2=4 e nao no 2 + 2= depende, o que você quer dizer com isso?

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P.S. didático

Renata Rondino, às 11h21

No post anterior, contei sobre a ex do meu amigo, que sugeria, via torpedos de celular, uma conversa com uma boa DR. E esqueci de explicar o que seria DR. Achei que fosse algo de conhecimento geral, mas acabei descobrindo que não.

DR quer dizer Discutir a Relação. É aquele momento em que a mulher diz "Precisamos conversar", e o cara começa a pensar "Puta merda, lá vem problema". Mulheres adoram uma DR, homens correm dela feito o Diabo da cruz. Principalmente porque a mulher só vai reclamar, o cara vai fazer cara de saco cheio, a discussão levará horas e tudo será diferente na relação até a próxima DR, uns três dias depois.

Homens não gostam de DR porque para eles não há o que discutir. Veja como funciona:

Para homens:

2
+
2
--
4


Para as mulheres:

2
+
2
--
depende, o que você quer dizer com isso?


Quando homem pergunta "o que é que você tem?" e a mulher responde "Nada", isso quer dizer que não há nada errado. Simples! Para as mulheres, isso quer dizer que ele já sabe de tudo o que está errado, mas está se fazendo de morto, porque não passa de um sacana desgraçado. E aí começa o circo.

O amor é lindo!

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04.01.06

Amigos, amigos... amores à parte

Renata Rondino, às 16h06

Quem é que nunca passou pela situação de não gostar dos namorados e namoradas dos amigos?

Eu já. Várias vezes. E também já enfrentei a situação dos meus amigos detestarem meus namorados. Mas eu admito que, neste caso, eles tinham razão.

Quando estamos em casos assim, o que fazemos? Somos sinceros, como devem ser os amigos de verdade? Ou engolimos a decisão alheia e seja o que Deus quiser?

Tenho um grupo de amigos de longa data. Há um tempo, um deles brigou com a namorada e saiu para beber com outros dois. Passaram a noite falando as piores coisas a respeito de um ser humano sobre a menina. A orelha dela deve ter derretido. Dirigiram a ela as palavras mais sórdidas possíveis. No final da noite, ela não valia sequer uma ameba. Nem o demônio a aceitaria como amiga. Disseram ao namorado enfurecido verdades e opiniões a respeito daquela *(impublicável)*. Tudo ficou bem claro, em nome de uma amizade sincera.

Não preciso dizer que o destino é um excelente comediante: o casal reatou, casou e hoje tem uma filha. E os outros dois? Bem, não se toca mais no assunto.

Tenho um outro amigo que passou o Ano Novo conosco recebendo torpedos da ex-mulher. Todos melosinhos, sugerindo uma conversa e uma boa DR. E nós dissemos que, se ele voltar pra ela, vamos espancá-lo. Isso é uma amizade, não uma democracia. Os amigos aguentaram aquela menina até o limite. Até um determinado momento em que ameaçamos jogar o celular dele na privada se ele não desligasse. Amigos são pra isso mesmo!

Mas já passei por situações onde eu não abri a minha boca para comentar nada. Tinha uma amiga cujo namorado era um exemplo de gorila neanderthal. Saíamos juntos e eu tentava imaginar em que momento ele iria relinchar na mesa. E ela olhava pra ele com aquela expressão de peixe morto, pensando no quanto ele era tudo de bom. Foi dose de aguentar. Muito dose! Isso é que é amizade.

Eu tenho mania de comprar as dores dos meus amigos. Tenho uma amiga, por exemplo, que está em processo de esquecimento de um casinho. E aí eu tenho que decidir entre ficar quieta, na minha, ou dizer o que eu penso dele, ou seja, que ele é um @#$@#$@#. Afinal, é difícil ver uma amiga linda, inteligente, descolada, independente, chateada por causa de um cara com uma bunda de proporções faraônicas, tão cheio de atitudes quanto uma planta de plástico. Devo também ameaçar jogar o celular dela na privada, em caso de emergência?

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03.01.06

Felicidade engorda

Gisele Ribeiro, às 10h27

"Gi, a felicidade engorda!" Marta soltou a frase enquanto experimentava um biquíni para os dias que passaria na praia. "Desde que eu comecei a namorar o Antonio, engordei muito". Olhei bem para Marta procurando os quilos a mais de que ela falava, e, de fato, havia algo de diferente no corpo dela.

Marta sempre foi um palito. Dessas que comem de tudo e não precisam se preocupar com o ponteiro da balança. Mas de uns tempos para cá, ela vem "pegando corpo", como diria minha avó. Acho que ganhou uns quatro quilos em cinco meses. É muito para alguém que passou 27 anos fazendo dieta de engorda. Mas é muito pouco se considerarmos que o peso -principalmente o feminino- varia de acordo com o estado emocional de cada um.

Eu, por exemplo, emagreci 12 kg em um mês quando me separei. Se soubesse que essa era a forma mais rápida de perder peso, teria me separado antes. E muitas vezes. Fico imaginando o que aconteceria com a Marta se ela terminasse com o Antonio. Passaria por debaixo da porta, certamente.

Já está provado cientificamente que felicidade engorda e depressão sem remédios emagrece. A culpa é da produção -ou falta- de enzimas e hormônios. Mas eu tenho uma teoria para o sobe-desce da balança (pelo menos no caso das mulheres): é tudo uma questão de estar ou não disponível, querer ou não conquistar.

Mulheres fazem dieta quando estão sozinhas e procurando namorado. Depois que arrumam, relaxam nos cuidados, nos exercícios para manter a forma. Basta o namoro ir para o brejo e pronto, lá vai a mulherada pra academia novamente, pros queijinhos brancos, folhinhas de alface e sucos sem açúcar. Chocolate? Nem na TPM. Morde o travesseiro, mas não sucumbe à tentação. PIzza, só de escarola, sem queijo e uma vez no mês. Capirinha, só com adoçante, como se a bebida não tivesse calorias suficientes. Fica magra, arruma um enrosco e pronto, começa a engordar tudo de novo.

E o que acontece com os homens? Bem... o peso dos homens parece não variar de acordo com o estado emocional. Não faz diferença se o camarada é ou não casado, se tem ou não namorada (embora a ciência diga o contrário). A boa ou a má forma depende da quantidade de cerveja consumida com os amigos: no futebol, no bar, na padaria, no boteco. E nestes casos, ao contrário do que acontece com as mulheres, a indefectível barriguinha é exibida como um troféu. Ai, que raiva. Na próxima encarnação, quero ser homem. Eu e mais 56474836729 mulheres.

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