Gisele Ribeiro, às 17h54
Quando um ex deixa realmente de ser ex? Para algumas pessoas a resposta é nunca. "Todo homem quer que a mulher tenha dado única e exclusivamente para ele e morra depois disso", afirma Renato. "Exceto se a relação acabou com briga, quebra pau, e você odeia a vadia hoje em dia". A culpa é de uma tal de posse (já ouviram falar dela?).
Ontem ouvi uma história que mostra que, quando se trata de amores, o tempo nem sempre é o senhor da razão: Duas melhores amigas compartilham há anos apartamento e segredos. Até que uma delas se envolve com um ex-caso da outra. Resultado: romperam a amizade e dividiram os bens. Detalhe: a amiga que se sentiu ultrajada está de casamento marcado. Com outro.
A mim me parece absurdo que alguém rompa a amizade ou mesmo fique puto da vida só porque o cara ou a menina está saindo com uma ex do amigo. Se é ex, então significa que é passado, está acabado, não é mesmo?
Hummm... Parece não ser tão simples assim. Saí perguntando a algumas pessoas se eles brigariam com seus amigos, caso estes namorassem com algum/a ex deles. Escolhi perfis diferentes (ultraliberais, liberais, conservadores) de pessoas que pudessem fornecer visões igualmente diferentes do problema. Foram 22 "entrevistados" ao todo. Qual não foi a minha surpresa. A grande maioria disse que sim, que se incomodaria, que ficaria bravo com o amigo, que terminaria a amizade. Uma turminha ficou em cima do muro - "ah, depeeeeeeende" - e um mísero grupo de três disse que não estaria nem aí.
"Claro que ficaria P da vida com o meu amigo", diz Alex. "Ele não sabe o significado dela na minha vida". "Ex de amiga minha é mulher", disse Camila. "Eu brigaria feio se alguma amiga minha, principalmente se fosse uma amigona, saísse com algum ex meu". Alê compartilha da opinião da Camila: "Nossa, atitude imperdoável".
"Eu acho meio antiético. O amigo teria de falar comigo antes", diz Rodrigo."O que importa é o quanto eu gosto ou não da ex". "Falar comigo antes seria um sinal de respeito, mas eu não brigaria com o amigo não", diz Marcos. "Eu ficaria puto por uns dois dias, mas depois passou".
Na turma do "depeeeeeende", parece que o que pega é como o romance terminou. Se o objeto da disputa deu o pé na bunda do ofendido, se o coração ainda bate forte pelo incauto ou se a separação foi ou não amigável.
Renata diz se o caso está mal resolvido ou se o orgulho ainda está ferido, não dá para segurar a onda. "Mas se tudo acabou numa boa e não resta sentimento, então qual é o problema?. Chris diz que se o ex ainda está vivo, então rola um ciúmes, mas que se o camarada virou amigão, que sejam muito felizes.
Silvia, Pedro e Igor foram os únicos que disseram não se incomodar. A primeira diz que até daria dicas sobre o ex para a amiga. O segundo, que se acabou, acabou, ué. O terceiro, que até daria força. Mas... Sim, sempre tem um mas, dependeria de quando o romance acabou. "Se o namoro acabou recentemente, então a gente sempre vai achar que a coisa já estava rolando. Mas se foi há anos, então que sejam felizes", justifica Igor.
O que eu tiro disso: Entre homens é preciso pedir permissão para tomar posse do terreno abandonado. Entre mulheres, a falta não é perdoada nem se o ex for o número 1 na lista negra da ofendida.
Será que é o mesmo sentimento de posse apontado por Renato no início deste texto que faz com que a maioria das pessoas -independentemente do gênero- fique P da vida com um amigo/a se ele/a invade um território há muito abandonado? Ou seria o medo de ser comparado e perder na comparação? Eu, particularmente, voto na segunda opção.
PS: Agradeço aos amigos que participaram desta enquete informal: Alex, Alê, Aline, Bia, Camila, Carlos, Chris, Dani, Denise, Duda, Flores, Igor, Jorge, Marcos, Pedro, Priscilla, Rafael, Renata, Renato, Ricardo, Sergio e Silvia.
