It is all about girls... or men

11.01.06

Só é corno quem é curioso

Gisele Ribeiro, às 16h56

Ouvi uma frase ótima esta tarde: Só é corno quem é curioso. Ela devia servir de inspiração para quem adora saber o que se passa na vida alheia. Principalmente na de namorados e namoradas, casinhos e casões, paqueras e ficantes.

Uma mensagem inocente, aos olhos dos curiosos, pode virar uma confissão de culpa do outro. Uma palavra truncada, ouvida de orelhada, pode significar um código para encontros secretos. Um recadinho enigmático no orkut pode se transformar em infidelidade pública. Na era da bisbilhotice virtual, as palavras têm sempre um significado que pende para a traição.

Os malucos de plantão fuçam nos celulares, messengers, orkuts e e-mails alheios certos de que irão achar alguma coisa comprometedora. E acham. Ainda que a traição seja só fruto de muita imaginação.

Eu adoro o alcance que as novas tecnologias nos dão, mas começo a achar que, ao mesmo tempo que aproximam as pessoas, elas são um atraso nos relacionamentos.

No tempo dos nossos pais e avós, por exemplo, namoros, noivados e casamentos eram mais felizes e duradouros. A curiosidade tinha suas limitações: ia, no máximo, ao cesto de roupas sujas, às golas das camisas, aos bolsos dos paletós e às cartas anônimas.

Ehhh. Nossos pais eram felizes e não sabiam.

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Um botão errado

Gisele Ribeiro, às 16h55

Pessoal, apaguei sem querer o post sobre o ciúme e os liberais. O texto foi publicado novamente, mas não consegui recuperar os comentários. Aos que deixaram sua opinão, peço desculpas. E se quiserem comentar novamente, agradeço.

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O ciúme não poupa nem os liberais

Gisele Ribeiro, às 16h53

"Gi, eu estou tendo um surto de ciúmes, de machismo deslavado". Escutei a confissão completamente pasma. Para mim, era difícil acreditar que o amigo mais liberal que tenho está sentindo algo que sempre abominou e se comportando da maneira que sempre criticou.

"O Liberal" é desses que nunca se importaram em dividir a mulher e que acham que fidelidade é uma grande bobagem, teoria de gente romântica. Desde que eu o conheço, ele sempre esteve em paz com essa filosofia de vida. Isso, até a semana passada, quando ele me liga para o desabafo básico.

A namorada, liberal como ele, livre como ele, desencanada como ele, conta-lhe que saiu com outro cara (algo acordado entre ambos). Ele enlouquece. Pára de comer, não pensa em outra coisa senão nas cenas tórridas entre ela e o outro. Passa a vigiar todos os passos dela. Mesmo separados um do outro por quatro Estados.

Há tempos eles tentam se acertar. Namoram a distância e de acordo com os ventos da carreira de cada um. Por falta de oportunidades locais, ela pensava em mudar-se para a cidade dele. Ficariam mais perto e encerrariam um período de cinco anos de desencontros.

À espera dela, ele mudou de atitude. Fechou-se para os amigos, para as namoradas esporádicas, para as baladas. Descobriu-se fiel e dedicado. Só que o trabalho pregou-lhe outra peça. Ela encontrou um nicho local de bons projetos e resolveu adiar a mudança. Com a "infidelidade" confessada, o machão adormecido foi despertado. Ele ficou inseguro. Fez cena de ciúme e comportou-se quase como um Jesse Valadão.

Quem acompanha este blog sabe bem a minha relação nada amistosa com o ciúme, esse sentimento de posse que faz com que a maioria dos seres humanos, egoístas e controladores, passe a vigiar cada passo do outro, invadindo sua privacidade -real ou virtual.

Fico triste de saber que uma das poucas pessoas que escapavam desse grupo sucumbiu da pior forma possível, mostrando, infelizmente, que o liberalismo tem seus limites e, felizmente, que a fidelidade não é apenas uma teoria romântica. Mas, pelo menos, este ex-liberal, agora macho ciumento, buscou ajuda. Está fazendo terapia para, como diz ele, sair do inferno em que se meteu. E voltar aos bons tempos em que a paranóia era apenas tema de filmes de terror psicológica.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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