Gisele Ribeiro, às 16h56
Ouvi uma frase ótima esta tarde: Só é corno quem é curioso. Ela devia servir de inspiração para quem adora saber o que se passa na vida alheia. Principalmente na de namorados e namoradas, casinhos e casões, paqueras e ficantes.
Uma mensagem inocente, aos olhos dos curiosos, pode virar uma confissão de culpa do outro. Uma palavra truncada, ouvida de orelhada, pode significar um código para encontros secretos. Um recadinho enigmático no orkut pode se transformar em infidelidade pública. Na era da bisbilhotice virtual, as palavras têm sempre um significado que pende para a traição.
Os malucos de plantão fuçam nos celulares, messengers, orkuts e e-mails alheios certos de que irão achar alguma coisa comprometedora. E acham. Ainda que a traição seja só fruto de muita imaginação.
Eu adoro o alcance que as novas tecnologias nos dão, mas começo a achar que, ao mesmo tempo que aproximam as pessoas, elas são um atraso nos relacionamentos.
No tempo dos nossos pais e avós, por exemplo, namoros, noivados e casamentos eram mais felizes e duradouros. A curiosidade tinha suas limitações: ia, no máximo, ao cesto de roupas sujas, às golas das camisas, aos bolsos dos paletós e às cartas anônimas.
Ehhh. Nossos pais eram felizes e não sabiam.
