It is all about girls... or men

27.01.06

Desculpem, eu me enganei

Gisele Ribeiro, às 11h31

Esta semana descobri que estava completamente enganada quando dizia que "não existe coisa mais chata no mundo do que mulher que adora discutir relação". Existe sim. Homem que adora discutir a relação. Perdem o racionalismo e se transformam nos seres mais malas que existem.

Uma amiga minha arrumou um namorado. Não o conheço bem, e pelo pouco que vi... O cara é um grude, desses que querem participar de todos os passos da amada, questionar o motivo de todas as ações dela, opinar até sobre os modelos das calcinhas que ela veste.

Ela tem que ser toda atenção. Não pode dar um passo sozinha que ele já dispara: "Fulana, o que está acontecendo? Por que você não disse que foi em tal lugar? Há alguma coisa errada? Você está cansada de mim?". E isso assim, na frente de todos, inclusive de estranhos (no caso eu, e no caso do lugar a que ela foi sozinha, o banheiro).

Não acreditei na cena que presenciei. Apenas a primeira da noite. O camarada se incomodou com o fato dela pedir uma caipirinha ao garçom sem consultá-lo. Depois, com a camiseta que ela vestia e que, na cabeça dele, atraía olhares demais. Mais ainda, começou a discutir porque ela estava conversando baixo com as amigas e havia "se esquecido" dele.

A Paciente estava visivelmente constrangida pela demonstração excessiva de cuidados do rapaz. Ela promovera o encontro para apresentá-lo aos amigos e já antevia as críticas mordazes das feministas e dos liberais do grupo.

Tentava contornar a situação, amenizar as queixas do Mala-sem-alça, disfarçar a exigência, deixar a DR para depois. Mas o cara era insistente. "Se a gente deixa pra discutir depois, perde o calor do momento", dizia, para todos ouvirem.

Aos poucos, um a um do grupo foi-se despedindo do casal, cada qual com uma desculpa mais esfarrapada que a outra. Quando chegou a minha vez, O Mala resolveu ir ao banheiro. Não sem antes avisá-la. Só faltou dizer: "Benzinho, vou fazer o número 2".

Resolvi esperar sua volta, para não deixá-la sozinha na mesa e para evitar mais uma DR. Olhei pra ela e vi que, apesar do constrangimento, ela exibia, lá no fundinho, um ar de contentamento. Não foi preciso comentar nada. Ela simplesmente disse:

- Ah, Gi. Sei que ele é meio mala, que não é o que vocês esperavam, mas ele gosta de mim, se importa comigo, me dá atenção. Totalmente diferente daqueles canalhas com quem me envolvia.

Fiquei sem palavras e, pela primeira vez na noite, agradeci o fato de O Mala ter voltado para a mesa rapidinho. Despedi-me de ambos e saí do boteco com um gosto estranho na boca. Provavelmente, provocado por palavras não-ditas, que ficaram entaladas na garganta por uma questão de educação.

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23.01.06

A Máfia da Fralda

Renata Rondino, às 17h14

Cena 1

Quem já assistiu ao seriado Sex and The City se recorda de um capítulo em que as quatro solteiras novaiorquinas são obrigadas a irem a um chá de bebê. Na volta, param em um bar para tomar uma cerveja e esquecer daquele evento chato. Miranda comenta:

- Eu estava conversando com uma economista PhD em Harvard, e ela só conversava sobre fraldas e mamadeiras.

Carrie resolve defender as mamães:

- Conheço várias mulheres que, apesar da maternidade, continuam investindo no seu lado intelectual, em suas carreiras, projetos e em suas vidas pessoais...

- Quem?? – perguntam as outras três amigas, ao mesmo tempo.

- Hã...

E elas voltam para suas cervejas.

Cena 2

Uma amiga minha jovem e solteira trabalhava com outras quatro mulheres. Duas grávidas e duas com filhos, sendo que uma delas paria um por ano. Um dia, durante um expediente normal de trabalho, ela deu um berro no meio do escritório:

- Puta que pariu, será que vocês podem falar de outro assunto?

Só se falava de enjôos, barriga, papinha, fralda, mamadeira, chupeta, cocô mole, melequinha de nariz, peniquinho, escola, pediatra, remédio, carrinho, parto, placenta, cólicas, peso, cabelinhos, dentinhos, babás, parquinhos, chôro...

“Claro que eu fiquei conhecida como a mal amada do escritório, Rê”, conta a minha amiga. “Mas será que a mal amada sou eu? Ou são essas mulheres que simplesmente não têm mais nenhum outro prazer na vida além de cuidar de bebês?”

Eu sou suspeita para dar opiniões, já que não morro de amores pela idéia de ter filhos. Mas respeito quem queira. E mais: sou careta a ponto de achar que, se a mulher tem condições de não trabalhar para cuidar de filhos, deve fazê-lo. Agora, o que eu não consigo agüentar são pessoas que anulam suas personalidades por completo, a ponto de não ter nada na vida pra fazer além de pensar em crianças.

No trabalho, elas têm milhares de fotos dos filhos na mesa, fundo de tela de bebês, salva telas de bebês, ligam quinhentas vezes pra casa para saber se a criança comeu, tomou banho, dormiu, respirou, mexeu o olho. E querem comentar desse assunto todos os dias, todas as horas, minutos e segundos, com outras pessoas da "Máfia da Fralda".

Por causa de histórias assim eu ouço depoimentos de vários amigos meus casados que perdem a paciência. Suas mulheres deixam de ser suas mulheres de fato, e passam a ser apenas mães dos seus filhos. Acaba o romance, acaba o namoro, acaba a vida a dois. A mulher perde a vaidade, o desejo da conquista, o seu lado sedutor, e vira uma galinha chocadeira.

Sinceramente, nada é mais broxante do que casal que se chama de “pai” e “mãe”. É a anulação completa da condição de homem e mulher, macho e fêmea.

Sexo? Que sexo? Ou acaba ou perde a qualidade a olhos vistos. Tenho um amigo que teve um filho há um ano e pouco, que ama a mulher e que não pretende separar-se dela. Porém, conhece de cor de salteado todas as casas de massagem da cidade. “Minha mulher não olha para a minha cara. Ela vive em função da criança. Só que eu preciso viver, eu tenho desejos, fantasias, vontades, sonhos. Então eu busco tudo fora de casa, o que eu posso fazer?”

E detalhe: ele já fez vasectomia, para não correr risco de ter um segundo bebê. “Se eu mal e porcamente tenho uma esposa hoje, imagine se arrumar outra criança. Eu não quero acabar com o meu casamento.”

Antes que me acusem de ser contra a instituição sagrada da maternidade, venho por meio desta afirmar que ser mãe é algo muito belo, mas padecer no paraíso tem limite. Nenhum tipo de obsessão é saudável. Mesmo que muita gente ache bonitinho uma mãe tão dedicada – caso das mulheres da “Máfia da Fralda” -, vale lembrar que toda compulsão, de qualquer tipo, serve para compensar o vazio de outras áreas da vida.

Sem falar que – com o perdão da sinceridade - essas mulheres são chatas de doer.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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