Gisele Ribeiro, às 21h50
Lembram-se da minha amiga Carnívora? Pois ela resolveu dar o ar da graça novamente. "Gi, tô começando a achar que gosto mesmo de alface". A princípio achei que ela resolvera adotar uma dieta alimentar mais saudável. Mas que nada!
Dois minutos ao telefone me mostraram que ela está apenas cultivando velhos hábitos, ou melhor, velhas plantas. "Pára tudo! Não podia ao menos ter optado por um vegetal com mais interessante que uma mera alfacinha? Rúcula? Endívia? Agrião?", perguntei. "Ahhh, Gi. Eu tenho uma queda absurda por alface. Se pudesse, só comia isso na vida".
Tenho um amigo que costuma dizer que alface é o alimento mais sem graça da face da terra. Insípido. Bom, eu adoro alface (roxa, crespa, mimosa, americana. Separadas ou juntas.), mas reconheço que essas folhas não têm gosto nenhum se não vierem acompanhadas de um molhinho saboroso. O problema é que a Carnívora só come um tipo de alface: a lisa. E sem nada. Arre! Que falta de criatividade!
Na nossa última conversa, mais de um mês atrás, ela havia prometido abandonar o vício. Disse-me que iria controlar o desejo de devorar os pezinhos de alface lisa que visse pela frente, mas não conseguiu ter força de vontade suficiente para manter a palavra.
Eu estou começando a achar que o caso dela é de internação. Ela precisa ser desintoxicada urgentemente. Experimentar outros tipos de comida. Variar os pratos. Se ela não quer comer carne, que prove peixes, frango, ou mesmo derivados de soja. Todos mais leves que uma picanha, mas, de longe, muito mais interessantes do que alface lisa sem tempero.
Pergunto à Carnívora se ela estaria disposta a tentar uma reeducação alimentar. Ela, pensativa, responde: "Nossa, Gi. Essa dieta não permite nenhum verdinho?". Claro que sim, querida, mas só verdes com personalidade.
