Gisele Ribeiro, às 11h16
Alguns caras parecem gostar de fazer papel de chatos. São aqueles tipos insistentes, que nao sabem quando devem parar. Eles acham que "não" significa "estou bancando a difícil, tente mais um pouco" ou "estou louca para dar pra você, só preciso tomar consciência disso".
Há uns dois anos, mais ou menos, um chato grudou na Renata e ficou um longo período fazendo marcação cerrada. Mandava e-mails, torpedos melosos no celular, flores, CDs, telefonava quinhentas vezes por dia, mesmo que ela não atendesse a nenhuma das chamadas. Quando finalmente percebeu que ela não ia corresponder ao interesse dele, ficou bravinho. Saiu dizendo para todo mundo que mulher não sabe mesmo dar valor a quem a trata bem.
Estou falando de gentileza, atenção e carinho mútuos entre pessoas que estão juntas. Quando uma das partes já deixou bem claro que não quer nada com a outra, a insistência transforma a pessoa, homem ou mulher, numa grande pentelha.
Tenho um amigo cuja ex-namorada ainda acha que ela é o número dele (embora ele esteja confortavelmente bem no papel de sapatinho de cristal de outra cinderela). A dita faz marcação cerrada. Telefona várias vezes ao dia, dá um jeito (bastante questionável, por sinal) de estar nas mesmas baladas que ele, aparece de surpresa no trabalho, na porta da casa dele, no boteco em que ele bebe com os amigos, na fila do supermercado. Segue-o por todos os cantos, como se ela não tivesse coisa melhor pra fazer.
Um outro amigo quase atropelou a ex, porque ela jogou-se na frente do carro para atrair-lhe a atenção depois de várias tentativas frustradas de retomar o romance. "Devia ter atropelado, Gi. Pelo menos ficava livre". O cara casou com outra, e a maluca ainda tentou impedir o casamento.
Outra maluca persegue o ex-marido há dez anos. DEZ anos!!! Não faz nada na vida a não ser pensar em meios para atazanar a vida do pobre coitado para vingar-se por ter sido trocada por outra. Há dez anos não dá um beijo na boca, não se interessa por ninguém, não dá pra ninguém. Só pensa em como ela pode riscar o carro dele, fazer escândalo no escritório dele, armar barracos homéricos na portaria do prédio. Uma coisa de baixíssimo nível, embaraçosa até mesmo para programas da Márcia Goldsmith.
Eu me pergunto como alguém pode viver dessa forma. É muita falta de auto-estima insistir em alguém que já deixou claro que a única coisa que quer dela é distância. Mínima de 150 metros.
Mas pior que esses tipos são os malucos que passam à perseguição implacável sem nem mesmo terem tido algo com a "vítima". Recebem o não inicial, definitivo: "Estou feliz em outro relacionamento". A primeira reação? O desdém: "Também não queria, tá. Você nem é tudo isso". A vítima ignora a reação desdenhosa, aliás, nem toma conhecimento dO Pentelho. E eis que ele começa o acosso novamente. Deve achar que é só uma questã de tempo para o alvo perceber que ele é o homem da vida dela. E continua mandando recadinhos truncados, públicos.
Provavelmente esses tipos devem pensar: "Ahhhh... uma hora ele (a) vai perceber a coisa maravilhosa que desprezou. Se arrependerá e virá atrás de mim". E ficam ali, tentando comer pelas bordas, fazendo joguinho de sedução -só na cabeça dos pentelhos, é claro, porque para as vítimas...
Pode ser que nós, autoras deste blog, estejamos muito por fora da realidade. Mas é que fomos educadas a discernir entre o certo e o errado, entre o sim e o não. E para nós, a palavra "não" ainda significa "não".
E se depois disso ainda restar dúvida, basta uma consulta rápida ao dicionário. Está lá o significado: Não, substantivo masculino - recusa, negativa enfática.
