It is all about girls... or men

24.03.06

Guia de sobrevivência para mulheres

Red's, às 14h26

Ao entrar em uma livraria, quais são os principais lançamentos que pipocam na sua cara? Livros sobre relacionamentos, na linha auto-ajuda. Desde que foi lançado o best-seller Mulheres São de Vênus, Homens São de Marte (ou o contrário, dane-se), as editoras saíram publicando tudo quanto é livro sobre o assunto. E sempre abordando os mesmos temas.

Dá uma preguiça imensa ler tantos livros. Só a Bridget Jones tem saco pra ler tanta coisa, porque na Inglaterra há empregos sobrando, todo mundo ganha bem, trabalha pouco e tem tempo suficiente para ficar deprimido.

Já que queremos facilitar a vida de homens e mulheres sobre como relacionar-se com seus parceiros e entendê-los perfeitamente bem, eis aqui um guia que resume as principais dúvidas, sem enrolações e deixando as verdades bem claras e objetivas. E economiza seu dinheiro.

Vamos falar primeiro sobre as dúvidas femininas em relação aos homens:

Por que os homens não expressam suas emoções?
Porque foram criados por MULHERES a não fazer este tipo de coisa. Não adianta reclamar, se vocês criarão seus filhos homens para serem iguaizinhos.

Por que homens não gostam de discutir a relação?
Porque é um porre e porque só serve para que a mulher tente moldá-lo do jeito que ela quer, ou seja, totalmente diferente do cara que ela conheceu. E também porque é preciso agüentar chantagem emocional do tipo: ‘Se você realmente me amasse, você faria isso por mim!’.

“Isso por mim” geralmente significa algo tipo: perca o jogo do seu time no Mundial de Tókio para comprar um presente pra prima da cunhada que acabou de ter um bebê.

Se você o amasse, deixaria de ver o final da novela para acompanhar uma sensacional partida de sinuca no bar. Entenderam como funciona?

O problema é que as mulheres querem discutir tudo o tempo todo, e geralmente querem mexer em tudo que estava funcionando perfeitamente no dia-a-dia masculino antes do casal se unir. Ou geralmente querem cobrar coisas que eles não estão a fim de dar. Daí a neurose deles em ouvir a expressão "Precisamos conversar".

Por que os homens não abaixam a tampa do vaso?
Existem algumas informações dentro do cérebro masculino que ficam contidas dentro de um compartimento secreto, a que nem os neurônios de nível hierárquico superior costumam ter acesso. Então os machos ficam desprovidos de conhecimentos sobre como abaixar a tampa do vaso. Naquele local secreto também estão escondidas preciosas informações sobre como trocar o rolo de papel higiênico.

Mas não desanimem, homens podem ser condicionados. Cada vez que você se sentar no vaso e der de cara com a tampa levantada, use o barbeador dele para raspar os pêlos da perna.

Por que os homens usam o controle remoto para trocar de canal o tempo inteiro?
Não é verdade. Eles costumam parar em filmes que tenham soldados, tiros, explosões, luta-livre, jogos de futebol entre equipes desconhecidas ou peitos balançando.

Por que homens fazem coisas nojentas como peidar, tirar meleca do nariz, escarrar ou atos nojentos envolvendo saliva?
Peidar é saudável. Não existe ser humano no planeta desprovido desta capacidade não-eliminatória de gás. O problema é se ele acha engraçado transformar aquilo na orquestra do Ray Coniff. Porque isso, definitivamente, não tem graça. Se ele faz isso e dá aquela risada de retardado, o problema é seu, que namora um babaca.

Os outros atos nojentos também devem ser considerados, principalmente se ele faz isso em grupo. Fica um tentando ser mais nojento que o outro. Neste caso, a única cura é o pé na bunda e melhor critério de escolha da próxima vez. E isso inclui caras que ficam fazendo lutinhas e bolinho. Quando se tem 14 anos, é divertido. Aos 30, é digno de encaminhamento à Apae.

Por que os homens preferem ficar fazendo churrasco e tomando cerveja com os amigos a ir ao aniversário do filho da prima de terceiro grau?
Pergunta auto-explicativa.

Por que os homens preferem assistir a um jogo de futebol a ir comigo no aniversário da minha avó?
Pergunta auto-explicativa.

Por que homens olham para outras mulheres na rua?
Porque eles não concordam com a sua tese fantasiosa de que o compromisso afetivo com a sua pessoa a transforma na única mulher bonita e gostosa do planeta. E porque olhar não tira pedaço. Você olharia para o Brad Pitt. E salivaria.

Por que os homens são galinhas?
Porque eles encontram mulheres galinhas disponíveis.

Por que os homens mentem?
Porque as mulheres acreditam.

Por que os homens não gostam de deixar sua vida de farra com os amigos?
Porque eles são pessoas normais. Quem vive exclusivamente para o relacionamento tem baixa auto-estima, e vê naquilo a fonte única e exclusiva de toda a felicidade do mundo. Você nunca dará 100% de satisfação ao parceiro, e vice-versa. Ainda bem, porque senão seria um tédio. Em vez de preocupar-se com isso, experimente farrear com as suas amigas. E se você acha que vai ser chifrada, saiba que, se ele quiser pular a cerca, vai fazê-lo com ou sem farra com os amigos.

E se você acha que marcação cerrada resolve o problema, proibindo-o de fazer tudo e estabelecendo vigilância de FBI, você tem mais chances de ganhar chifres do que as outras. Não arrume brigas e nem fique pegando no pé. Use a mesma tática. Saia com o seu grupo e descubra que você pode se divertir sem ele.

Mas e se ele SÓ gosta de sair com os amigos e me deixa sempre com cara de tacho?
Minha filha, se a situação não lhe agrada, o que é que você está fazendo com esse cara? Não culpe o cara por não se achar digna de algo melhor. Chute-o e arrume alguém mais cavalheiro e que tenha mais prazer em sua companhia do que a de um bando de machos. Não se contente com pouco! E se você acha que nenhum homem presta, está redondamente enganada.

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22.03.06

A culpa é da bebida

Gisele Ribeiro, às 18h21

Eu não sei de nada. Não fiz nada. Não lembro de nada. É comum ouvir frases como essas quando alguém, num dia de ressaca braba, é interpelado sobre as bobagens cometidas na festa ou na balada da noite anterior. A culpa, claro, é do álcool -esse líquido que, ingerido em determinadas quantidades, ganha propriedades embelezadoras, encorajadoras e amnésicas.

Aos olhos de quem bebe além da conta, a ponto de embaralhar as palavras e os neurônios, urubu vira meu louro, e qualquer baranga vira miss. O efeito amnésico da beberagem em excesso só aparece no dia seguinte. Afinal, é mais fácil esquecer o vexame do que explicá-lo aos amigos e/ou vítimas depois.

Na passagem do ano, um amigo colocou na bebida a culpa pelo embelezamento repentino de uma guria com quem passou a noite. Menos mal que nos dias que se seguiram ele ainda se lembrava, semi-arrependido, da escorregadela. Mas jurou, para si e para os amigos, que não iria mais fazer aquilo.

No carnaval, um outro amigo culpou o álcool das muitas caipirinhas e cervejas ingeridas ao engatar um romance com uma amiga de longa data. Agora, não sabe como sair da enrascada em que se meteu. Não sente tesão pela moça, pois, sóbrio, a vê como irmã. Quem sabe se tomar outras doses consegue descobrir as propriedades encorajadoras da bebida e pôr um fim na história.

Uma amiga minha tomou um porre homérico numa festa quando viu que o camarada de quem ela era afim estava lá. Tomou uma, duas, três, quatro caipirinhas que, somadas às duas garrafas de vinho do warm-up, produziram um efeito mágico. De copo na mão, encheu-se de coragem, disse ao amado o que sentia por ele e foi-se embora, numa saída de efeito.

O problema é que ela não percebeu que o cara estava tão de porre quanto ela. No dia seguinte, enquanto ela, ansiosamente, esperava o telefone tocar, ele, providencialmente, não se lembrava nem de como tinha chegado em casa.

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21.03.06

Instrumento do demônio

Gisele Ribeiro, às 14h46

O bom das férias é que a cabeça fica descansada e você volta cheia de novidades. Não só de histórias que aconteceram durante a viagem, mas de causos que rolaram na sua ausência. Minha secretária eletrônica tinha um monte deles pra me contar. Minha caixa de e-mail também. O celular, que passou desligado no meu recesso, ficou abarrotado.

Um dos recados chamou-me a atenção. Paula, amiga de longa data, me pergunta: "Gi, por que ex de namorado nunca deixa de ser ex?". Poxa, assim, à queima-roupa? Ainda com os pensamentos no mar muito azul de uma praia semi-deserta, ligo pra ela e escuto uma constatação cabeluda: "O Orkut é um instrumento do demônio!". Não consigo conter o riso diante da "novidade". Por alguns segundos tento associar ex-namorada com orkut, e descubro que meu cérebro ainda está trabalhando em ritmo baiano.

"Ôxe, miiinha fiiilha, o que foi que aconteceu?". Paula me conta que resolveu deixar um recadinho apaixonado na página do orkut do namorado e deu de cara com uma mensagem enigmática de uma ex do amado. Uma luz amarela acende e ela pula para a página da atrevida para investigar a conversa. "Eu só conseguia pensar que você iria me matar quando soubesse, mas foi mais forte que eu, Gi".

Na página da moça, Paula não encontra nenhuma resposta. Volta no dia seguinte. Nada. Um dia depois, vê que a última mensagem da moça para o amado estava com o texto alterado, insinuando um encontro entre os dois. As minhocas começam a tomar conta da sua cabeça, e a imaginação, que por vezes é mais nociva que qualquer veneno, já a faz visualizar cenas tórridas entre o namorado e sua ex. Paula é tomada de um acesso de fúria. E de um ciúme incontrolável. Liga para o amado às duas da manhã e atira: "Como você teve coragem? Mal começou a namorar comigo e já está saindo com outra? Nem esperou o cadáver esfriar".

O gajo, acordando do sétimo sono e sem entender nada, nem tem tempo de defender-se. Escuta, de uma maluca do outro lado da linha, que está tudo acabado entre eles. Paula vai para a cama e tenta dormir. Rola de um lado para outro. Nada de sono. Vai até o computador e pensa em acabar com a raça da atrevida publicamente. Escreve uma mensagem: "Sua piranha, pára de dar em cima do namorado alheio". Publica. Volta para a cama aliviada e dorme como um anjo.

Umas duas horas depois, acorda de sopetão. Lembra-se que terminou com o amado, abrindo espaço para a adversária. Volta para o computador disposta a apagar a mensagem antes que a guria lesse. Depois ligaria para o amado, desculpando-se. Tarde demais. Em sua página de recados, encontra a resposta da garota: "Tsc tsc tsc. Mas você é burra mesmo. Muito obrigada pela mãozinha".

Paula me conta que não sabe o que foi pior. Se ter sua burrice escancarada na internet, caindo na armadilha preparada pela outra, ou se saber, dias depois, pelo agora ex-namorado, que ele iria voltar para a talzinha por que ela, pelo menos, não era tão maluca e soube consolá-lo muito bem.

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20.03.06

Primatas em bando

Red's, às 13h59

Ontem eu ouvi um comentário masculino que merecia destaque neste blog.

Veio de um rapaz muito bacana e bem apessoado, que voltava de mais uma balada com os amigos. Segundo ele, a última.

- Acabou a paciência! - disse ele.

Oras, e por que?

- Meus amigos acham que balada se resume a beber até cair no chão, até perder noção do que estão fazendo, do que estão falando. Ninguém consegue curtir a festa, se divertir na presença dos amigos, porque estão todos tão bêbados, mas tão bêbados, que a consciência de tudo vai pro espaço. Se transformam em um bando de zumbis, babando e bebendo mais.

Assim como eu, o rapaz não tem paciência para beber até alucinar. Claro que todo mundo, em algum momento da vida, já tomou um porre ou já deu vexame. Mas de vez em quando é uma coisa. Ficar a um passo do coma alcoólico toda vez que sai de casa, de fato enche o saco.

- E não é só isso! - ele continuou contando. - Balada, pra eles, é igual a b...! Não conseguem pensar em outra coisa. Não conseguem se divertir se não pegarem todas as mulheres do local, se não derem em cima de todas. Não importa que ela seja feia, chata, que seja louca psicótica, banguela, fedorenta ou ensebada.

- Eu quase bati em um dos meus amigos, porque ele não parava de fazer comentários de pedreiro e recusava-se a calar a boca. Estávamos dentro do carro e ele ficava comentando de todas as mulheres da rua. Se descesse uma jamanta desgovernada do outro lado da rua, ele diria: "Uh, essa eu pegava fácil!"

E, pra piorar, o amigo ainda fez um comentário digno de um murro no nariz: ele torcia para que as funcionárias da balada fossem ajeitadinhas, porque se eles sobrassem na festa, podiam pegar uma copeira, ou a mocinha que fica tomando conta do banheiro.

Foi neste momento em que eu perguntei: "Mas e a mulherada, como fica nessa história toda? Elas caem na conversa?".

A resposta veio como um arpão no meu estômago:

"Caem, sem exceção. É só o cara chegar grunhindo meia dúzia de groselha, que elas ficam. Elas ficam com quem quiser ficar com elas. O mais escroto dos meus amigos, o mais canalha, cafajeste e galinha de todos, é o que mais pega mulher. Eu conversei com uma menina na festa que parecia ser legal, bonita e inteligente. Quinze minutos depois, ela estava beijando o meu amigo escroto. Amigo que, aliás, também tentou pegar a amiga dela. E, mesmo tendo dado em cima da amiga na cara desta menina, ela ainda continuou com ele depois. E acham isso divertido!"

Fiquei bem desanimada com a história. E depois as pessoas reclamam que as relações andam muito superficiais. Enquanto eu pensava com os meus botões, ele mandou a bomba final:

- Que direito as mulheres têm de afirmar que homens são todos iguais, todos galinhas, todos isso e aquilo? Elas contribuem para que tudo seja assim. Elas fazem questão de ser tão baixo nível quanto eles. Se elas rejeitassem esse tipo de homem, o gorila bêbado e pegador, esse tipo desapareceria da sociedade.

O pior de tudo ainda estava por vir. Os caras saíram de uma balada e queriam ir para outra. E este rapaz não estava no pique, queria ir para casa dormir. Os amigos não deixavam. Ele recusou-se a juntar-se aos outros nos rituais de desferir clavas nas cabeças da mulherada, simplesmente por não achar graça nessas tentativas óbvias de auto-afirmação. E teve que ouvir que ele não sabia curtir a vida, que ele estava deixando de aproveitar, que ele era bobo e tal.

Desde quando aproveitar a vida é beber até cair e beijar todas as mulheres numa balada? A coisa praticamente virou uma lei entre as pessoas que saem de casa à noite. Quem não gosta desse tipo de coisa é considerado um grande perdedor. Ou seja, se você quiser se divertir de outra maneira, procure outro planeta nos classificados de imóveis do jornal.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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