Gisele Ribeiro, às 10h34
Recebo diariamente mais de uma centena de e-mails que me oferecem técnicas e medicamentos para aumentar o tamanho do meu pênis e a "potência" do meu orgasmo. E como a quantidade aumenta a cada dia, daqui a pouco vou acabar me convencendo de que eu sou ou transexual ou homem disfarçado de mulher.
De saco cheio depois de apagar 92 mensagens em um período de duas horas, comentei com um amigo se ele, que me conhece há tempos, achava que eu preciso aumentar o tamanho do meu pênis. Diante do seu espanto, explico a situação e ele me diz, rindo: "Repassa pra mim, é sempre importante aumentar o tamanho".
A conversa seguiu em tom de gozação e brincadeira, mas me fez pensar em como os homens são tolos ao relacionar performance sexual a tamanho do órgão genital. Afinal, quanto maior o documento, mais machos eles são, certo? Errado. É preciso acabar com o mito de que tamanho é o que importa. De que adianta um pau enorme se o dono não sabe o que fazer com ele?
Homens e mulheres que pensam dessa forma (sim, muitas de nós acreditam nessa bobagem) deveriam fazer um curso de anatomia feminina ou prestar mais atenção às sensações e respostas de seus corpos durante o rala-e-rola. E para leitores e leitoras adeptas do mito, aqui vai uma aulinha básica:
Na excitação, o comprimento da vagina fica entre 7cm e 9cm. As terminações nervosas que dão sensação de prazer à mulher ficam no primeiro terço da vagina a partir da abertura externa. Acima disso, não há sensação. Portanto, façam suas contas e chegarão à conclusão de que não é preciso uma mala enorme para a viagem ser inesquecível. Basta saber seu destino e aproveitar bem todos os caminhos que levam até ele.
Ou, como diz um outro amigo meu, que costuma comparar mulheres a parques de diversão: há muita coisa com que brincar nesse playground antes de chegar no carrinho de bate-bate.
