It is all about girls... or men

07.06.06

Camarão que dorme a onda leva

Gisele Ribeiro, às 09h52

O Dia dos Namorados está chegando. Quem não tem companhia está louco/a para arrumar uma. Quem tem procura a melhor forma para comemorar a data. Quem tinha e perdeu, tenta reconquistar.

Mas será que o esforço surte o efeito esperado, principalmente se o conquistador tem culpa no cartório? Vejam abaixo a seqüência de fotos tiradas em uma rua da Vila Olímpia, em São Paulo. Elas mostram o esforço e seu resultado:















Agradecimento especial para Dani Freitas, que me enviou as fotos acima

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06.06.06

Is this love?

Red's, às 13h58

Conversei recentemente com uma amiga minha que terminou um relacionamento. Ela estava bem desanimada. Não só pelo fim, mas também porque havia lhe caído uma ficha, que ela ainda não estava preparada para enfrentar: paixão acaba.

“Terei eu que pular de relacionamento em relacionamento, sabendo que eles irão terminar quando a paixão se for, ou devo entrar em algo estável, mas que após um tempo não mais me dará vontade de sair rodopiando pela sala?”, pergunta ela.

Li o post anterior deste blog, que fala sobre o amor de Nelson Rodrigues, e prestei atenção em um comentário que muito me lembrou a minha amiga: “Quem gosta do morno, da mediocridade?”

Amor não tem morno, e nem mediocridade. Amor é amor. Quem quer viver numa montanha russa de emoções, se entrega à paixão, que é outra coisa completamente diferente. Tenho um certo temor de pessoas que pensam no amor como algo que nunca acaba, que está sempre acima do bem e do mal, que sempre deixa as entranhas em polvorosa. Gente assim costuma cair facilmente no abismo da frustração.

Por este raciocínio, ou você passa a vida com borboletas no estômago, com o coração na boca toda vez que encontrar o ser amado, ou então vive um tédio sem fim. Parte-se do princípio que casais que estão juntos há anos e anos ou ainda dão pulinhos de alegria e suspiram o dia inteiro, ou estão com o saco da lua. Ou seja, amor não é companheirismo, amizade, cumplicidade, o desejo de envelhecer junto. É apenas algo que lhe provoca desvarios emocionais.

Paixão vicia. Não há sensação no mundo melhor do que aquela que te faz passar a noite acordado, pensando no seu objeto de desejo, e achando que vai explodir de felicidade. Já dizia um amigo meu que se alguém descobrir a química disso e colocar em um comprimido, ele será a pessoa mais rica do mundo. Será mais importante do que aquele que descobrir a cura para o câncer.

Mas paixão é diferente de amor. Todas as toneladas de endorfinas despejadas em nosso corpo durante um certo período do relacionamento vai cessando. E aí há dois caminhos: ou a paixão evolui, ou ela termina. E quando ela evolui, amadurece, ela vira justamente aquilo que essas pessoas chamam de “morno”, “mediocridade”. Mas que outros chamam de “felicidade”.

Pouco amor é amor? Existe o pouco amor e o muito amor? Acho tudo isso uma imensa balela romântica sem sentido. Meu sábio terapeuta Amadeu já dizia que o importante não é o QUANTO se ama, e sim o COMO se ama.

Amar não é imitar histórias de cinderela. Isso é algo que vai de cada um. Conheço casais que passam o dia demonstrando o seu amor brigando o tempo todo. Por qualquer coisa. É a maneira que encontraram de chamar incessantemente a atenção do outro. Não é o meu modelo de amor, mas é amor. Dá certo da maneira deles. Pergunte se eles pensam em se separar, e entenderão o que eu quero dizer.

Achamos que amor é aquela coisa com fórmula definida, em que ficaremos velhinhos e andaremos de mãos dadas na praça, em que ainda dançaremos a “nossa música” nos bailes da terceira idade, com aquele olhar, como se estivéssemos nos encontrando pela primeira vez. Talvez seja isso. Mas se não for, existem outras maneiras de se amar.

Conheço pessoas que amam profundamente outras, mas que não sabem ou não conseguem demonstrar isso da maneira como nós gostaríamos. São pessoas travadas, cheias de medos e angústias. Mas nem por isso gostam menos ou mais.

Por outro lado, conheço pessoas que dizem amar tão ensandecidamente o outro que chega a ser egoísta e sufocante. E conheço também quem é capaz dos gestos mais mesquinhos e egoístas com pessoas por quem nutre os mais belos sentimentos.

E, pra fechar, conheço muita, muita gente que confunde os sentimentos mais desconexos com amor. No geral, as pessoas ainda têm muito a aprender sobre o que é isso.

Nem Nelson, nem Vinícius. Eu sou mais o Amadeu.

E entre as amigas que vivem o dilema de viver ou não sem paixão, eu ainda prefiro a minha amiga Verinha, que diz: "Já me apaixonei e desapaixonei pelo meu marido milhares de vezes. Se eu fosse contar, ficaria louca... mas a gente segura a onda!"

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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