Gisele Ribeiro, às 16h18
"Gi, eu quero que ele broche muito". Minha amiga Danielle soltou a frase assim, de sopetão, depois que o namorado-que-não-era-bem-namorado terminou tudo com ela para assumir um namoro com uma garota que ele acabara de conhecer. Foi impossível conter o riso, embora o tom de voz e a cara dela mostrassem que aquele desejo vinha do fundo do coração.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, Danielle continuou: "E não é só isso. Ele pode tomar caixas e mais caixas de Viagra que aquela joça não vai funcionar nunca mais. E se Deus for justo mesmo, as idiotas com quem ele sair ainda vão espalhar pra todo mundo que o &^%$#@ não deu no couro".
Enquanto Dani vai falando, cenas vão-se formando na minha cabeça como no cinema mudo. O namorado-que-não-era-bem-namorado sentado à beira da cama, com as mãos na cabeça, e a frase clássica "Isso nunca aconteceu comigo". O pianista fazendo o fundo musical "tan-tan-tan-tan-taaaaaan". As meninas apontando para ele na balada, rindo, e a legenda: "Ihhh, aquele ali? Não gosta de mulher não!". Tan-tan-tan-tan-taaaaaan. Danielle, com cara de vingada, passa diante dele, esfregando a felicidade e a virilidade do novo namorado em sua cara... Tan-tan-tan-tan-taaaaaan.
Sou trazida de volta à terra pela pergunta da Dani: "Gi, você contaria pra todo mundo, né?". Contar o que exatamente? "Que o cara brochou, ué!". Paro para pensar naquela pergunta. É engraçado como a cabeça do ser-humano funciona em momentos de raiva. Somos capazes dos pensamentos mais torpes: desde imaginar a morte lenta do "inimigo", com requintes de crueldade, até idealizar sessões de tortura chinesa. O problema é quando partimos da imaginação para a prática.
Olho pra Dani, que a essa altura do campeonato já se imaginava espetando pedacinhos de bambu sob as unhas do pé do infeliz, e digo: "Contar eu não contava, mas que eu rogava a praga, aaaah, isso eu rogava".
