It is all about girls... or men

24.07.06

Morte ao cuti cuti em público

Red's, às 16h11

Eu sou uma defensora de fogueiras em praças para casais que insistem em levar a público o seu tratamento mais íntimo, seus apelidos fifonhos, a vozinha de criança retardada, etc. São coisas que me deixam envergonhada. E não adiantam minhas preces para que um terremoto atinja o planeta e que uma imensa fissura se abra no chão, de forma a me levar embora para o centro da Terra, livrando-me da situação constrangedora.

Há um tempo estávamos em um grande grupo numa mesa de bar, falando sobre amenidades, bebendo e rindo. E um amigo nosso, de namorada recente, estava na mesa parecendo abelha em cima do pão de mel na padaria. Até aí, dane-se. O problema foi a hora em que aconteceu aqueles intervalos de silêncio, e a voz do rapaz ecoou pelo bar:

- Dá bêzo! Dá bêzo! Tô mandando!

E tem também a história de um amigo meu, a quem vamos chamar de Schlebts, que era uma pessoa ótima, divertida, inteligente, até atender ao telefone. Aí ele ia pro canto e ficava miando. Parecia um retardado mental. Consigo imaginar que gastavam uns 40 minutos dizendo "Não, fifuco, desliga você!". Haja fígado!

Há uns tempos eu estava na praia, nadando na piscina do prédio, e um casal novinho estava fazendo graça na outra borda. Eu comecei a pensar em me afogar quando eu ouvia a menina falando feito uma criança de 1 ano: "Ai, tubalão feio! O tubalão vai me modê!"

Apelidos idiotas e comportamentos cretinos, típicos de casais apaixonados, não devem nunca sair de quatro paredes. Jamais. Nunca na presença alheia. A não ser que seja seu pior inimigo e que vocês estejam pensando em induzi-lo ao suicídio.

E tem outra também. Esses tipos de atitude eu até engulo em mulheres, que querem tratar seus homens feito bichinhos de pelúcia. Mas quando um cara imita esse tipo de coisa, é tão ridículo quanto imaginar uma mulher arrotando na mesa enquanto coça o saco. Lembro-me de um cara que não só falava feito retardado, como ainda escrevia no messenger: "Xaudade da minha pincesa."

Com licença, eu vou vomitar e já volto.

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Apelidos carinhosos, pero...

Gisele Ribeiro, às 15h43

Olha o chuchu! Morangos docinhos. Quem vai querer um filé? E uma bistequinha? Se você leu essas frases e imaginou uma feira-livre, enganou-se. Essa combinação de alimentos e sabores faz parte da forma de tratamento de muitos casais. Tudo bem que apelidos carinhosos são quase inevitáveis num relacionamento, mas daí a associar o outro a itens de forno, fogão e geladeira, socorro!

No último final de semana, dois amigos de fora da cidade vieram me visitar. Conversa animada, muitas risadas pra botar o papo em dia e eis que toca o telefone de um deles. Do outro lado da linha, a namorada. Na hora da despedida, o apelido quase inaudível denunciava o apelo gastronômico. Todos que estavam na mesa se entreolharam, abafando o riso. Pouco tempo depois, foi a vez da namorada do outro ligar. E lá estava a voz de cantor de soul do marmanjão reduzida à de uma criança de três anos de idade. Desta vez, ninguém se conteve e a gargalhada foi geral.

Quase fui linchada quando disse que jamais usei desses artifícios para falar com os caras com quem me relacionei. E que nunca deixei que eles me tratassem como um ingrediente culinário e falassem comigo como se eu fosse uma doente mental. Se nem com crianças eu falo como criança, porque faria isso com um adulto? Ainda mais um adulto a quem beijo na boca sem inocência e vou para a cama com quintas intenções.

"Poxa, Gi, mas nem de gatinho você chama os seus namorados", me pergunta Rubens. Não. "Nem faz voz melada?", questionou Deny. Não. E olha que já ouvi reclamações por isso. "Mas dar apelidos carinhosos e mudar a voz faz parte. É compreensível, Gi", diz Felipe.

COMO É QUE É? O que tem de compreensível chamar o outro de "bistequinha", "filezinho" ou "docinho de coco"? Faz parte então, na hora do sexo, vocês imitarem crianças e falarem para suas namoradas que vão gualdar seu caminhãozinho na galagem delas? E vocês devem achar natural, no momento do clímax, dizer -'Isso... vai... não pára, fatia de tender, eu vou gozaaaaaaaaaar'? Ah, tenham dó.

Eu penso que há outras formas mais inteligentes, criativas e eficientes de demonstrar interesse, afeto e desejo. Quando algum namorado começa com essas frescuras, minha reação é imediata. Tiro sarro e faço piadas sem o menor pudor. Do contrário, vou preferir lixar as unhas enquanto ele pensa estar degustando um filé mignon ou brincando de médico com a coleguinha de infância.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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