Red's, às 16h11
Eu sou uma defensora de fogueiras em praças para casais que insistem em levar a público o seu tratamento mais íntimo, seus apelidos fifonhos, a vozinha de criança retardada, etc. São coisas que me deixam envergonhada. E não adiantam minhas preces para que um terremoto atinja o planeta e que uma imensa fissura se abra no chão, de forma a me levar embora para o centro da Terra, livrando-me da situação constrangedora.
Há um tempo estávamos em um grande grupo numa mesa de bar, falando sobre amenidades, bebendo e rindo. E um amigo nosso, de namorada recente, estava na mesa parecendo abelha em cima do pão de mel na padaria. Até aí, dane-se. O problema foi a hora em que aconteceu aqueles intervalos de silêncio, e a voz do rapaz ecoou pelo bar:
- Dá bêzo! Dá bêzo! Tô mandando!
E tem também a história de um amigo meu, a quem vamos chamar de Schlebts, que era uma pessoa ótima, divertida, inteligente, até atender ao telefone. Aí ele ia pro canto e ficava miando. Parecia um retardado mental. Consigo imaginar que gastavam uns 40 minutos dizendo "Não, fifuco, desliga você!". Haja fígado!
Há uns tempos eu estava na praia, nadando na piscina do prédio, e um casal novinho estava fazendo graça na outra borda. Eu comecei a pensar em me afogar quando eu ouvia a menina falando feito uma criança de 1 ano: "Ai, tubalão feio! O tubalão vai me modê!"
Apelidos idiotas e comportamentos cretinos, típicos de casais apaixonados, não devem nunca sair de quatro paredes. Jamais. Nunca na presença alheia. A não ser que seja seu pior inimigo e que vocês estejam pensando em induzi-lo ao suicídio.
E tem outra também. Esses tipos de atitude eu até engulo em mulheres, que querem tratar seus homens feito bichinhos de pelúcia. Mas quando um cara imita esse tipo de coisa, é tão ridículo quanto imaginar uma mulher arrotando na mesa enquanto coça o saco. Lembro-me de um cara que não só falava feito retardado, como ainda escrevia no messenger: "Xaudade da minha pincesa."
Com licença, eu vou vomitar e já volto.
