It is all about girls... or men

26.08.06

Amores efêmeros

Gisele, às 02h09

Todo mundo, quando se apaixona, quer perpetuar o sentimento de algum modo, certo? Seja em declarações públicas de amor, seja em fotografias de momentos felizes, seja escrevendo. Grandes compositores fizeram e fazem isso muito bem. Eternizaram Luizas, Lígias, Anas, Rosas e Ritas em músicas e poemas belíssimos. Quando a página virou, as musas passaram a inspirar o sonho de outros apaixonados e transformaram-se apenas em lembranças para os Chicos, Toms, Vinícius e Edus.

Só que tem gente que adora achar que amores de momento são pra sempre. E fazem questão de demonstrar isso de maneira não muito inteligente. Tenho um amigo que chegou em casa outro dia exibindo, orgulhoso, sua nova tatuagem. Um dragão enorme. O rabo começando na base da coluna e a cabeça terminando um pouco abaixo da nuca. Lindo. Colorido. Gigante. Acompanhei a obra. Os traços finos. Os detalhes das escamas. Coisa de artista cuidadoso. E enquanto eu admirava a pintura, ele me contava das muitas sessões necessárias para finalizar o desenho. "Deve ter doído muito, Mau".

"Até que não, o mais dolorido mesmo fazer os detalhes do nome". Que nome? Onde? Não estou vendo nome nenhum. "Só dá pra ver de longe, Gi". Me afastei e vi, boquiaberta, o nome da mais recente conquista do Mau. Estava lá, entre as escamas, num efeito de alto relevo. Todas as letras, do tamanho do dragão. Não acreditei no que via.

O Maurício é um dos caras mais galinhas que eu conheço. Desses que juram fidelidade eterna no começo da noite para uma e terminam com um pedido de casamento a outra. Seu relacionamento mais longo deve ter durado uns dez dias, se não me engano. E em todos eles Mau se dizia apaixonadíssimo. Todas elas eram "A" mulher da vida dele. Mimava-as, exibia seu lado romântico com flores, bilhetinhos calientes e jantares especiais. Até aparecer outro rabo de saia e ele mudar o foco de suas atenções.

Ao ver o nome da mais nova namoradinha do Mau gravado eternamente em sua pele, perguntei o motivo da façanha e, pela enésima vez desde que o conheço, ouvi dele: "Essa é a mulher da minha vida". Até quando, Mau? Rindo, ele me respondeu citando o poetinha: "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".

Engraçado Mauricio ter citado justamente o Soneto da Fidelidade, uma ode aos amores arrebatadores, mas que, como qualquer romance, pode chegar ao fim. Estou curiosíssima para saber como ele vai se livrar daquele nome enorme gravado nas costas quando, na semana que vem, diante de um encanto maior, seu pensamento se desencantar da atual mulher da sua vida.

Talvez Maurício faça como Ronaldos, Angelinas Jolie e Kelly Keys da vida e recorra a um cirugião plástico ou a outro tatuador para remover ou disfarçar as marcas de um amor esquecido. Se ele tive comentado sua intenção de marcar-se à agulha, teria pedido a ele para esperar pelo menos até o ano que vem, quando tatuagens devem passar a ser feitas com uma tinta especial, que desaparece facilmente e sem deixar vestígios quando submetida a um tipo de laser. Aí sim, essas declarações de amor feitas a sangue e corante poderão ser comparadas não a um poema inesquecível de Vinícius, mas a uma canção efêmera da Cassia Eller, em que o para sempre sempre acaba.

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21.08.06

A culpa é de quem?

Red's, às 12h40

O ser humano tem mania de nunca ser responsável pelos seus erros. A culpa é sempre das circunstâncias ou das outras pessoas. Eu tenho um tio que, não importa o que aconteça, a culpa é sempre da minha tia. Mesmo que ele esteja dirigindo em outra cidade e lá fure o pneu, ele vai dar um jeito de telefonar pra ela, pagar um interurbano e dizer que o acidente ocorreu por culpa dela.

Por que estou dizendo isso? Um comentário feito para o post abaixo chamou a minha atenção. O leitor diz que a culpa pelas investidas canalhas é das mulheres, que vão aos lugares de vestidos justos, decotes e se insinuam para tudo e para todos. Como se isso fosse justificativa para uma atitude grosseira e desrespeitosa de um rapaz comprometido.

Ter uma namorada e dar em cima de outra na mesma festa é algo muito feito de se fazer. Se a outra é uma grande amiga da sua namorada, é pior ainda. É nojento. Agora, se ainda por cima a cara de pau chegar ao ponto de dizer que ela estava vestida assim e assado, e por isso merecia a cantada... pegue sua clava e saia de mansinho, por favor.

Eu gostaria muito que a namorada do cara citado no post, a madrinha de casamento, o chifrasse com o melhor amigo dele e depois dissesse: "Ah, mas o seu amigo ficava andando pra lá e pra cá sem camisa...". Eu queria só ver a reação do galhudo.

Há uns anos o ex-marido da minha amiga (que na época ainda não era ex) teve a cara de pau de aparecer na portaria do meu prédio para dizer que o casamento dele estava falido há tempos, e que ele queria ficar comigo. Foi uma situação totalmente constrangedora, da qual ela só ficou sabendo anos depois. O casamento terminou, mesmo, mas por outros motivos, e foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a ela. Um cara desses, ninguém merece, nem a sua pior inimiga. Pensando bem... ela merece. Mas só ela.

E eu afirmo categoricamente que nunca o provoquei com decotes, vestidos justos, ou sequer me insinuei. Ele agiu assim porque é um canalha desleal. Aliás, essa costuma ser a desculpa dos cafajestes quando as namoradas ou mulheres são alertadas pelas amigas de que ele não vale nada: "Ela morre de inveja de nós, amor", "Você vai acreditar em mim ou na sua amiga?", ou "Ela sempre deu em cima de mim". O pior?? É que esse tipo de coisa costuma funcionar...

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