Gisele, às 16h51
Café da manhã
Local: padaria badalada na Vila Madalena, em São Paulo
Tempo: uma hora
Personagens: casal de namorados
Cena: Ele passa o tempo todo mexendo num palmtop e sequer olha para a companheira. Nem percebe as várias vezes que ela vai ao bufe. Quando resolve falar alguma coisa, é para comentar sobre uma das funções interessantíssimas do novo brinquedo. O tédio estampado no rosto dela é indisfarçável.
Tarde
Local: deck de piscina de um resort para casais em Nassau, Bahamas
Tempo: cerca de meia hora
Personagens: recém-casados
Cena: Ela tenta levar o gajo para dentro da água, mas ele está mais interessado em seu lap top. "Just a sec, honey. I'm almost done. Just one more e-mail". Ela ainda o lembra de que estão em lua-de-mel, mas ele diz que precisa limpar sua caixa de entrada, porque não quer ter e-mails acumulados quando voltar para casa. Ela vai para a praia sozinha.
Noite
Local: restaurante japonês em Miami
Tempo: 48 minutos contados no relógio
Personagens: marido e mulher
Cena: Casal senta-se à mesa, o garçom traz o cardápio e pergunta se querem beber algo. O telefone toca, ele atende sem fazer o pedido. Ela, educamente, pede desculpas e diz ao garçom que ainda não escolheram. Alguns minutos depois, ele desliga o telefone, chama o garçom e pede as bebidas. O telefone toca novamente. O garçom traz as bebibas e pergunta -a ela- o que vão comer. Mais uma vez, ela diz não estar pronta. E fica esperando por quase meia hora, que o acompanhante largue o telefone. Quando eles finalmente pedem a comida e ela vai iniciar uma conversa, o telefone dele toca novamente.
Presenciei as três cenas acima num intervalo de dez dias. Minha vontade, em todas as ocasiões, era dar uns tabefes na orelha desses caras e dizer para as meninas cuidarem de procurar alguém mais cavalheiro.
É muita falta de educação, consideração e respeito sair com alguém -namorada, irmã, amiga, colega de trabalho ou mulher- e, em vez de curtir a companhia, distrair-se com brinquedinhos eletrônicos ou com jogos de futebol ou lutas transmitidas em alguns bares. Tudo tem hora e lugar e falta "senso de noção" a muita gente.
Ninguém precisa ser atencioso com o outro 100% do tempo, mas ignorar a companhia durante um encontro é um pouco demais. Se é para protagonizar cenas como as descritas acima, melhor ficar em casa. Bem fez a mulher do restaurante japonês que, na terceira vez que o marido atendeu o telefone, levantou-se da mesa e foi embora. Bravo!
