Gisele, às 22h50
Sempre que me perguntam se eu prefiro sair com o cara bonzinho ou com o cafajeste, respondo, sem pestanejar, que prefiro o segundo tipo. Diante do espanto dos meus interlocutores, costumo explicar que pelo menos sei com quem estou lidando e é sempre uma grata surpresa quando o fulano a quem não damos um tostão furado acaba superando as nossas expectativas e se revelando um cavalheiro.
No final de semana passado, o assunto veio à mesa, trazido por uma discussão com um amigo sobre o papel do homem no primeiro encontro: pagar ou dividir a conta com a pretendida. Mulheres querem sempre que o camarada pague a conta da primeira noite, muito mais por uma questão de gentileza. Quando elas oferecem-se para dividir com ele, na realidade o fazem por educação ou para testar o cavalheirismo do moço.
Já os homens, segundo o meu amigo, pensam completamente diferente. Eles pagam a conta não por serem cavalheiros, mas porque têm uma segunda intenção . "O objetivo, Gi, é sempre 'eu pago, mas quero te comer'. Não há exceção à regra", disse ele. "E se depois da conta paga, a menina não nos der, é bem provavel que não haja reinvestimento".
Eu já tinha ouvido as histórias mais estapafúrdias sobre essa característica masculina de só pensar em comer as mulheres, mas esta ganhou o troféu Revelação do Ano, pois coloca bonzinhos e cafajestes no mesmo patamar. Se não há exceção à regra, isso quer dizer que não existe cavalheirismo, gentileza e educação neste mundo? "Ah, Gi, claro que existe, mas aí a coisa já terá passado do terceiro encontro e virado namoro". Depois de ouvir o segundo absurdo do dia, achei melhor ficar quieta. ![]()
