It is all about girls... or men

24.11.06

Vítima? Eu?

Red's, às 16h59

Vocês já foram enganadas por um cafajeste? Já pegaram pela frente homens mentirosos, que usaram discursinhos galanteadores para arrastá-las para cama, e depois desapareceram sem ligar no dia seguinte?

Se a resposta é "sim", respondam a mais esta pergunta: vocês foram a um site "denunciá-los"?

Sejamos francas: ninguém coloca um "perfil" com foto de um cafajeste com o intuito tão generoso de alertar as próximas vítimas. O que se pretende é denegrir a imagem do cara para tentar curar o seu próprio orgulho ferido. Se o cara vale tão pouco, por que se gasta tempo e energia fazendo esse tipo de coisa?

Mulherada, por favor me desmintam se eu estiver errada. Mas nenhum homem legitimamente cafajeste, daqueles que não respeitam nada e nem ninguém, consegue se vestir numa pele de cordeirinho. Não se faz de bom moço para casar com tanta perfeição. Todo canalha tem um letreiro piscando na testa, ou então tem uma conversa tão cheia de clichês que só engana quem está a fim.

Os cafajestes não têm muito tempo a perder. Não podem ficar um longo período tentando te convencer a transar com eles, pois imaginam que nesse período eles poderiam estar pegando várias outras desavisadas que dariam menos trabalho. Então logo no primeiro encontro eles já vão soltando todo o seu rosário de frases feitas, que eles chamam de "tudo o que uma mulher quer ouvir". Ou seja, dizem que ela é especial, dão a entender que estão prontos para um compromisso, se fazem de bons moços, pra casar, etc. Se a mulher cai na primeira, ou é inocência ou ela quer acreditar piamente que "com ela será diferente".

Os galinhas que só querem sair por aí pegando todas as mulheres que vêem pela frente, em sua maioria esmagadora, são de uma superficialidade de arrancar pedaço. Só se dão bem com moças de cabeça semelhante: "Ele é bonito, gostoso e diz que gostou de mim!", é o que elas precisam pensar para cair nas garras. Se a mulher pensasse por mais cinco minutos, teria chutado a fuça do cidadão representante da classe e dado as costas, ao invés de cair nos braços dele, já se imaginando de véu e grinalda na porta da igreja.

Portanto, salvo raras exceções, eu não acredito em "vítimas" de cafajestes. Acredito que as mulheres sabem onde estão se metendo, mas preferem não dar ouvidos a elas mesmas. Ninguém pode levar a sério "promessas de amor" de um cara que está saindo com você há uma semana. Não é possível que, após tantas conquistas na sociedade, ainda temos a cara de pau de dizer que caímos inocentemente em conversinhas clichês.

Seria interessante se, ao invés de mulheres "denunciarem" perfis de homens canalhas que as desprezaram, elas dissessem aos outros, com ar de superioridade: "Dei porque quis, foi bom e dane-se!" E pronto. Sem drama!

Pra quê tanto escândalo e desilusão por caras assim? Será orgulho ferido, por não admitir ser chutada? Colocar "perfis" dos canalhas em um site, com a desculpa furada de solidariedade feminina, mostra apenas que a mulher ainda se incomoda, que ainda dá importância a um cara que ela diz ser o pior dos seres humanos. Se fosse mesmo, em tese ela deveria dar graças a Deus, porque um mulherengo mentiroso do lado ela não iria querer. Ou iria?

E convenhamos: ninguém morre por ter dormido com um cara que não presta. No dia seguinte é só continuar a vida, se olhar no espelho e aplicar um auto-tabefe. Se fizer a burrada de novo, aí você mereceu, minha filha. Tente a palmatória dessa vez.

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A tentação do capeta

Red's, às 14h11

Vocês já ouviram falar do site "Não saia com ele"? Pois é, trata-se de um veículo de "divulgação" de cafajestes, onde as mulheres podem denunciar os bofes canalhas, para que outras garotas não sejam "enganadas" pelo papo de lobo-mau, assim como elas.

Enfim, sem entrar no mérito de considerar o site um serviço de utilidade pública ou um local onde mulheres desprezadas vão praticar vingancinhas contra os caras considerados malévolos porque não as quiseram mais, eu encontrei um depoimento sublime, de uma senhora de família, temente a Deus, que conseguiu superar todos os obstáculos e ainda foi ao site denunciar o criminoso. Trata-se de um rapaz tão bonito que eu tenho certeza que todas as leitoras deste blog vão largar tudo o que estão fazendo neste momento e embarcar para a cidade de Lauro de Freitas, na Bahia, para tentar dar uma volta com o Felisberto (o malévolo) na praça, assim como fez a pobre vítima, de nome Acássia.

Eis aqui o depoimento, na íntegra (e sem correções) da mãe de família:
"esse sujeito de nome ridiculo eh da minha igreja, mas dizem que antigamente ele ia num candomble. um dia que meu marido ficou em casa com nosso filhinho, pq tava com o pé engessado, ele me chamou pra ir na pracinha e depois foi me dar carona e no caminho ele conseguiu o q queria (vcs podem imaginar o q). e tem umas mulheres da igreja q gostam de falar da vida dos outros (deus q me perdoe), e não sei pq acham q eu q sou apaixonada por ele!!!!!! se desde o ano passado ele ficava olhando pra mim, e eu fingia q não via! agora ele nem chega perto de mim. e meu marido ouviu umas fofocas e brigou cmg, mas graças a deus, passou, ainda estamos juntos e felizes, eu amo minha familia. não saiam com esse homem, ele só pode ser uma tentação do capeta!!!"

Sim, sim, eu sei. Tal depoimento dispensa qualquer comentário. Mas eu não vou perder a oportunidade.

- Ela vai para a praça chifrar o marido e ELE é o cafajeste, com quem as mulheres não deveriam sair?

- A dose de machismo no comentário dela é gigantesca. "ELE conseguiu o que queria". E ela queria o que?? Fazer um piquenique na praça?

- Para reforçar a imagem de que ele é um enviado do demônio, ela ainda diz que "antigamente ele ia num candomblé". Mas ela, tão pura e religiosa, vai à igreja e tudo mais, e chifra o marido com um feioso na pracinha, enquanto o corno fica em casa cuidando de criança. Ah, se o demônio tivesse que escolher alguém...

- As "fofoqueiras" da igreja, segundo ela, ficam dizendo que a pobre vítima é apaixonada pelo algoz. "Não sei por que", diz a coitadinha. É, nem eu. Não faço idéia de onde essas cobras venenosas poderiam tirar essa idéia tão descabida! Que coisa essa gente maldosa, né?

- O marido ouviu as fofocas e brigou com ela. Ele só brigou com ela porque deu ouvido às fofoqueiras, e não porque ela saiu com outro.

- O tal Felisberto deve ser uma tentação do capeta, mesmo! Para ela ir a um site denunciá-lo, ela deve ter é ficado MUITO brava pelo fato de ele não querer repetir a dose.

- Nos comentários deste post, ela diz uma hora que já contou ao pastor da sua igreja que sofreu uma tentação do demônio, e que o pastor a perdoou. Eu queria ver se ela fosse a mulher dele, se o pastor repetiria as "palavras de Deus" nessa hora. O marido dela, que deveria ser o autor do perdão, desfila por aí com a cabeça enfeitada sem saber de nada. Sensacional!!

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20.11.06

Fauna noturna

Gisele, às 14h32

Ahhhhh, nada como uma visita noturna a zoológicos humanos. Você encontra animais de todas as espécies: perus, gatos, tigres, garanhões, galinhas, cachorros, zebras, gazelas, gorilas, carcarás, répteis. Todos eles à solta, andando sozinhos, em pares ou em bandos, procurando. No meio de toda essa babilônia, ainda há os observadores, cujo objetivo é anotar pedidos, levar recadinhos, alimentar a fauna e tecer comentários sobre os mais variados assuntos. De preferência, que envolvam o comportamento desses seres tão peculiares.

Em um ambiente em que a concentração populacional excede qualquer índice de salubridade concebível e essa fauna convive pacificamente, difícil dizer quem é caça e quem é caçador. Todas as espécies estão ali, esperando o melhor momento para o ataque. Há uma mistura de feromônios com odores em excesso no ar: colônias baratas, fumaça de cigarro, perfumes caros, desodorantes vencidos, e bafos, muitos bafos: álcool, fritura, chiclete de tuti-fruti, chiclete de menta, mau-hálito, fruta passada, canela... Fêmeas no cio. Machos idem (como se esses nunca estivessem).

Minha amiga Dani e eu fazemos parte da turma dos observadores -ou, dependendo do ponto de vista, de alguma das espécies citadas acima. Chegamos a um bar da Vila Madalena sem saber que ali era point de paquera. Queríamos apenas beber numa véspera de feriado, chorar nossas mágoas, falar mal dos homens das nossas vidas, rir um pouco de nós mesmas, mas nos vimos rodeadas por ternos, gravatas cor-de-rosa-bebê, bonés, regatas, camisetas, blusas tomara-que-caia, blusas de um ombro só, alcinhas, jaquetinhas, mini-saias, calças capri, vestidos de festa, tênis, papetes, scarpins de salto metálico, cabelos chapeados, enrolados, desgrenhados, espetados, com rabos-de-cavalo. Acessórios discretos e outros dignos de alegoria de escola de samba.

Da nossa mesa em local privilegiado, onde podíamos ver a entrada e todas as dependências do zôo, a noite foi ficando cada vez mais interessante. Os tigres em bando, três na mesa da frente, quatro nas mesas ao lado, faziam um corredor polonês da entrada ao bar. Ali, eles escolhiam cuidadosamente suas presas. Cada espécime que passava, sussurros cobiçosos, olhares desdenhosos, comentários maldosos, gestos desejosos. Ao fim da confabulação a atenção deles voltava-se para o copo de chop e a próxima presa em potencial. E assim foi até o surgimento de uma gazela tomara que caia. Cabelos longos, ancas avantajadas dentro de uma calça jeans anti-respirante, ela parou no meio do caminho. Ou melhor, na cova dos leões, para usar o trocadilho.

Quanto mais olhares e comentários percebia nas mesas cobiçosas, mais a gazela se empinava. Diante do truque da suposta caça, os tigres sucumbiram como presas fáceis. Mas, na queda de braço para ver quem atacaria primeiro, eles acabaram ficando na vontade. Um bando de leopardos, do outro lado do corredor, foi mais rápido. E a gazela, acompanhada de uma perua loura e cintilante, acabou virando presa por vontade própria.

Nessa, Dani e eu nos sentimos como hienas. Ríamos muito, com a cumplicidade do garçom que nos servia. Já havíamos visitado vários zoológicos humanos, nenhum tão variado quanto este. Deixamos o local nos perguntando o que faz as pessoas saírem de suas casas ou de seus trabalhos rumo a um boteco -vejam bem, um BOTECO - vestidas como se fossem para uma festa de casamento. Ou, como comentamos a caminho de casa, vestidas para matar.

Uma das figuras da noite, por exemplo, usava um decote nas costas que mostrava até a cor da calcinha. Vermelha, por sinal. Tenho cá prá mim, que isso é solidão. Ou, quem sabe, vontade de encontrar alguém. Nem que seja para brincar de caça e caçador apenas por uma noite. E começar tudo de novo no dia seguinte, como fazem todos os animais irracionais que seguem somente os seus instintos.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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