It is all about girls... or men

02.12.06

Sim, eu sou papa-anjo. E daí?

Gisele, às 10h44

Uma das coisas mais irritantes na sociedade é o preconceito. De raça, de cor, de sexo. Qualquer tipo me deixa maluca, e eu fico pensando por que é tão difícil para certas pessoas aceitar as diferenças. Será mesmo que eles acreditam que vão para o céu só porque acham que gays são anormais, ou negros deveriam ficar numa escala inferior da sociedade, ou pobres deveriam continuar sendo estigmatizados?

Bom, mas não estou aqui para me alongar nessa discussão. Não é o objetivo deste blog. Cada um que viva com a sua consciência mesquinha. Minha questão é: vivemos numa sociedade machista e conservadora. É fácil aceitar um relacionamento entre homens mais velhos e mulheres mais novas, mas o contrário é completamente condenável. Muita gente achou ótimo que Marilia Gabriela e Reinaldo Gianecchini terminassem seu casamenteo de oito anos. Afinal, como um gato daqueles, muitos anos mais novo, poderia ficar com uma velha como ela?

Tenho sido vítima desse tipo de preconceito ultimamente. Meu namorado é alguns bons anos mais novo, com cara de muitos anos mais novo. Ele não vê o menor problema em estar saindo com, digamos, uma coroa. Eu, como objeto de seu desejo, muito menos. O problema é que cada vez que saímos de mãos dadas às ruas, ou trocamos carinhos e beijinhos, como fazem todos os casais de namorados, somos dardejados por olhares recriminadores e apontados por dedos julgadores.

Semana passada, no cinema, a mesma coisa. Mas o mais difícil de engolir foi o olhar acusador de um senhor barrigudo, careca e de cabelos brancos, que estava acompanhado da "companheira", uma moça com idade para ser neta dele. Ué, quer dizer que os tiozinhos podem sair com suas gatinhas normalmente, e uma mulher e seu gatinho não?

Antes de julgar o comportamento do outro, as pessoas deveriam olhar para o espelho. Será que elas são mais felizes dentro do que julgam ser normalidade? Tenho certeza que não. Só sei que eu não troco a minha "anormalidade" por nada deste mundo, e não será para alimentar a mediocridade desses tipos mal-comidos e mal-resolvidos que eu vou esconder minha felicidade entre quatro paredes.

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28.11.06

O homem-quase

Gisele, às 04h10

Flavinha, colaboradora bissexta deste blog, saiu-se com essa no nosso último encontro. "Gi, sabe qual a categoria de homens que eu mais detesto? É aquele que está muito perto de, mas nunca chega lá. É o cara-quase".

Tudo bem, já havíamos tomado algumas caipirinhas e estávamos entrando no campo das bobagens etílicas, mas um ponto de interrogação deve ter aparecido na minha testa quando ela mencionou a novidade. Flavinha foi logo explicando: "O homem-quase é o carinha que é quase perfeito, quase bonito, quase legal, quase confiável, quase melhor amigo, quase cafajeste, quase bonzinho, quase corajoso, quase inteligente, quase gostoso, e, provavelmente, quase bom de cama. Mas aí é que está. Ele não é de fato, está só perto de ser. É... quase".

Começamos a citar os homens-quase que haviam passado por nossas vidas e aqueles que ainda fazem parte delas. Ficamos espantadas em como a lista ganhou volume rapidinho, sem fazermos muito esforço e sem forçarmos a barra para colocar ali alguns dos nossos desafetos pessoais. Os homens-quase se revelaram mais comuns do que imaginávamos. Eles estão por toda parte. Em casa, no trabalho, nas ruas, nos bares, nos restaurantes...

Se fôssemos pôr no papel também os bons-moços (assim mesmo, com o hífen e toda a ironia que o substantivo representa) e os tudo-de-bom, o resultado comparativo certamente penderia para a lista dos quase.

É engraçado como quando apaixonados ou amicíssimos nos enganamos voluntariamente com as qualidades e deixamos passar batido os defeitinhos irritantes que transformam alguém em uma pessoa-quase. E antes que os moços aqui reclamem que o conceito não pode ser aplicado somente a seres do sexo masculino, já vou avisando. Há muita mulher-quase também, ainda mais na era da cirurgia plástica, dos cabelos alisados à formol, das unhas postiças e das batinhas que escondem pneuzinhos e barriguinhas.

Não acho que seja possível identificar de cara uma pessoa-quase. Isso, só a convivência diária e a decepção ao longo de um relacionamento é que pode nos ensinar. Mas o fato é que, depois desses momentos de reflexão com minha amiga cheia de teorias, vou começar a prestar mais atenção em certos padrões que possam indicar que o príncipe encantado não é nem sapo nem homem. É... quase.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
mia, mas o que amamos mesmo é observar as pessoas e contar seus causos de forma divertida.

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