Gisele, às 10h44
Uma das coisas mais irritantes na sociedade é o preconceito. De raça, de cor, de sexo. Qualquer tipo me deixa maluca, e eu fico pensando por que é tão difícil para certas pessoas aceitar as diferenças. Será mesmo que eles acreditam que vão para o céu só porque acham que gays são anormais, ou negros deveriam ficar numa escala inferior da sociedade, ou pobres deveriam continuar sendo estigmatizados?
Bom, mas não estou aqui para me alongar nessa discussão. Não é o objetivo deste blog. Cada um que viva com a sua consciência mesquinha. Minha questão é: vivemos numa sociedade machista e conservadora. É fácil aceitar um relacionamento entre homens mais velhos e mulheres mais novas, mas o contrário é completamente condenável. Muita gente achou ótimo que Marilia Gabriela e Reinaldo Gianecchini terminassem seu casamenteo de oito anos. Afinal, como um gato daqueles, muitos anos mais novo, poderia ficar com uma velha como ela?
Tenho sido vítima desse tipo de preconceito ultimamente. Meu namorado é alguns bons anos mais novo, com cara de muitos anos mais novo. Ele não vê o menor problema em estar saindo com, digamos, uma coroa. Eu, como objeto de seu desejo, muito menos. O problema é que cada vez que saímos de mãos dadas às ruas, ou trocamos carinhos e beijinhos, como fazem todos os casais de namorados, somos dardejados por olhares recriminadores e apontados por dedos julgadores.
Semana passada, no cinema, a mesma coisa. Mas o mais difícil de engolir foi o olhar acusador de um senhor barrigudo, careca e de cabelos brancos, que estava acompanhado da "companheira", uma moça com idade para ser neta dele. Ué, quer dizer que os tiozinhos podem sair com suas gatinhas normalmente, e uma mulher e seu gatinho não?
Antes de julgar o comportamento do outro, as pessoas deveriam olhar para o espelho. Será que elas são mais felizes dentro do que julgam ser normalidade? Tenho certeza que não. Só sei que eu não troco a minha "anormalidade" por nada deste mundo, e não será para alimentar a mediocridade desses tipos mal-comidos e mal-resolvidos que eu vou esconder minha felicidade entre quatro paredes.
