It is all about girls... or men

22.12.06

As "amizades"

Red's, às 19h01

Eu aprendi a minha vida inteira a ter amigos homens. Amigos mesmo. Quando eu era criança, jogava futebol com eles, e em alguns momentos brigava e rolava pelo chão, trocando bofetadas.Depois, amigos de adolescência (que duram até hoje!), amigos de faculdade, amigos do trabalho, amigos e amigos. Mas, como a própria palavra diz, A-MI-GOS. Porque hoje, pelo que eu posso perceber pela maneira como o povo anda se comportando por aí, para eles a definição de amigo é: pessoa que você pode dar uns pegas quando não está fazendo porra nenhuma. No meu caso, eu me refiro a amigos no sentido original da palavra.

Com meus amigos eu já fui ao cinema, para a balada, para o bar, e até mesmo para viagens. Já ficaram na minha casa assistindo filmes e falando merda, e eu também já os visitei em suas respectivas residências. Nunca, nunca mesmo passou pela minha cabeça ter nada com eles. Amigos são amigos, e acabou. Amigos não foram feitos para sentir nada além de amizade. Esse negócio de misturar amizade com sacanagem só dá problemas.

Justamente por isso eu posso dizer que tenho conhecimentos aprofundados sobre uma amizade entre homens e mulheres. Sei apontar quando um cara é seu amigo ou quando ele está só se fazendo de amiguinho pra te comer, e sei perfeitamente quando uma amiga é apenas sua amiga, ou quando ela está com a periquita batendo palmas, doidinha pela primeira oportunidade em que você a jogará na parede e a chamará de lagartixa.

Vamos combinar aqui: amigos se tratam como amigos. Claro que podem chover comentários com histórias em que "não é bem assim", mas são exceções das exceções. Amigos que se tratam com brincadeirinhas de ficantes e namorados, pode apostar: uma hora vai dar merda. Amigos que ficam trocando carinhos, dando beijinho, deitando no colinho (ou mesmo sentando), ah, não vem que não tem! Isso pra mim é tesão enrustido. Pelo menos de uma das partes.

Tá, podem dizer que eu estou generalizando, etc e tal. Eu não sou psicóloga, eu não sou especializada em relacionamentos, eu não estudei as apostilas sobre "A vida sexual entre amigos", nem nada disso. Estou falando como ser humano. E como mulher, é claro. Como mulher que tem centenas de amigos homens e sabe exatamente como a banda toca. E mulher que conhece outras mulheres, sabe do que elas são capazes, e consegue captar de longe uma vaca fura-olho que está tentando bancar a engraçadinha pra cima do seu macho.

Eu, "a nível de" amiga de seres do sexo masculino, sou capaz de atender telefonemas deles no meio da madrugada para ouvir lamentações porque levaram pés-na-bunda ou porque se meteram em encrenca e estão na delegacia. Tudo muito natural. Mas jamais me verão enviando torpedos para eles dizendo "Oiiiiii, queria apenas te desejar um bom dia e te deixar um beijinho!". Ainda mais se eu sei que eles namoram. Isso é vontade de dar!

Desconfio também das "amigas" que só ficam se lamentando. "Ai, meu relacionamento está péssimo!", "Ai, me sinto tão sozinha!", "Ai, meu ramster se suicidou hoje!", "Ai, eu estou querendo seu colinho e, em seguida, quero trepar com você!". Mistura a técnica do "Eu estou sofrendo" com a Técnica do Dedinho. Malditas!

Ódio! Muito ódio!

Mas o pior não são as pseudo-amigas que fazem isso. O que me deixa louca da vida, a ponto de querer enforcar um, é a recusa do cara em admitir que isso não é amizade nem aqui e nem na casa do @#$@#$!@!

"Como você é maldosa! Ela é só minha amiga!"

Ah, é? Então quero ver se ele vai achar engraçadinho eu mandar torpedo para meus amigos homens dizendo que estou com saudades, mandando beijos a troco de nada. Aliás, vou começar a falar com eles miando, gemendo, fazendo vozinha de gato ronronando, cheia de cuti cutis. E eu direi, com a cara de pau mais lavada deste planeta, que "magiiiiiiiina, eles são só meus amigos..."

Gente, é sério!! Ou ele acredita nisso e merece tratamento de choque nos pés, pra ver se acorda, ou ele gosta da sebenta alisando o ego. Não existe outra alternativa! Mas não adianta eu reclamar. Eu sempre serei a histérica desconfiada da história. "Ah, só você pode ter amigos homens?", eu ouço. Siiiiiim, eu posso! Meus amigos homens não me mandam torpedos melados, nem me tratam com bilu-bilu, cheios de pega-aqui e faz-cafuné-ali. Se fizerem isso, eu vou mandá-los à merda. E vou admitir publicamente: "ELE QUER ME COMER!", ao invés de defender o sem-vergonha, dizendo: "Ai, amor, que idéia! Ele só está sendo gentil!"

Mas nãããão! Ela, a carinhosa mor, o açúcar em pessoa, é apenas "amiga". Ela só falta atrair um formigueiro, de tão melada, a ponto de fazer inveja às abelhas, mas é só "amiga". Ai, eu mereço! Muita calma nessa hora! MUITA CALMA, PORQUE EU FICO PUTA DA VIDA MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESMO!

Aliás, um amigo meu ligou pra mim há uns dias dizendo que tinha terminado o namoro de dois anos. Estava sofrendo feito um cão sarnento. Tinham brigado por causa de um "amigo" dela, que simplesmente era um chiclete grudento, e que ela insistia em dizer - no começo, na boa, e nos últimos momentos, aos berros histéricos - que era apenas um cara muito legal, um amigo do peito, e nada mais.

- Mas será que não é amigo mesmo, Flávio?
- Não é. Eu sei como é um amigo. Amigo é o que eu sou em relação a você. Eu não ajo daquele jeito!
- Ah, é... faz sentido.

Eu  já tinha visto o tal "amigo", um dia em que todos fomos comer pizza no shopping, antes de ir ao cinema. Achei o cara meio baba ovo demais da menina, mesmo. Não deu em cima dela, mas babava ovo na cara dura, na frente do meu amigo, então namorado dela. Mas eu, tola e crente na bondade humana, disse: "Ah, relaxa, cara, ele é um babaca. Ela gosta de você!" E disse que era questão de tempo para eles voltarem, se acertarem e ficar tudo bem.
 
Foi o conselho mais idiota que eu já pude dar a alguém. Na semana seguinte, ele me ligou de novo. Estava soltando fogo pelas narinas. "A filha da puta está namorando com ele! Ela está! VACA!". Eu tentei cogitar a possibilidade de ele ter se enganado, mas não. Ela simplesmente ligou pra ele e disse que estava namorando o "amigo", garantindo que tinha rolado após o término do namoro. Mas até aí, que diferença faria, não é mesmo? O cara simplesmente esperou ela ir chorar no ombro dele o fim do relacionamento para dar o bote. Amigo, é? A-hã!

Vou chutar a parede e já volto!

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19.12.06

Bizarrices da hora H

Gisele, às 15h19

Uma das coisas boas de sair em turma de meninas apenas é que a quantidade de bobagens normalmente ditas cresce exponencialmente com a ajuda descontraída de cervejas e caipirinhas. O tema picante do encontro da semana passada foi a pergunta que um amigo meu havia me feito: "Gi, qual a coisa mais bizarra que você já disse ou escutou na hora do sexo?".

Quando comentei sobre a pergunta, a mesa veio abaixo. Um festival de frases que beiravam o absurdo começou a fazer a nossa alegria. Uma delas contou que estava em carícias orais com o amado e, a determinada altura da excitação mútua, soltou um "OOOOOOHH". O gajo, brasileiríssimo, completou: YESSSS. "Parecia um filme pornô. Não aguentei e caí na gargalhada. E lá se foi o clima".

Outra amiga disse que um ex-namorado tinha mania de gritar ODIIIIIIN quando gozava. "Se eu não tivesse um leve conhecimento de mitologia nórdica, eu teria achado que o camarada era gay ou maluco. Nem preciso dizer que o namoro não durou muito, porque quando a hora ia chegando eu já começava a gargalhar esperando a entrada vitoriosa daquele deus barbudo, com bigodes longos, cabelos desgrenhados, chapéu com chifre e uma barriga enorme de Obelix".

Pronto, bastou isso para as divagações pularem dos mitos para a seara dos santos. Nossa Senhora, Santa Rita de Cássia, Santo Antônio, Jesus Cristinho e um rosário inteiro de entidades divinas... todos eles saíram do solo sagrado para o terreno dos pecadores na hora sublime em que, como definiu um amigo no dia seguinte, a alma dos homens costuma bater um papo direto com o Todo-Poderoso.

Mas a história mais engraçada da noite, sem dúvida, veio de uma das meninas nem mais tão menina assim. Ela contou que o ex-marido, maníaco por futebol, tinha o hábito de gritar a escalação da seleção brasileira de 70. "O volume aumentava à medida que o gozo se aproximava. O casamento durou quatro anos e eu, que odeio futebol, ainda sei quem jogou a copa de 70: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Pelé, Tostão e Rivellino".

Ao recitar a escalação da máquina brasileira de jogar futebol (sim, a seleção de 70, dos sonhos, a melhor de todos os tempos, era perfeita), minha amiga levou pra casa o troféu das esquisitices de alcova. E, claro, todo o nosso respeito.

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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