Red's, às 15h50
Não acredito em coincidências. Poucos dias após a divulgação do "Guia prático do não-xaveco", dei de cara com um artigo escrito pela jornalista Rosana Braga, cujos tópicos sobre relacionamentos são sempre muito interessantes. Extraí, portanto, este pequeno trecho, para reforçar o que foi dito no post anterior.
"É preciso amadurecimento e autopercepção para notar a diferença entre ‘demonstrar o que se sente’ e ‘mendigar o amor do outro’ – coisa que nunca defendi e nem pretendo fazê-lo agora; tanto que, numa outra ocasião, escrevi “O outro tem o direito de não gostar de você!”.
Tem muita gente confundindo ‘ser sincero’ com ‘ser inconveniente’; pessoas agindo sem dignidade em nome não de um amor, mas de uma obstinação infantil e neurótica. Quando digo que precisamos começar a admitir mais o que sentimos, não estou dizendo que devemos empurrar esse sentimento ‘goela abaixo’ do outro, nem implorar, esgoelar-se, fazer chantagens ou mendigar afeto.
Se o outro disse ou demonstrou que não quer, que não pode retribuir o amor que sentimos, o mínimo que podemos fazer é respeitá-lo e – sobretudo – tentar manter nossa autoridade moral diante deste ‘não’. Acontece que aí está outro tênue limite: a diferença entre ‘comportar-se de modo digno’ e ‘agir movido por um orgulho despeitado’."
Bem, diante disso, dou o caso por encerrado. Xavecar é uma coisa. Pentelhar o alheio é outra. Acreditar que insistir de forma inconveniente - até que a outra pessoa ache que não seria má idéia contratar um pistoleiro para te matar - pode fazer com que ela mude de idéia e passe a te amar de paixão é uma alucinação.
