Red's, às 20h32
"A mulher que diz que tamanho não faz diferença é uma tremenda mentirosa".
Já vi mulheres cantando de galo com essa pérola. Para elas, homens bem dotados fazem toda a diferença. Já vi uma modelo e atriz dizer, em uma entrevista, que sequer olharia para um homem que não tivesse "volume nas calças".
Eu nem iria comentar esse assunto batidíssimo, não fosse o telefonema que recebi ontem de uma amiga minha que foi passar o feriado de Páscoa em lua-de-mel com seu bofe novíssimo em folha. O diálogo engrandecedor foi mais ou menos este:
Eu: E aí? Passou bem a Páscoa?
Ela: Passei.
Eu: Curtiu o namorado?
Ela: Curti.
Eu: Então por que você está tão monossilábica?
Ela: Ah... é que... sei lá.
Eu: Não está empolgada?
Ela: Não é isso. É que ele é um tripé. Pronto, falei.
Alguém tinha dado a ela o sábio conselho de comentar nada sobre os dotes do moço, para não despertar a inveja da mulherada. Mas ela estava angustiada. Chegou de viagem toda dolorida e estava pensando no que ela faria dali em diante. Ela está toda apaixonadinha, mas me contou que em alguns momentos teve que jogar um balde de água fria na empolgação do rapaz, porque duas num dia só nem pensar. Ela ficava inteira esfolada.
Eu: Mas é tão grande assim?
Ela: Ele é um assassino, isso sim. Devia trabalhar perfurando buracos do Metrô.
Demos risada e desligamos. Em seguida, mandei um e-mail para outra amiga minha, que costuma ser uma apreciadora voraz de sexo. Contei para ela das peripécias da moça e seu rapaz de três pernas. Eis o que ela me responde:
"Aaaah, só de pensar nisso meus dedos do pé encolhem. Quando eu namorava o Ricardo, era muito bom na hora. Quando terminava, eu tinha a impressão que tinha passado um trator em cima de mim. Ficava mancando! Chegava a machucar."
Pior foi uma outra colega que contou-me que chegou a desistir de um rapaz que ela desejava de longa data, porque foi só ele tirar as calças e ela pensou: "Preciso inventar uma panela no fogo e sair correndo!"
"Foi algo surreal, nunca vi nada mais absurdo que aquilo", ela me contou, numa das viagens de elevador que fizemos, não se importando com a presença de pessoas de outros andares que ouviam a descrição. "Não havia a menor possibilidade daquilo caber em lugar algum. Eu sequer conseguia fechar a mão!", narrava.
Consultada por esta que vos escreve para falar do assunto, uma outra amiga que anda explorando mercados internacionais de homens fez questão de me lembrar, via e-mail, que já foi parar no médico e teve que fazer tratamento para cicatrizar um machucado no útero, resultado de uma tentativa de acasalar com um cara que ela chamava de "aberração da natureza". "Na hora, eu tive a sensação de que o negócio ia sair pela minha garganta!". Mesmo assim, ela admite que pensa em explorar o potencial dos africanos.
Afinal de contas, quem é mentirosa nessa história toda?
