Red's, às 11h41
No post abaixo, acabei esquecendo de citar uma história que é um exemplo clássico. Domingão à noite. Estávamos de plantão no jornal. A lanchonete estava fechada, a máquina de salgadinhos estava quebrada e estávamos começando a adquirir uma coloração esverdeada de fome. O grupo estava reunido para decidir o que fazer com relação ao estômago vazio. Mas todos iam pedir Mc Donald’s e eu não estava a fim do tal lanche, pois eu tinha me entupido das mesmas guloseimas no dia anterior. Até que a Manuela, minha amiga, deu a idéia: - Red’s, o Beto tá vindo pra cá daqui a pouco. O plantão dele começa às 21h. Liga pra ele e pede para ele passar no posto (que tinha uma loja de conveniências Hungry Tiger) e trazer um sanduíche natural pra você. Ótima idéia. Liguei para o celular do colega de trabalho e fiz a sugestão, atendida com muita gentileza. Matei a fome e pronto. No dia seguinte, o Beto me chama no messenger para contar que a gentileza custou-lhe um quebra pau federal. A sua então namorada resolveu achar um absurdo, um abuso de minha parte, ter telefonado para o macho dela e pedir um favor gastronômico. Estava óbvio que eu estava inventando isso para jogá-lo na parede, chamá-lo de lagartixa e depois cuspir os ossinhos. Ela deve ter até ficado impressionada por ele não ter chegado em casa com marcas de chupão pelo corpo e manchas de batom pela roupa toda, descabelado e rastejando. Isso porque a namoradinha em questão nunca tinha me visto na vida dela. Não sabia se eu era linda e maravilhosa, se eu era uma baranga fedorenta ou se eu era freira. Não sabia se eu era ensebada, tinha caspa, graxa nas unhas, mau hálito ou se eu era a Catherine Zeta Jones com o corpo da Sheila Carvalho. O importante ali era: eu queria desesperadamente dar para o namorado dela. Para isso, nem me preocupei em disfarçar: pedi logo para ele trazer um sanduíche, que é a maneira mais rasteira e óbvia que uma pessoa tem de dar em cima da outra sem deixar rastro de dúvida. Sou uma vagabunda, mesmo... Concordam? Mas pelo menos o Beto foi o único dos meus amigos que tomou uma atitude digna diante do ataque de babaquice: mandou-a pastar. Não me olhem desse jeito! EU NÃO TIVE CULPA!
