It is all about girls... or men

15.05.07

Um adendo

Red's, às 11h41

No post abaixo, acabei esquecendo de citar uma história que é um exemplo clássico.

Domingão à noite. Estávamos de plantão no jornal. A lanchonete estava fechada, a máquina de salgadinhos estava quebrada e estávamos começando a adquirir uma coloração esverdeada de fome. O grupo estava reunido para decidir o que fazer com relação ao estômago vazio. Mas todos iam pedir Mc Donald’s e eu não estava a fim do tal lanche, pois eu tinha me entupido das mesmas guloseimas no dia anterior.

Até que a Manuela, minha amiga, deu a idéia:

- Red’s, o Beto tá vindo pra cá daqui a pouco. O plantão dele começa às 21h. Liga pra ele e pede para ele passar no posto (que tinha uma loja de conveniências Hungry Tiger) e trazer um sanduíche natural pra você.

Ótima idéia. Liguei para o celular do colega de trabalho e fiz a sugestão, atendida com muita gentileza. Matei a fome e pronto.

No dia seguinte, o Beto me chama no messenger para contar que a gentileza custou-lhe um quebra pau federal. A sua então namorada resolveu achar um absurdo, um abuso de minha parte, ter telefonado para o macho dela e pedir um favor gastronômico. Estava óbvio que eu estava inventando isso para jogá-lo na parede, chamá-lo de lagartixa e depois cuspir os ossinhos.

Ela deve ter até ficado impressionada por ele não ter chegado em casa com marcas de chupão pelo corpo e manchas de batom pela roupa toda, descabelado e rastejando.

Isso porque a namoradinha em questão nunca tinha me visto na vida dela. Não sabia se eu era linda e maravilhosa, se eu era uma baranga fedorenta ou se eu era freira. Não sabia se eu era ensebada, tinha caspa, graxa nas unhas, mau hálito ou se eu era a Catherine Zeta Jones com o corpo da Sheila Carvalho. O importante ali era: eu queria desesperadamente dar para o namorado dela. Para isso, nem me preocupei em disfarçar: pedi logo para ele trazer um sanduíche, que é a maneira mais rasteira e óbvia que uma pessoa tem de dar em cima da outra sem deixar rastro de dúvida. Sou uma vagabunda, mesmo... Concordam?

Mas pelo menos o Beto foi o único dos meus amigos que tomou uma atitude digna diante do ataque de babaquice: mandou-a pastar. Não me olhem desse jeito! EU NÃO TIVE CULPA!

 

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14.05.07

Todas o amam, todas o querem...

Red's, às 18h47

Estou pensando seriamente em confeccionar uma camiseta com os seguintes dizeres: "Eu não quero a porcaria do seu namorado", ou então "Grande merda o seu namorado", ou algo parecido. E sairei desfilando por aí, a esmo, para ver se algumas fulanas tomam umas cápsulas de noção.

Eu já escrevi aqui neste blog um post sobre mulheres que praticamente se jogam em cima dos machos alheios, dando uma de "amigas". Essa é uma realidade que não dá para negar. Elas existem e estão por aí. Mas existe uma diferença muito grande entre uma mulher que dá em cima do seu namorado e uma mulher é apenas amiga dele, e que não tem a menor vontade de dar para ele.

Por que estou dizendo isso? Bem, eu devo ter algum carma a ser superado de encarnações anteriores, onde eu devo ter saído mundo afora agarrando todos os homens que via pela frente. Não perdoava nada e nem ninguém. E agora, eu sou uma ameaça para todos, sem a menor chance de exceção.

Como eu mesma disse no post sobre "amigas" que dão em cima, eu tenho milhares de amigos homens, com quem tenho uma relação muito saudável e sem um pingo de envolvimento sexual, atração física e afins. E são relações de anos e anos e anos, e mais anos. Eu não fico com pegação, não falo miando, não fico deixando recadinhos melados em sms ou Orkut. Sou plenamente a favor do "amigos, amigos, distância, por favor!"

Até que um belo dia eles começam a namorar as tradicionais fulaninhas que falam com o dedo-na-boca, e a primeira coisa que elas fazem é proibir o cara de me dirigir a palavra, sequer de me cumprimentar na rua.

Ou seja, o raciocínio delas se estabelece assim: eu tenho cara de ninfomaníaca e os namorados delas são os homens mais bonitos, gostosos, charmosos e irresistíveis do planeta. E que, portanto, eu quero agarrá-los, e isso é um fato consumado. Não há a menor chance de eu não ver a menor graça neles, de eu achá-los desprovidos de beleza, sensualidade, ou de qualquer outra coisa que me atraia.

Para vocês imaginarem como eu não estou exagerando ou fazendo folclore, dia desses escrevi um scrap no Orkut para um amigo meu que eu não via há muitos, muitos meses. Deixei um texto exatamente assim: "E aí?". Nada mais. Nem uma mísera vírgula, três pontinhos, nada além do que está colocado aqui.

No dia seguinte, chega um e-mail dele, desesperado, dizendo que a namorada viu o scrap e entrou em surto psicótico, perguntando quem era a vagabunda que estava praticamente se esfregando em cima dele, acusando-nos, aos berros, de sermos amantes. Segundo ela, falávamos em código para marcamos algum encontro secreto em um motel qualquer da cidade. Não, eu não estou inventando. A coisa foi exatamente assim.

Mas a neurose delas não se resume apenas a restingir o acesso dos caras à minha pessoa. Eles agem como se eu fosse incapaz de ficar perto deles num raio de 50 km sem arrancar as roupas e ficar de cinta-liga vermelha, tentando currá-los, enquanto eles tentam fugir subindo no poste e gritando "Passa! Passa! Eu tenho namorada!". Outro dia fiz uma brincadeira idiota de dar um murro no braço de um amigo meu e a vagaba da ex-namoradinha dele armou barraco, dizendo que elas e as amigas "viram tudo", a forma como eu me insinuava. Cazzo, murro no braço é insinuação? Isso é falta de sexo ou é impressão minha?

Falta pouco para eu telefonar para o borracheiro e, quando o cara atender do outro lado, eu dizer: "Meu pneu furou e eu estou aqui no meio de um tiroteio na favela e...", e ouvir berros femininos do outro lado, proferidos pela mulher do borracheiro, dizendo que eu estou dando em cima dele, tentando seduzi-lo, que ele é um homem casado e não vai dar bola pra uma biscate como eu. Mesmo que eu nunca tenha visto o borracheiro na minha frente, e que exista 500% de chance de eu não querer nada com ele, mesmo após uma garrafa de uísque paraguaio, mesmo que de mim dependa o futuro da Humanidade.

Eu fico pensando: será que essas mulheres realmente acham que namoram o Brad Pitt? O que passa pelas cabeças delas quando transformam seus namorados em criaturas incontrolavelmente desejadas, perseguidas por piranhas ensandecidas e que precisam ser vigiadas o tempo inteiro, caso contrário serão estupradas na próxima esquina?

Simplesmente acho que elas não conseguem viver com o fato de que eu acho os namorados delas totalmente desinteressantes. No fundo, elas precisam da minha opinião, mesmo que seja inventada da cabeça delas. "Se a Red’s quer tanto este homem, então deve ser bom". Se um dia elas souberem que o tesão que eu tenho por eles equivale a ler um livro sobre o tratado comercial de azeitonas asiáticas com o Leste Europeu, talvez o cara perca todo o encanto para elas.

Sei lá...

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Um canto pra chamar de seu

Red's, às 10h39

Em um dos episódios da falecida e sensacional série "Sex and The City", Miranda, a advogada bem-sucedida, vai comprar um apartamento. Quando vai fechar o contrato, ouve perguntas do tipo:

- Quem vai dar a entrada? Seu pai ou seu marido?

Ou quando recebe uma visita em seu novo lar:

- Lindo o seu apartamento. É do seu ex-marido ou você ganhou de herança?

Eu achei graça, mas imaginei que era uma espécie de folclore da série. Mas, de fato, os produtores sabiam do que estavam falando. Há poucos dias mudei-me para meu novo lar, um apartamento que comprei há exatos SEIS anos, quando ainda estava na planta, e que me custou os fios de cabelo para conseguir. Montei-o inteiro: pisos, armários, cortina, aquecedor a gás, box, espelhos, móveis. É uma trabalheira que não dá pra descrever. Sem falar na sua conta bancária, que parece que NUNCA fica azul, nem que você faça macumba.

Diante de meu entusiasmo, é óbvio que saio contando para todos a novidade. Afinal, agora sou mocinha. Deixei a casa dos meus pais e dirijo meu próprio lar. E a resposta, em 99% dos casos, é sempre a mesma:

- Mas seu namorado está morando lá, certo?

E, quando eu digo "não", que lá eu vivo sozinha (so-zi-nha!), a resposta tem um tom de decepção:

- Ah...

Acho engraçado como as pessoas não conseguem visualizar o fato de uma mulher querer morar sozinha. Para elas, toda mulher tem desespero de casar. Ou, se saem da casa dos pais, já enfiam um macho dentro do imóvel, pois mulher sem homem pega mal. Afinal, quem vai pagar as contas? Deve ser mal amada, mal comida, ou então sapata.

E não ouço isso apenas de homens com pensamentos machistas. Na verdade, reações assim são mais tipicamente femininas do que qualquer outra coisa. Elas me encaram como quem tá dizendo "coitada, tá sozinha...", ou "que sem graça deve ser morar sem ninguém".

Ah, tem também os comentários babacas do tipo:

- Ah, mas seu namorado dorme lá umas quatro vezes por semana, né?

Se você fez esse comentário e está lendo este post, aproveite para perceber que eu não gostei. Eu montei um apartamento para morar sozinha. Para curtir o MEU espaço, para viver os MEUS momentos. Se o meu namorado aparece lá, é para dividir comigo alguns deles. E está longe, muito longe, de ser quatro vezes por semana. Eu gosto da minha companhia.

Se algum dia ele resolver ficar em definitivo, ótimo. Mas não será agora, e eu não estou com a MENOR pressa. E não, antes que eu ouça outros comentários babacas, isso NÃO quer dizer que eu não goste dele de verdade, porque, "se eu gostasse, já teria amarrado ele no pé da cama para não fugir". Amor não tem nada a ver com dividir o mesmo teto para provar sua autenticidade.

O Thiago, um amigo meu, ouviu esta minha lamentação e fez um comentário muito sábio:

Red's:
Me diga uma coisa: por que todo mundo para quem eu conto que estou morando no apto, me pergunta se eu casei? ou se eu estou morando junto?

Thiago:
pq todo mundo é quadrado.

Red's:
isso é profundamente irritante.

Thiago:
vc, nasce, brinca, estuda, se forma, casa-se, tem filhos e começa a morrer a partir daí.

Thiago:
não se irrite, pessoas são assim.

Thiago:
é por isso q minha avó sempre pergunta se estou namorando.
e meu avô, se estou trabalhando.

Red's:
vc vê como as preocupações são diferentes, né? Minhas tias também só vivem me perguntando se eu estou namorando. Parece que o resto da minha vida não faz a menor diferença.

Thiago:
ah, sim. Mas na cabeça das pessoas, a vida é como uma receita de bolo. Só seguindo todos os passos de acordo com o que está escrito é que se tem o resultado esperado.
Vc quer o bolo, não quer? TODOS querem o bolo. Você TEM que querer o bolo.

Red's:
cara, é isso
essa é a verdade...

Thiago:
Não ouse pedir pudim, hein?

 

Bem, só posso dizer que estou MUITO feliz do jeito que eu estou. Comendo pudim, mousse, petit gateau...

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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