It is all about girls... or men

23.07.07

Os destruidores da auto-estima

Red's, às 21h25

Minha esteticista é o máximo. Faz aplicações de produtos que derretem gordura em pouco tempo. Sabe aquelas gordurinhas que insistem em nunca desaparecer, mesmo com muita malhação, regime, cremes e afins?

Com tal milagre em mãos, ela tem uma imensa carteira de clientes. Inclusive um cara sarado, lindo, gostoso, alto, perfumado, que queria eliminar apenas umas sobrinhas no abdômen e que, durante algumas aplicações, disse para a esteticista que ela tinha que comprar três caixas do produto para aplicar na namorada dele.

"Saco, ele tem namorada", disse ela, enquanto me enfiava a agulha nos culotes. "Mas, pelo jeito, deve ser uma baleia, para ele encomendar três caixas logo de cara!", acrescentou.

Ele encomendou as caixas, mas ela bateu o pé e disse que não iria fazer aplicação porcaria nenhuma. E ele dizia: "Calma, eu vou convencê-la! Ela precisa entender que é necessário, ela precisa mesmo queimar aquelas gorduras".

"Você que sabe", respondia a esteticista. "Quando ela aceitar, me avise!"

Meses se passaram e o sarado conseguiu convencer a moça. A esteticista foi lá, então, para sua primeira aplicação. E, em seguida, foi até a minha casa fazer a minha, bufando de ódio do gostosão sarado. "Ele é um idiota, um escroto", ela dizia. E eu, sem entender nada. "Chego lá para aplicar o produto na menina... ela é um palito, Red! Um palito! Tem um culotezinho de nada", resmungava.

Pior do que isso. O babaca estava presente à primeira sessão. E a namorada sentiu na pele que a tal aplicação dói. Dói muito, muito mesmo. O tratamento só serve para quem tem uma força de vontade sobrenatural e para quem precisa MESMO do negócio. O que não era o caso dela.

Diante das primeiras agulhadas e da dor alucinante, ela disse que não queria mais. E ele levantou a voz, dizendo que ela iria tirar as gordurinhas, sim, onde já se viu? Ela não podia ostentar aquelas banhas por aí, era vergonhoso. E ele começou, na frente da esteticista, a tratá-la como se ela fosse uma gorda relaxada, como se o corpo dela fosse horrível e estivesse passando dos limites do tolerável.

Sendo a Cláudia uma esteticista, teria interesse em convencer uma esquelética da importância de usar o tal produto para emagrecer, e deveria achar lindo a atitude do cara. Mas ela queria socá-lo por acabar com a auto-estima de uma menina bonita, que não tinha problema algum no corpo, a não ser falta de neurônios, a ponto de aguentar aquele babaca. E ela continua o tratamento. Chora de dor. Mas quer agradar o seu homem.

Na semana passada, estava no cabeleireiro ouvindo a história da cliente ao lado. Cliente cujo marido decidiu que queria que ela tivesse o cabelo da Carolina Dieckman, quando interpretava uma vilã de cabelos loiros muito claros. Ao invés de dizer: "Ótimo, eu quero que você tenha o charme do Brad Pitt", ela resolveu obedecer. E lá foi clarear as madeixas.

"Meu cabelo ficou laranja", ela disse. "Eu queria chorar com a merda que tinham feito no salão". Mas, quando chegou em casa, o marido olhou e fez cara feia. "Que porra é essa? Eu queria que você ficasse igual à Leona!", bradou. "Eu tentei, mas deu errado, seu imbecil!", ela reagiu, chorando e batendo a porta.

Pensam que ele ficou com peninha e foi atrás dela? Necas. E, quando ela pintou o cabelo da cor original, ele ainda teve a cara de pau de ir perguntar quando ela ia tentar de novo ficar com os cabelos da Carolina Dieckman.

E eu ouvindo a história, lendo Caras, com os pés na água, pensando: "Por que mulheres se prestam a agradar babacas assim?"

Aí eu me lembrei que eu mesma já me prestei a papéis idiotas. Tive um namorado que, apesar de estar anos-luz de ter um corpo sarado, gostoso ou algo que o valha, não me deixava comer sobremesa quando saíamos pra jantar, porque "eu já estava rechonchuda demais" e "não era recomendado comer carboidrato após às 18h".

E eu obedecia...

Tudo bem que eu era bem mais nova, mas mesmo assim! Por que é que a gente deixa acabarem com a nossa auto-estima assim, tão fácil? Aliás, auto-estima deveria ser matéria do colégio. Ensinada incansavelmente durante toda a infância e a adolescência. Deveria ser tema de vestibular. Que é pra gente nunca ter que enfrentar situações assim, e depois passar a maturidade querendo apagar certos episódios de nossas vidas.

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História sem final feliz

Gisele, às 15h39

"Ah, dona Gisele, eu fui lá e bati nela". Ao ouvir essa frase, em plena segunda-feira de manhã, eu não acreditei. Como assim, bateu nela? "Ele apareceu com ela em casa e eu não tive dúvida - fui lá no carro e desci a mão nela". Ao ouvir isso, eu não sabia se ria ou se chorava. Nunca imaginei que a Rose, sempre quieta e discreta, fosse capaz de tal ato. E à medida que ela me contava o ocorrido, eu ia vendo as cenas passarem como um filme na minha cabeça. Não fosse a tristeza da moça, eu teria proposto pipoca para acompanhar o drama.

Bom, para resumir a história: o ele em questão é o marido da Rosemeire, que recentemente abandonou mulher e filha para viver com outra. Saudoso da filha, o infeliz resolve aparecer na casa da Rose, às duas e meia da manhã e acompanhado da nova mulher. Nem preciso dizer que a Rose ainda não tinha digerido o abandono repentino. E, como diria Nelson Rodrigues, deu-se a melódia! Rose deu sorte de a moça não ter registrado um BO por agressão. E de nada adiantaria ela explicar ao delegado que a vítima era o pivô da separação.

Sopapos e choros à parte, o repente de Van Damme da Rose ilustra uma história bastante comum em lares desfeitos por causa de um terceiro elemento. E também mostra que muitas mulheres e homens adoram fazer o papel da (o) outra (o), e acham muito normal se relacionar com alguém comprometido. Ok. ok. Muita gente vai dizer que se tudo vai bem na relação, então não sobra espaço para um terceiro.

Só que nem sempre é assim. Eu conheço um casal muito bem casado que vem sofrendo com as investidas de uma terceira pessoa. O casal mudou-se recentemente para São Paulo e está hospedado temporariamente na casa da melhor amiga dela. Pois a melhor amiga, cujo ex-marido trocou-a pela então melhor amiga dela, resolveu dar em cima do camarada, oferecendo-se em camisolas mínimas na cara dura. A mulher, indignada, já chamou a atenção da amiga, fez as malas e foi para um hotel. "Era um arranjo barato que podia me sair muito caro", diz ela, prevenida.

A tal amiga (da onça) se deu mal nesse caso, mas e naqueles em que o camarada sucumbe às tentações sem intenção de alterar sua vida atual? Eu conheço um grupo de mulheres que vive chorando pelos cantos por não conseguir de seus cachos a confirmação de que há um relacionamento sério entre eles. Pior, vivem arrumando desculpas para as faltas e mancadas dos moços (já falei sobre isso num post anterior) e falam com uma naturalidade absurda da namorada oficial.

"Ele está enrolado ainda, não consegue terminar. Mas a relação deles não vai bem", diz uma delas, que espera o fim do namoro há mais de três anos. "Ele trabalha demais, quase não tem tempo para ficar comigo, porque no tempo que sobra, ainda tem de ficar com a namorada", diz a outra, na fila de espera há dois anos. "Ele não pôde vir. Me ligou na última hora dizendo que a namorada não o deixou viajar sozinho", lamenta a terceira, que se envolveu com o camarada há seis meses.

Quando escuto as lamentações desse grupo de amigas, fico controlando minha língua para não dizer: acordem, tenham um pouco de amor próprio. Ninguém garante que ao terminarem seus relacionamentos atuais, os caras vão ficar com vocês. Será preciso levar a pior para aprenderem? Antes de entrarem numa relação como essa, que tal se se colocarem no lugar de quem está sendo traído?

Me chamem de quadrada, de conservadora, o que for, mas eu não entendo por que raios alguém se envolve com gente comprometida se essa história nunca tem um final feliz. Seja a matriz, seja a filial, alguém vai sair da história com o coração partido. Ou com o coração e a cara partidas, como bem sabe a Rose.

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Quem somos



Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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