It is all about girls... or men

28.09.07

Amor-espetáculo

Red's, às 12h08

Eu e um amigo meu estávamos conversando outro dia sobre um casal de amigos dele, cujo marido é um canalha de marca maior e que há 11 anos chifra incessantemente a sua esposinha mosca-morta. E a ironia maior: o perfil dela no orkut tinha zilhões de comunidade do tipo “Eu amo meu marido”, “Sou casada e feliz”, “Meu marido é só meu”, e outras coisas do tipo...

 

Ele lá, transando com todas que passam na frente dele, e ela lá, dizendo pros outros o quanto a vida conjugal deles é fofa e perfeita.

 

Papo vai, papo vem, hoje eu estava vendo um perfil no orkut de um conhecido que casou recentemente, cuja página tem trezentos e quarenta e sete mil depoimentos de sua esposinha (e vice-versa), com frases meladas e bregas que chegam a dar vergonha em quem lê. Acho até que o Wando ficaria constrangido em recitar tais depoimentos.

 

Até aí, problema deles. Mas eu não iria jamais perder a oportunidade de dar risada.

 

Comentei com outro amigo meu sobre a qualidade do texto enquanto breguice melada em níveis estratosféricos, e ele fez um comentário muito pertinente:

 

“Cara, a pessoa quer ser brega? Blz!

quer ser melosa ao extremo? Blz!

quer ficar grávida e chamar o pimpolho de “fruto do nosso amor?” +- blz

quer viver grudada no outro? problema dela

MAS PRECISA TORNAR PÚBLICO TUDO ISSO????????

 

Pqp... por que ela não fala isso tudo a dois, ou faz um bilhete ou carta?”

 

Aí eu juntei uma história com a outra e resolvi discutir aqui uma teoria: por que algumas pessoas têm tanta necessidade de provar ao mundo que são felizes? Por que elas precisam se auto-afirmar com tanta veemência?

 

Se você é feliz, muito bem, ótimo. Qual a necessidade de colocar um outdoor na porta, com luminosos piscantes, e sair distribuindo folhetos para as pessoas na rua, para provar para elas que você vê passarinhos verdes todos os dias que acorda? Vejam como eu sou feliz! Vejam como eu sou feliz! Vejam! Vejam! Eu preciso que vocês morram de inveja da minha felicidade!

 

Aí você abre o álbum de fotos e só tem o casal, com legendas do tipo “meu marido maravilhoso”, “minha esposa perfeita”, ou fotos do quarto e “Nosso ninho de amor”. Eu juro que entendo a felicidade, mas não entendo a ostentação disso! Não consigo entender qual a necessidade de abrir a intimidade para os outros, como se precisasse provar algo para alguém. A alegria, os passarinhos, as borboletas, o sol dourado, o amor, isso não é uma coisa que só interessa ao casal e a mais ninguém?

 

Não estou defendendo aqui o extremo oposto. Não há nada errado em ser feliz. Mas, pra mim, há algo MUITO errado na compulsão em mostrar felicidade aos outros. Quem se sente seguro e bem resolvido dentro de uma relação não precisa disso. Casais que são, de fato, felizes, vivenciam isso no dia a dia entre eles, e apenas entre eles.

 

Vamos pegar um exemplo público?

 

Suzana Vieira, a atriz global. Essa figura que eu antes admirava e hoje acho uma chata de galochas.

 

Ela quer se casar com um cara 30 anos mais novo que ela? Sem problemas, isso é da conta dela. Ela quer casar de noiva apenas cinco meses após conhecer o cara? Posso não fazer o mesmo, mas não tenho nada com isso. Mas acompanhemos o desenrolar da história.

 

Quando ela começou a namorar o cara, ela tinha compulsão em mostrá-lo para todo mundo e a declarar para TODAS as revistas do mundo o quanto o amor deles era lindo e fofo. Ela queria sair em tudo quanto é lugar como a mulher mais feliz do universo. Dava entrevistas do tipo “O Marcelo e eu transamos 5 vezes por dia, ele não me deixa em paz, é no chão da cozinha, no jardim, na varanda, eu tenho 187 orgasmos...”

 

E aí entra a velha história: qual a necessidade de mostrar pra todo mundo que ela, apesar da idade, trepa feito uma louca? Por que essa neurose em provar para o mundo que ela consegue conquistar um garotão sarado?

 

Aí rolou aquela história do garotão sarado quebrando um motel em que ele estava com uma garota de programa, e a situação ficou muuuuito chata pra ela. E pensam que aprendeu? Nada. Depois da reconciliação, continua a mesma mania.

 

E vejam... não estou falando em situação chata no sentido de ela ter que prestar contas ao mundo. O mundo não tem nada com a vida dela. Mas nessas horas, ficam as perguntas: e o amor perfeito, onde foi parar? Não era tão lindo? Não era perfeito?

 

Será que essas pessoas que ostentam ao mundo sua felicidade o tempo inteiro não estão escondendo alguma coisa? Não estariam elas querendo maquiar uma outra realidade, bem menos florida do que a que insistem em exibir para o planeta?

 

Talvez sim, talvez não. Mas eu ainda acho que aquele ditado tem razão: “Diga-me do que te gabas, e eu te direi o que te faltas!”

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Paulistanas da gema, falamos português, inglês, espanhol e muita bobagem. Adoramos livros, música e todo tipo de gastrono-
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