Red's, às 17h32
Hoje finalmente me dei conta de um fenômeno muito interessante - e nada agradável - que costuma ocorrer comigo. Eu sempre sou o próximo passo de homens que eram cruelmente explorados por suas ex e que finalmente abriram os olhos para a terrível realidade.
Isso é bom? Sim e não. Talvez...
As histórias são sempre iguais. Antes de me conhecerem, eles praticamente lambiam o chão que suas ex pisavam. Faziam tudo por elas. Pagavam TODAS as contas delas. Paravam tudo o que estavam fazendo por elas. Faziam de tudo para agradar. Davam presentes caros. Enfim, não passavam de um bando de cachorros lambões. Mesmo que elas não lhes dessem tratamento igual ou não dessem o devido valor.
E, quando atingem a etapa "RED" (no caso, eu), nada disso é necessário. Pois agora eles aprenderam que estavam fazendo papel de bobos. E agora não é preciso esforçar-se tanto.
Nunca fiz o tipo dependente e nunca achei que homem tinha que resolver todos os meus problemas, pagar as minhas contas e ser o meu amparo emocional. Mas atualmente fico pensando se não exagerei neste aspecto.
Estabelecendo um raciocínio simples e totalmente superficial, o que eu vejo é o seguinte: para as outras, tudo, sem limites. Para a Red, apenas o justo e necessário.
Do que eu me lembre, sem grandes esforços, poderia dizer o seguinte: as ex não colocavam a mão na carteira; as ex ganhavam belíssimos presentes; as ex faziam viagens inesquecíveis; as ex foram protagonistas de grandes surpresas românticas. E a Red? Bem, a Red não precisa, não é mesmo?
Poderia citar vários exemplos gritantes, mas vou utilizar apenas um ou dois. Posso mencionar, por exemplo, um dos meus ex cuja ex-mulher gastava a grana dele a torto e a direito, num desperdício crônico e perceptível pra qualquer um que tivesse dois dígitos de QI, nunca podia viajar comigo porque estava "sem grana". Mas, se ela aparecesse dizendo que precisava de dinheiro urgente para comprar uma réplica do Cristo Redentor pra colocar no terraço do apartamento, o dinheiro saía na hora.
Aliás, pior do que isso. Com ela, ele tirava 30 dias de férias por ano para viajar. Reservava os finais de semana. Comigo, não tinha nem feriado. Só quando eu ameaçava com um facão. O que? Deixar de trabalhar aos sábados e domingos e ganhar a mais só pra viajar comigo? Imagine!
A ex, apesar de não trabalhar e de não fazer nada com aquela bunda gorda o dia todo, quando estava com ele não saía sequer para fazer supermercado. Encomendava tudo pela internet e digitava os números do cartão dele. Ou seja, além de viver às custas do tal, não fazia nem os trabalhos de dona de casa. Mas e eu? Bem, eu podia muito bem fazer um esforcinho pela relação e ajudar a carregar as sacolas de compras do mês, não?
Em outro caso, o aniversário da ex do cara, quando estavam juntos, era sempre um caminho obrigatório às joalherias da cidade. No meu, sempre foi um livro ou, no máximo, um CD.
De uma certa maneira, é sempre assim: as ex sempre ficam com o melhor dos homens. Quando eu digo o melhor, não falo em termos financeiros. Falo em termos de cavalheirismo. Com elas, eles eram um exemplo de dedicação e paparico. Eu ouço as histórias e fico pensando: eu nunca tive nada semelhante. Eles aparecem para mim quando chegam à conclusão de que essas ex eram todas umas vadias indignas de tamanha babação de ovo, e aí decidem ficar com alguém que não exija tanto.
Ou seja, para elas, o filé mignon. Para mim, a carne de pescoço.
"Ah, como eu era bobo!", "Ah, como eu era cego!", eu sempre ouvi e ainda ouço. E, com a bocó aqui, todos os discursos idiotas da independência feminina, dos direitos iguais, da capacidade feminina em ser tão caminhoneira quanto os homens, tudo isso é aplicado na íntegra. Mesmo que eu não concorde com alguns itens! Mesmo que eu nunca tenha subido em um caixote para defender nada disso, porque acho que boa parte é uma bobagem sem fim. Mesmo que eu sempre diga que, apesar dos incontestáveis direitos iguais, em muitos casos homens têm que fazer papel de homens, e mulheres precisam exercer o papel de mulheres. E que isso não vai mudar!
E isso me faz lembrar uma análise da Danuza Leão sobre as mulheres fortes e as mulheres frágeis: se as frágeis dão um espirro, há um batalhão de gente oferecendo chazinho, remédio na boca, massagem nos pés, um tratamento digno de quem está praticamente moribundo e não pode sequer descer para pegar água na cozinha. Se uma mulher forte pegar uma pneumonia dupla, ninguém ousa sequer dar um telefonema pra saber se está viva e se precisa de alguma coisa.
Claro que não sou injusta a ponto de dizer que meus ex são todos uns canalhas. Na verdade, estou sendo muito macho em admitir que tudo isso é culpa minha. E isso realmente é o que mais dói!
