Red's, às 22h23
Uma das frases que eu mais ouço dos seres masculinos é uma grande mentira:
- Red, eu gostaria de encontrar uma mulher como você!
Eles desejam ardentemente uma mulher que não faça cara de chôro quando eles disserem que estão indo jogar futebol e tomar cerveja com os amigos. Ela apenas responderia "Divirta-se!" e não ficaria ligando o tempo inteiro pra ver se eles chegaram mesmo em casa no horário combinado. Uma mulher que não tenha ciúme doentio das amigas em torno deles. Que não desconfie de tudo e nem fique ligando para o trabalho deles para conferir se era verdade que eles iriam ficar até mais tarde no escritório. Que não os obrigue a fazer programas chatos, como aniversário de 3 anos do sobrinho da amiga da prima. Ah, como seria bom!
Eles se dizem pobres vítimas de namoradas grudentas, mandonas, ciumentas, possessivas. E, ao revelarem um sonho tão utópico, segundo eles, eu sempre respondo:
- Você não tem culhão pra aguentar.
É verdade. Todos imaginam que lidar com uma mulher isenta das pentelhices citadas acima, que eu carinhosamente chamo de "putices habituais", é a coisa mais fácil do mundo. Todos dizem que é praticamente um prêmio da Megasena. Mas, se um dia se torna realidade, é como se ficassem o tempo inteiro com uma granada sem pino no colo.
Na verdade, lidar com mulheres assim é fácil. O difícil é lidar com as minhocas que ficam dançando na cabeça. Deles, não delas. Porque essa liberdade toda vale para ela também. Ela quer sair com as amigas, ter vida social própria, momentos de individualidade. E aí a coisa pega...
Se ela não está telefonando pra ele o dia inteiro, nem enchendo o saco, nem cobrando e nem proibindo de sair com os amigos, e ainda por cima ousam se divertir sem seus namorados, então é porque elas não gostam tanto deles assim, deve ter outro na parada, tem alguma coisa errada. A questão parece ter o seguinte conceito científico: se mulher não depende emocionalmente do homem, então isso não é amor.
Na cabeça de boa parte dos homens, o ideal seria a mulher que desse total liberdade, mas não tivesse nenhuma. Porque moça que cuida da vida dela e não fica patrulhando a do outro não dá segurança, sabe? Para uma parcela significativa dos rapazes, mulher que ama é aquela que coloca o homem no pedestal e passa a viver em função dele. A moça que gruda e enche o saco em tempo integral não deixa ninguém em dúvida. Ela é chata, mas pelo menos é um negócio garantido.
Ser o que eles chamam de "mulher perfeita", a que vive e deixa viver, nunca facilitou em nada a minha vida afetiva. Pelo contrário, tornou-a mais infernal do que muitos podem imaginar. No começo, eram elogios e mais elogios. Que maravilhosa a minha independência! Que coisa boa a minha "cuca fresca"! Sem encanações, sem neuroses, que ótimo! Só que, no fundo, eles imaginavam que, quando a relação engatasse, eu logo mostraria uma outra personalidade, que tudo aquilo era fachada. E quando isso não acontecia, começava o terror: a ciumeira, as inseguranças, os ataquezinhos de "você não liga pra mim".
Mal sabem esses bobinhos que amor é uma coisa, carência afetiva e ausência de auto-estima é outra.
Todos os caras que disseram sonhar encontrar uma mulher como eu estão, neste momento, namorando as personalidades inversas. E reclamando. E desejando uma vida diferente.
Contanto, é claro, que isso nunca aconteça.
Para fechar este texto, peguei um trecho de um post do blog "Homem é Tudo Palhaço", que trata desse assunto com louvor no "Palhaço Competidor":
A verdade é que ele é inseguro. (Ok, mas quem não é?) Sua ex-namorada era um grude só e ele vivia dizendo que queria uma mulher menos chiclete. Agora que conseguiu, não sabe lidar com isso. Fica bolado quando diz que vai jogar futebol e a garota responde simplesmente “Tá”. Não gosta quando ela diz que vai sair pra dançar com as amigas e acha muito “suspeito” ela não querer sair aos domingos... Ou seja, como a maioria dos homens, diz que não suporta mais a namorada pegajosa, mas no fundo não sabe lidar com uma que não seja assim. Palhaço!
Não sabe que muitas vezes a gente ama, mas não fica espalhando isso aos quatro ventos e demonstra, em lugar de falar. Ele é daqueles que confunde liberdade com desinteresse e que acha que para amar o outro é preciso dar-lhe atenção total, 24 hs por dia.
I rest my case.
