It is all about girls... or men

02.07.08

A sogra 2 - a missão

Gisele, às 20h12

O tempo realmente revela as verdadeiras intenções das pessoas. As sogras (sim, olha elas aqui novamente) são capazes de supreender filhos e noras à medida que a convivência entre os casais vai se estreitando. Eu conheço um camarada cuja mãe é completamente sem noção. Ele mesmo reconhece que a dona é osso duro. E não a defende. Quando apresentou a namorada à família, a mãe deu uma de compreensiva (a pretendente à nora tinha quase a idade dela), achando que fosse uma relação passageira, e que o filho, tão novinho, só estaria interessado em sexo.

Os meses se passaram, o namoro ficou sério, e os pequenos boicotes surgiam a cada noite passada fora de casa. As roupas do filho deixaram de ser passadas, o shampoo e o sabonete do banheiro dele deixaram de ser repostos, e a comida deixou de receber aquela atenção especial. Até que o filho resolveu fazer um test-drive e comunicou a mãe que iria morar com a namorada.

De uma hora para outra, objetos e produtos de higiene voltaram a fazer parte da decoração do banheiro e do armário de roupas. O almoço passou a ser servido mais cedo, e as perguntas sobre a pretendente à nora ficaram curiosamente mais “íntimas” (tipo: você sente tesão por ela?). Quando ele me contou, fiquei me perguntando que tipo de mãe era aquela para achar que o filho estava indo morar com a namorada sem sentir tesão por ela. E que tipo de pergunta descabida era aquela.

Uma outra amiga me conta que a sogra a paparica o tempo todo. Não por gostar de fato dela, mas para se manter perto do filho, já que o rebento não a “escuta” mais como antes e está tomando decisões com a ajuda de outra pessoa. A garota, que é bastante arredia e sente de longe o cheiro de uma falsidade, procura manter distância da sogrinha: nunca liga e não dá trela quando a conversa começa a ultrapassar o limite da intimidade.

Agora que está grávida, me conta que os paparicos pioraram. Um presentinho a cada visita, uma investigação a cada telefonema. Uma sondagem a cada comentário sobre “quem vai cuidar do meu neto quando você voltar a trabalhar?”. Ofertas de ajuda para a decoração do quarto da criança, para as lembrancinhas da maternidade, para o chá de bebê, para acompanhar o ultra-som, para ir ao ginecologista nas consultas de pré-natal e até para acompanhar o parto. Certamente a sogra deve achar que a menina não tem mãe. Ou marido. Ou que vai preterir a companhia de qualquer um dos dois por ela. Fico imaginando as visitas surpresas e intermináveis que a dona vai fazer quando a criança nascer. Ou as idéias de nomes lindos que vão surgir quando descobrirem o sexo do bebê. É capaz dela sugerir o nome do cachorro da vizinha, que ela acha lindo.

Mas há falta de noção pior. A mãe de uma amigo meu recém-casado acha que a casa do filho é extensão da casa dela. Chega a hora que quer, sem ser anunciada na portaria, mexe nas coisas e guarda-as do jeito que ela pensa ser melhor e ainda dá uma de anfitriã quando o filho e a nora estão recebendo amigos, oferecendo bebida, comida, café... A nora cansou de reclamar para o filho, que acha ótimo poder contar com a mãe a qualquer hora e não considera a "ajuda" como intromissão. "Tomara que um dia ela chegue em casa num momento bem inoportuno. Quem sabe assim se toca um pouco", diz ela.

Claro que há exceções (raríssimas, na verdade). Conheço gente que vive dizendo que um dia pode se separar da mulher, mas que fica com a sogra. Vai entender!

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A sogra 1

Gisele, às 20h11

Diz o bom e velho dicionário que sogra é a mãe do marido. Mas na cultura popular, sogra é aquela pessoa que sabe muito bem como transformar a vida da mulher do filho ou do marido da filha em um inferno. Quando o rebento é único, então, coitada da nora. Uma amiga minha casou-se recentemente e já está sendo vítima das investidas da sogrinha –tão amável no começo de namoro que até era pegajosa. Pois foi só a relação ficar mais séria e o filho pedir a menina em casamento para começar a transformação. Primeiro os boicotes. Pequenos. Sutis. O filho marcava com a noiva para ver alguma coisa relacionada ao casamento, e a mãe inventava uma dor, uma indisposição, uma necessidade de tê-lo ali do lado dela, numa guerra surda. Compromisso adiado, e a sogra -vencedora da batalha- melhorava subitamente.

Depois começaram as intromissões. Quando percebeu as firulas já não surtiam efeitos e que o casamento iria mesmo acontecer, passou a oferecer ajuda na organização da casa nova e do casamento. Trabalhando até tarde todos os dias, o casal aceitou de bom grado (pensando que a ajuda se limitaria a receber pintores, marceneiro e produtos). Foi o que bastou. Um dia o casal chegou no apartamento recém-comprado para tirar algumas medidas e descobriu uma sala totalmente decorada. Com o gosto da sogra, e não do casal. “Eu fiquei olhando para a sala, para a porta do apartamento e novamente para a sala, achando que tinha entrado na casa errada, Gi”, contou-me a nora. “Ficamos mudos. Totalmente sem ação, e quando voltamos pra casa dela, ela simplesmente falou: ‘coube tudo direitinho, né? Vamos agora pensar no quarto de casal’”.

Algumas semanas depois, ela aparece com um comprador para o carro da nora, porque o casal precisava economizar para a lua-de-mel e ela achava que a guria deveria se desfazer do veículo –instrumento de trabalho- para ajudar. Bem, a menina vendeu o carro, mas passou a usar o do noivo, para desgosto da sogra, que achava injusto o filho ter de andar de metrô para trabalhar 12 horas enfurnado num banco, enquanto a nora perambulava pela rua o dia inteiro visitando clientes.

As intromissões continuaram acontecendo até que a sogra, num almoço de domingo com amigos que a nora nem conhecia, convidou a todos para visitar o apartamento dos noivos. A nora, obviamente, não gostou, mas o noivo, todo empolgado, quis mostrar a casa nova para os amigos da mãe, sem se preocupar se a casa estava ou não pronta para receber visitas. O episódio foi a gota que faltava para o copo transbordar. Minha amiga recolheu todas as cópias da chave da casa e deu um ultimato: ou sua sogra parava de se intrometer na vida deles, ou não teria casamento (ele que colocasse um freio na mãe tresloucada). Bem, eles se casaram, mas se a intromissão vai ou não acabar, só o tempo vai dizer.

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